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Aos 15 min do 2º tempo - cartão vermelho para Balogun, dos EUA, contra a Bósnia Gianni Infantino admitiu ter recebido telefonema de Donald Trump e ter conversado sobre o caso do cartão vermelho de Folarin Balogun durante a ligação, mas negou interferência do presidente dos Estados Unidos na decisão da Fifa de liberar o jogador para as oitavas de final da Copa do Mundo. Em nota oficial, o presidente da Fifa ressaltou que a decisão foi tomada de forma independente pelo Comitê Disciplinar da entidade. Ele ressaltou a importância da autonomia do órgão judicial. - Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles atuam com autonomia, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado. Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o Presidente dos Estados Unidos e, sobre este caso, recebi de fato uma ligação do Presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, partes interessadas do futebol e executivos de todo o mundo sobre diversas questões. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido no momento oportuno pelos órgãos competentes. É assim que funciona o sistema da FIFA, e esse é um princípio que sempre defenderei - afirmou Infantino em nota ( veja a íntegra abaixo ). + Veja a tabela da Copa do Mundo + Entenda a brecha no regulamento que permitiu à Fifa anular suspensão de Balogun + Bélgica ganha direito de recorrer no caso Balogun, mas diz: "Fifa garantiu que apelo seja inadmissível" + Pivô de polêmica, Balogun escolheu EUA, mas poderia jogar por outras duas seleções; entenda + Árbitro que expulsou atacante dos EUA liberado pela FIFA para jogar após ser expulso é brasileiro 1 de 3
Donald Trump ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa, no sorteio da Copa — Foto: Getty Images Donald Trump ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa, no sorteio da Copa — Foto: Getty Images O presidente Donald Trump confirmou o pedido de suspensão do cartão vermelho de Balogun depois que o jornal americano "The New York Times" revelou o telefonema entre ele e Infantino. Desde que o posicionamento da Fifa em suspender a punição foi divulgado, o tema recebeu críticas nas redes sociais, com comentários como "absurdo", "nunca vi" e "ridículo" , e até da Uefa, que considerou que o órgão "cruzou uma linha vermelha" . O assunto dominou manchetes de veículos esportivos, que usaram termos como "decisão surpreendente", "controvérsia", "escândalo" e "reviravolta séria" na abordagem . Entretanto, o artigo 27 do Código Disciplinar da entidade máxima do futebol prevê que a penalidade pode ser suspensa por um período probatório de um ano . + Técnico da Bélgica se irrita com caso Balogun e ironiza a Fifa: "É 1º de abril?" + Técnico dos EUA defende anulação de suspensão de Balogun: "Fomos punidos o suficiente" + "Escândalo" e "Polêmica": imprensa destaca decisão da Fifa sobre cartão vermelho de Balogun + Rooney detona Fifa por caso Balogun: "Infantino deveria se envergonhar" + Uefa critica Fifa por caso Balogun e diz que entidade "cruzou uma linha vermelha" + Klopp detona Infantino e Trump por caso Balogun: "Não conhecem nada de futebol" Depois de uma reclamação formal da Federação de Futebol da Bélgica (RBFA), a entidade recebeu direito de apelar a um comitê da Fifa formado para analisar o caso, embora não tenha garantias de que o recurso será julgado antes do início da partida, às 21h (de Brasília). A federação belga publicou uma nota nesta segunda-feira criticando os procedimentos criados pela Fifa para o recurso. Segundo os belgas, a Fifa criou mecanismos para garantir que o apelo seja inadmissível. Assim, o direito de recurso soa como mera formalidade. - Após tomar conhecimento, através de notícias midiáticas, da decisão da FIFA de levantar a suspensão automática do jogador Balogun, a RBFA enviou uma carta à FIFA solicitando uma cópia da decisão, uma explicação do processo adotado e expondo a sua posição relativamente aos regulamentos aplicáveis. Como única resposta, a FIFA enviou uma carta à RBFA afirmando que considerava a correspondência como um recurso, que um juiz tinha sido nomeado e que a RBFA tinha apenas algumas horas para concluir o recurso. A FIFA não forneceu qualquer outra informação. Para que um recurso seja admissível, os próprios regulamentos da FIFA estipulam que a decisão fundamentada deve ter sido comunicada ao recorrente. Enquanto a RBFA apenas procurava esclarecimentos legítimos, a própria FIFA criou um recurso e garantiu imediatamente que este fosse declarado inadmissível - afirmou a nota da Federação de Futebol de Bélgica. As federações de futebol da Bélgica e dos Estados Unidos tinham até as 9h (de Brasília) desta segunda-feira para apresentar suas considerações sobre o caso. No entanto, os belgas não receberam o relatório sobre a decisão e a justificativa da Fifa para suspender o cartão vermelho que Balogun tomou durante o jogo contra a Bósnia-Herzegovina, o que tiraria automaticamente o jogador da partida das oitavas de final. O relato da arbitragem sobre a expulsão do atacante também não foi apresentado. Assim, o dossiê belga teve de se basear em informações incompletas. 2 de 3
Balogun, atacante dos Estados Unidos, comemora gol contra a Bósnia — Foto: REUTERS/Phil Noble Balogun, atacante dos Estados Unidos, comemora gol contra a Bósnia — Foto: REUTERS/Phil Noble Além disso, o árbitro catari Salman Al-Ansari foi o escolhido para analisar o caso. Ele é muito próximo ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. A Federação de Futebol da Bélgica ainda pode apelar à Corte Arbitral do Esporte (CAS), instância máxima da justiça esportiva. No entanto, ainda não se manifestou sobre essa possibilidade. 3 de 3
Raphael Claus expulsa Balogun em Estados Unidos x Bósnia — Foto: Phil Noble/Reuters Raphael Claus expulsa Balogun em Estados Unidos x Bósnia — Foto: Phil Noble/Reuters O cartão vermelho geraria uma sanção automática de um jogo de suspensão, segundo o Artigo 10.5 das regras da Fifa para a competição. No entanto, Folarin poderá enfrentar a equipe comandada pelo técnico Rudi Garcia na próxima fase, pois teve a punição revogada. O artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa prevê que o "órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar". — Por força do Artigo 27 do FDC, a implementação da suspensão automática de jogos para Folarin Balogun é suspensa por um período probatório de um (1) ano — diz parte do comunicado no site da entidade. Íntegra da nota de Gianni Infantino, presidente da Fifa Vi os comentários públicos sobre a decisão do Comitê Disciplinar independente da FIFA em relação à suspensão de Folarin Balogun e gostaria de reiterar um princípio fundamental da governança da FIFA. Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles atuam com autonomia, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado. Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o Presidente dos Estados Unidos e, sobre este caso, recebi de fato uma ligação do Presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, partes interessadas do futebol e executivos de todo o mundo sobre diversas questões. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido no momento oportuno pelos órgãos competentes. É assim que funciona o sistema da FIFA, e esse é um princípio que sempre defenderei. Leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA assim que são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes concordo, e às vezes discordo. O que sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as proferem. Se gostamos ou não pessoalmente de uma decisão, isso é irrelevante. O respeito às instituições independentes e ao Estado de Direito é o que protege a integridade de nossas competições e a credibilidade da FIFA em todos os momentos.