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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Em discurso na ONU, Lula é alertado sobre a importância de falar de gênero Milly Lacombe Colunista do UOL 22/09/2026 11h46 Deixe seu comentário Presidente Lula discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova York - 22.set.26 Imagem: Timothy Clary/AFP Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O presidente Lula falou na ONU por mais de 20 minutos. Foi aplaudido enquanto falava apenas uma vez: no momento em que citou a luta contra o feminicídio e a abertura do mercado de trabalho para que mulheres sejam reconhecidas em sua totalidade. São tempos brutos esses que vivemos. A luta contra o feminicídio citada pelo presidente é tímida e ineficaz. O papel da mulher no mercado de trabalho segue sendo absolutamente precarizado, com salários menores do que o de homens na mesma função. E, mais grave, o trabalho produtivo foi mais uma vez separado do reprodutivo, que nem citado foi. Para falar de trabalho, temos que começar com o trabalho não remunerado realizado dentro dos lares. Ainda assim, esse é o presidente que mais fez pelas mulheres brasileiras. Fez quase nada, mas fez alguma coisa. Tempos brutos esses em que temos que apoiar com força a reeleição de um presidente que ainda não sabe do que se trata a luta das mulheres porque, diante dos demais, ele é o único que habita o campo democrático. Sakamoto Flávio deu dinheiro à milícia do caso Marielle Daniela Lima As três opções de Lula contra as bets Helio de La Peña Além do Brasileirão, STF também entrou na Data Fifa Matheus Pichonelli Ex-BBB atira para puxar votos na propaganda da TV Lula, que coloca o feminicídio em pauta na ONU, tem um grupo de conselheiros quase que exclusivamente masculino. Seus chefes de campanha são homens, o dinheiro está nas mãos de homens, aqueles que estão mais perto dele são homens. Lula, que não colocou mulheres no STF dizendo que não cederia à pauta identitária, como se ser homem, branco, cis e heterossexual não fosse identidade. Lula que não sabe falar do trabalho de reprodução, esse que acontece todas as horas de todos os dias dentro dos lares e que está concentrado nas costas das mulheres. Os aplausos que o presidente ouviu na ONU, no momento em que falou da luta contra o feminicídio, revelam o pulso do debate político. A pauta é gênero. O debate central é o regime binário da diferença sexual. Ignorar essa realidade é usar as mulheres apenas para se reeleger e depois largar a gente pela rua. O presidente já fez isso uma vez. Não vamos aceitar que faça uma segunda vez. Estaremos nas ruas para reelegê-lo e, no dia 1 de janeiro de 2027, começaremos a cobrar essa conta. O discurso terá que ser acompanhado de ações. Ministério igualitário no número de homens e de mulheres, STF com 50% de mulheres, conselheiras, letramento feminista, trabalho reprodutivo igualado em importância ao produtivo, fim do endividamento de titularidade feminina, direito ao aborto. Qualquer coisa menos do que isso vai ser uma nova traição a quem, por duas vezes seguidas, o elegeu. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Vereador em Balneário Camboriú, Jair Renan pede para ter falta descontada e colega critica: 'Cria vergonha na cara' 14 países seguem Trump e incluem PCC e CV em ação contra o terrorismo Flávio exibe quadro de Jair Bolsonaro e provoca TRE-RJ: 'Vem tomar' Relação de 40 anos, nome igual e vida nos EUA: quem é a viúva de Rick Ex-seleção brasileira, Giuliano anuncia aposentadoria aos 36 anos