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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte A solidão da ministra Cármen Lúcia Milly Lacombe Colunista do UOL 16/09/2026 15h48 Deixe seu comentário A ministra Cármen Lúcia, em julgamento no plenário do STF Imagem: Gustavo Moreno/STF Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A ministra Cármen Lúcia pediu desculpas ao Brasil durante a vergonhosa sessão em que o STF expôs parte de suas vísceras à nação. Explicou: disse que deveria ter feito mais, que gostaria de ter feito mais, que a função da Justiça é nos proteger e não nos confundir. A ministra está certa. Esse STF, com ela incluída, apoiou os abusos da Lava Jato, apoiou um golpe de estado, apoiou (até mudar de ideia) a contrarrevolução fascista que está em curso. As desculpas são devidas e a ministra não está fora desse jogo, por mais que gostemos de suas posições atuais. A ministra Cármen Lúcia aceitou jogar o jogo dos homens para sobreviver - como muitas de nós fazemos todos os dias. A ministra Cármen Lúcia é a única mulher na atual composição do STF. O espetáculo masculinista encenado no dia 15 de setembro, com homens se atacando e se lambuzando de suas autoridades, é um ritual do patriarcado. A ministra estava deslocada, como estamos todas nós em espaços de poder - ou em qualquer outro espaço, a bem da verdade. Homens falam entre si e, do mesmo modo, compartilham poder. As raras mulheres que chegam lá são constantemente colocadas em seus lugares. A linguagem não nos inclui. A vulgaridade não nos inclui. O riso não nos inclui. Um outro STF é possível. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo O que aconteceria com o STF se ele fosse composto por uma maioria de mulheres? Mulheres cis, brancas, negras, trans, lésbicas, travestis. Seis ministras e cinco ministros. Como agiria um STF assim formado? O poder continuaria a ser distribuído em surubas com "novinhas" e regadas a uísques cujas garrafas custam tanto quanto um studio na planta? Imaginamos que não. Imaginamos que, com a nova distribuição, teríamos uma nova suprema corte: mais justa, mais igualitária, menos engaludada, menos vulgar, menos egoísta, menos vaidosa, menos confrontadora, menos descontrolada, menos chiliquenta, menos despreparada. O espetáculo deplorável que assistimos ontem dentro do STF tem gênero, raça e sexualidade. É branco, masculino e heteronormativo. Não queremos mais viver nesse mundo. Essa é a identidade que está nos destruindo e devastando o planeta. Estamos dizendo chega. Basta. Cansamos. Ninguém aguenta mais. Hora de criar uma nova sociedade. Mais colaborativa, mais solidária, mais horizontal. Mais feminina. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro' TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer