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Esporte Futebol Copa do Mundo Argentina chega à Copa irreconhecível: defende seu título sem nenhum drama Sebastián Fest Colaboração para o UOL, na Argentina 16/06/2026 15h30 Deixe seu comentário Neymar 1/8 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Sem drama, não parece a Argentina. Mas é. A seleção de Lionel Messi chega à estreia na Copa do Mundo de 2026 em um clima de tranquilidade sem precedentes. Nunca, desde que a Albiceleste conquistou seu primeiro título, há 48 anos, houve tanta serenidade. Isso significa que a Argentina se sente candidata e acredita no "tetra", no quarto título? Sim. Mas o novo é o ânimo: não há tensão na seleção, não há tensão na mídia, não há críticas nem dúvidas entre os torcedores. Sakamoto Traição cobra preço de Eduardo e ameaça Flávio Amanda Klein Fazenda vê margem para acelerar corte de juros Josias de Souza Ninguém quer hospedar Daniel Vorcaro Felipe Salto Não estamos passando por uma crise fiscal no Brasil Para um país que passou meio século se considerando "campeão moral" sem, na verdade, conquistar nada, é um verdadeiro marco. Basta ouvir o que Lionel Scaloni disse nesta segunda-feira a Martín Palermo: "Você sabe como isso é difícil, você sabe como isso é bonito. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por UOL Esporte (@uolesporte) No Uruguai, em 1930, um torneio com apenas 13 participantes convidados, a Argentina disputou a final e perdeu por 4 a 2 para o Uruguai. Para um país onde o futebol já era uma paixão, essa final deu origem à ideia de uma superioridade que depois não se concretizou. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês Disputou a Copa da Itália, de 1934, com uma seleção de baixo nível e decidiu não participar das próximas, na França, em 1938, no Brasil, em1950, e Suíça, em 1954. Quando voltou, passou sem brilho pelos Mundiais na Suécia-1958 e no Chile-1962. Foi só na Inglaterra, em 1966, que voltou às quartas de final. E de lá não saiu por um bom tempo. Fracassou nas eliminatórias para o México-1970, caiu nas quartas em 1974. Quase meio século de fracassos. Continua após a publicidade O meio século seguinte, porém, foi diferente. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por UOL Esporte (@uolesporte) Desde que a Argentina conquistou seu primeiro título em 1978, somou mais dois troféus (1986 e 2022) e outras duas finais (1990 e 2014). Deixaram de ser "campeões morais" para se tornarem campeões de verdade. Mas, claro, o drama nunca deixou de existir: Espanha-1982: chega em meio a questionamentos ao técnico César Luis Menotti, e com o país em choque diante da derrota iminente na Guerra das Malvinas. Foi uma Copa do Mundo para esquecer. México-1986: foi a Copa do Mundo de Diego Maradona, da "mão de Deus", do "gol do século" e do bicampeonato. Mas metade do país queria demitir Carlos Bilardo antes da estreia, incluindo o então presidente do país, Raúl Alfonsín. A passagem pelas eliminatórias tinha sido uma agonia e a confiança na seleção era limitada. Itália-1990: foi um milagre. A Argentina disputou uma final na qual ninguém acreditava e mostrou um futebol que muitos consideravam inadequado à tradição do país. Tudo foi épico e tenso, desde o enganoso 1 a 0 sobre o Brasil nas oitavas de final até as vitórias nos pênaltis (sobre Iugoslávia e Itália, graças a Sergio Goycochea) e a derrota com um pênalti inexistente na final contra a Alemanha. EUA-1994: foi um drama antes, durante e depois. Após eliminatórias conturbadas, a seleção de Alfio Basile resgatou Maradona para a repescagem contra a Austrália. Já na Copa do Mundo, Maradona impressionava por sua forma física, velocidade e gols, que contagiavam uma seleção que parecia imparável. Até que surgiu o doping e tudo desabou. França-1998: Daniel Passarella proibiu cabelos compridos nos jogadores, mas sua seleção tinha dificuldade em marcar gols nos momentos decisivos. Tinha a classificação para as semifinais nas mãos, mas foi eliminada nas quartas pela Holanda. Coreia/Japão 2002: puro otimismo após uma campanha ideal nas eliminatórias e uma sequência de vitórias e jogadas impactantes, mas aquela seleção de Marcelo Bielsa falhou quando não deveria, na Copa do Mundo, e foi eliminada na primeira fase. Alemanha-2006: talvez o momento de tranquilidade mais próximo do que se vive em 2026. José Pekerman era um técnico muito pouco tradicional para o que é o futebol argentino, calmo, equilibrado, sereno. Aquela seleção esteve muito perto de eliminar a anfitriã Alemanha e avançar para as semifinais, mas Pekerman deixou Lionel Messi no banco. Com ele em campo, ninguém sabe o que poderia ter acontecido. África do Sul-2010: o oposto da anterior porque, com Diego Maradona como técnico, esperar calma era impossível. Messi jogou todas as partidas sem marcar e a Argentina foi goleada por 4 a 0 pela Alemanha nas quartas de final. A conclusão de Maradona? "A Alemanha não teve nem uma ideia". Ainda bem, se os alemães tivessem tido um par de ideias, o 7 a 1 seria um desastre argentino. Brasil-2014: os argentinos chegaram divididos em termos futebolísticos. Alejandro Sabella era um técnico respeitado, mas seu futebol não combinava com o gosto de um setor importante da torcida. A final perdida por uma diferença mínima para a Alemanha foi um resultado muito melhor do que o esperado. Rússia-2018: o momento de maior confusão da seleção argentina em muito tempo, com um técnico como Jorge Sampaoli, apaixonado por si mesmo e pelo cargo. A seleção era pura tensão e divisões, e o enlouquecedor 4 a 3 com que a França a eliminou nas oitavas de final foi um reflexo disso. Foi assim que a Argentina chegou ao ciclo que antecede o Catar 2022 com um técnico interino, Scaloni, que acabou se consolidando: jovem, respeitado pelos jogadores, estudioso do futebol, com carreira na Europa e "mentalidade europeia", soube se conectar com seus jogadores e acalmar as tensões e os egos. E soube fazer a equipe jogar para aproveitar sua grande joia, Messi. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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