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Um dos nomes que mais cresceu após o UFC 332 foi o de Johnny Walker . O brasileiro fazia sua estreia nos pesos pesados quando aplicou um nocaute visceral em Mick Parkin , usando uma joelhada na cabeça para apagar o inglês. Agora na décima segunda colocação do ranking da nova categoria, o gigante de quase dois metros começa a planejar seus próximos passos ao lado do irmão, Valter , décimo primeiro da lista. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br , Johnny detalhou todos os segredos que levaram à sua vitória na noite de sábado (03) que levaram ao seu status viral no fim de semana. Agora nos pesados, o brasileiro destaca as vantagens que surgiram após não ter que cortar peso para encarar a balança. Chegando no embate com 109,7 Kg, Walker detalhou que o processo ajudou principalmente no seu training camp. Não tendo que se preocupar em perder peso, Johnny pode fazer uma dieta mais equilibrada e que não o deixava com fome durante os treinos. Isso permitiu uma qualidade melhor nos treinamentos, o que diretamente refletiu na sua performance de sábado. "Geralmente, quando eu vou para os meio-pesados, no mês da luta eu já começo a ficar mais fraco. Não consigo mais treinar pesado também, porque eu estou perdendo peso. Eu não consigo nem fazer sparring muito pesado, que dá até umas tonturas, tem que parar, às vezes, na metade do treino. E aí, na semana da luta, eu falei: 'Não estou sofrendo, não estou bebendo água para c***, não estou comendo [pouco], não estou com lesão'. Eu achei até estranho, porque estava tudo muito bom. Eu pensei: tem que ter alguma coisa errada, será que é isso mesmo?", relembra. O grande público, que já debatia a mudança de categoria de Johnny há tempos, esperava que muitas vantagens surgissem em lutar sem ter que fazer um grande corte de peso, como é o caso do brasileiro. A grande dúvida, entretanto, seria se Walker conseguiria aguentar a trocação dos pesados, conhecidos como a categoria que bate mais duro entre todos os atletas do UFC. Johnny, entretanto, discorda dessa visão. Sendo parceiro de treino de Alexander Volkov , atual quarto do ranking, e tendo dado um show contra Parkin, Walker aponta que não sentiu golpes fora da realidade que já estava acostumado na categoria dos meio-pesados. A maior mudança, novamente, foi em si próprio: se viu com muito mais força e explosão quando pisou dentro do octógono. E com esse novo vigor, encontrou um nocaute explosivo com um golpe que nem treina em seus sparrings. "Eu estava muito confiante na minha defesa, no meu striking, no meu timing, na distância. Na verdade, eu nem treino muito (esse golpe). No final do treino, eu dou uma joelhada voadora só para manter o gás, o impulso, as explosões. Mas a joelhada que nocauteou ele foi do clinch, e eu não treino isso porque não dá. Você tem que puxar a cabeça do cara e dar a joelhada na boca. Então, não dá para fazer muito no treino, porque você vai machucar os parceiros de treino se entrar." "Eu senti ali que ele (Mick Parkin) não sabia fazer clinch. Então, toma. Eu já botei ele para baixo e já saí andando. Não quis nem terminar de bater, porque eu sabia que já tinha entrado. Nem olhei para trás para ver se ele estava caído, se ele estava dormindo, se ele ia levantar. Eu não sei como explicar, mas eu senti que a alma estava fora do corpo dele quando eu conectei o joelho", relembra. E com o nocaute viral, Johnny estreou na décima terceira posição do ranking da inteligência artificial, uma posição atrás de seu irmão, Valter. Vindo de uma sequência negativa de três derrotas em quatro lutas na sua reta final de meio-pesado, agora o mais velho dos Walkers encara um prospecto melhor para seu futuro. Ambos já deixaram claro múltiplas vezes que não aceitariam se enfrentar no UFC, mas isso não significa que não tenham discutido a ascensão de suas carreiras na categoria. "O Valter já falou que quer que eu seja campeão primeiro. Não sei se é verdade, mas ele fala: 'Eu quero pegar o cara que você lutou, que você já bateu, eu quero bater também. Aí se quiser, tu vai bater nos caras que eu já bati'. Então a gente vai dominando a categoria junto. E esse é um plano bom. São dois caras na mesma divisão que podem unir forças. Porque é meu irmão, eu não vou lutar com ele. Juntos, somos mais fortes. E ele é novo também, está aprendendo, pegando experiências", explica. Mas, mesmo com um plano consolidado com seu irmão, Johnny ainda quer ter mais experiências no peso pesado para garantir que é isso que quer para seu futuro. Reconhecendo que Mick Parkin não é o melhor teste de nível dentro da divisão, o brasileiro enxerga que precisa de mais alguns embates antes de pensar em desafiar a elite da categoria -- a caminho do cinturão. "Eu não acho que eu não estou pronto ainda (para o cinturão). Deixa eu sentir mais a categoria, lutar com mais um, dois caras que não estão no top 5 ainda. Tem que lutar com os caras que estão mais abaixo, para me sentir, para trocar um pouquinho mais de porrada, ver se é isso mesmo. Eu me senti muito bem, mas o Mick Parkin não era um cara de nível muito alto. Ele não tinha o poder de nocaute gigantesco. Se eu ganhar mais uma, duas, três, aí eu vou falar: 'Me dá um top 5 aí, um top 3'", detalha. "Eu quero lutar de novo esse ano. Talvez no último evento do ano aqui em Las Vegas, que é onde eu moro, não preciso viajar e é mais tranquilo. E aí a gente vai ver o que acontece depois da próxima luta. Agora eu estou de boa, não estou com pressa. Eu quero fazer o caminho bem perfeito, porque a pressa é a inimiga da perfeição. Então eu vou devagarzinho, sentindo luta após luta, para ver aonde eu vou me colocando", finaliza..