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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte 'Que cara chato': em 1974, Bremner irritou Rivellino num Brasil x Escócia Walter Casagrande Jr. e UOL Do UOL, em São Paulo 24/06/2026 13h41 Deixe seu comentário Brasil que enfrentou a Iugoslávia na Copa do Mundo de 1974: Nelinho, Leão, Luís Pereira, Marinho Chagas, Marinho Peres, Piazza, (embaixo) Márcio Américo, Valdomiro, Leivinha, Jairzinho, Rivellino, Paulo Cézar Caju e Nocaute Jack Imagem: S&G/PA Images via Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Na noite de hoje, em Miami, o Brasil enfrenta mais uma vez a Escócia em uma Copa do Mundo. De todas as vezes, a única que foi tranquila, apesar de a vitória ter sido de virada, foi em 1982, com aquela seleção histórica, considerada uma das melhores de todos os tempos mesmo sem ter sido campeã da Copa na Espanha. Naquela ocasião, o Brasil goleou por 4 a 1, com golaços de Oscar, Zico, Serginho e aquele fantástico gol por cobertura do meu amigo Éder. A Escócia tinha começado vencendo, com gol de David Narey. Sakamoto Jaques Wagner faz desserviço a Lula Nelson de Sá Chineses também têm sua CazéTV para ver a Copa José Saad Neto IA recria o gol mais bonito de Pelé marcado em 1959 José Fucs Será que Lula sobrevive à onda latina da direita? Em 1990, houve aquele jogo duro e chato que o Brasil venceu com um gol chorado de Müller, que havia entrado no lugar de Romário, convocado por Sebastião Lazzaroni mesmo depois de uma cirurgia e sem condições de jogo — que coincidência com 2026! Já em 1998, a partida também foi bem complicada, mas a seleção venceu por 2 a 1, com gol de César Sampaio e outro, contra, de Tom Boyd. Os escoceses marcaram com John Collins. Mas o jogo de que tenho memória afetiva, por ter sido a minha segunda Copa, foi em 1974, na Alemanha, quando eu tinha 11 anos. Eu vinha de uma emoção jamais sentida antes, de quando o Brasil foi tricampeão do mundo no México, em 1970. Para mim, a seleção brasileira era invencível. Também tinha visto um título menos importante, mas que foi incrível para a época: o da Copa Independência (Mini-Copa), com vitória sobre Portugal por 1 a 0 no Maracanã, gol de Jairzinho. E a única derrota de que eu me lembrava, naquela época, tinha sido em um amistoso de 1973 contra a Itália, por 2 a 0, no Estádio Olímpico de Roma. Um dos gols foi de Fabio Capello — a bola não entrou, após bater no travessão, mas o árbitro validou o gol. Continua após a publicidade Então, estava superempolgado para a Copa de 1974, porque não sabia que a seleção brasileira poderia jogar mal e perder. Tudo começou estranho porque, na estreia, o Brasil empatou por 0 a 0 com a forte seleção da Iugoslávia, sofrendo, tomando sufoco e com o goleiro Leão pegando tudo o que se possa imaginar. Aí veio esse confronto com a Escócia, que não tinha — como não tem até hoje — nenhuma história importante em Copas do Mundo. O Brasil era tricampeão e tinha meu ídolo máximo, Roberto Rivellino, o 'Canhão da Copa de 70'. Também tinha Jairzinho, o 'Furacão da Copa', e, junto com eles, craques incríveis como Paulo César Caju, Leivinha, Marinho Chagas e Edu. Eu estava louco de vontade de sentir aquela sensação incrível de um gol do Brasil em Copa e sair correndo para a rua, como tinha acontecido quatro anos antes. E eu perguntava para o meu pai: — Pai, por que o Zagallo não coloca o César de titular? Continua após a publicidade Meu pai respondia, bravo com a seleção: — Teimosia dele, Waltinho. Mas vamos vencer a Escócia por 3 a 0, com gols de Riva, Jairzinho e Paulo César. Meu pai era corintianíssimo e fã de Riva, assim como eu. Queria gritar gol, mas o jogo começou sendo superfrustrante. Jogo feio, truncado, com o time bem longe de encantar como eu tinha visto em 1970. Não criava nada, não agredia, tudo muito estranho. Continua após a publicidade — Pai, o Pelé não poderia jogar? E o jogo rolando, com meu pai supernervoso, porque ele era apaixonado por futebol e pela seleção brasileira. Seu Walter nasceu em 25 de dezembro de 1934 e viu toda a evolução da seleção brasileira. Presenciou o Maracanazo na derrota por 2 a 1 para o Uruguai, na Copa de 1950. Mas também vibrou com 1958 e 1962, sofreu com a bagunça de 1966 e desfrutou da glória de 1970. E não seria a Escócia que iria nos atrapalhar. Mas estava atrapalhando, e muito. O nosso jogo não encaixava de jeito nenhum, e a Escócia batia e chegava junto. Teve até um atrito entre Rivellino e o camisa 8 escocês, Bremner, que não largava do pé de Riva. Foi mais um 0 a 0 naquela Copa. Agora, o Brasil tinha que ganhar por, no mínimo, de 3 a 0 do Zaire (hoje República Democrática do Congo) para se classificar no saldo de gols em relação à própria Escócia — mas essa é outra história. Continua após a publicidade Que contraste foi para mim, que tinha todas as imagens da Copa de 70 na cabeça — não só dos jogos, mas também da minha família assistindo às partidas unida na sala, além das festas nas ruas—, ver aqueles dois 0 a 0 de 1974. Naquele 18 de junho de 1974, no Waldstadion (Deutsche Bank Park), em Frankfurt, os times jogaram assim: Brasil: Leão, Nelinho, Luís Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Piazza, Paulo César Caju e Rivellino; Valdomiro, Jairzinho e Leivinha Técnico: Zagallo Obs: o Leivinha saiu e entrou Paulo César Carpegiani Escócia: David Harvey, Sandy Jardine, Danny McGrain, James Holton e Martin Buchan; Bill Bremner, David Hay e Kenny Dalglish; Joe Jordan, Peter Lorimer e Willie Morgan Técnico: Willie Ormond 'Que cara chato' Como falei muito dele neste texto, mandei uma mensagem para o meu maior ídolo do futebol, Roberto Rivellino, e perguntei: Continua após a publicidade — Riva, o que você se lembra do jogo contra a Escócia de 1974? E ele respondeu: — Olá, Casão! Lembro-me de que foi um jogo muito duro, porque a Escócia daquela época era muito forte na marcação e levava a partida para a força física, chegando junto. As regras da época favoreciam os marcadores. Não foi um jogo bonito, mas muito pegado. Houve pouquíssimas chances de gol, mas para os dois lados. Aí fiz uma pergunta para matar a minha curiosidade de criança: — E aquele Billy Bremner, o camisa 8 que não largou do seu pé? E ele falou: Continua após a publicidade — Caramba, Casão, aquele baixinho era chato demais. Me marcou homem a homem; onde eu ia, ele estava atrás de mim. Confesso que me irritou. Brasil x Escócia, na Copa de 1974: Billy Bremner e Rivellino Imagem: Arquivo Fui mais fundo: — Riva, me explica essa foto. Ele riu e falou: — Casão, o cara era catimbeiro e malandro da bola. Foi ele que me deu uma leve cabeçada e, quando levantei o braço, ele fingiu que eu tinha lhe dado um soco. Esse cara me irritou. Continua após a publicidade Como é gostoso ouvir histórias dos meus heróis de 1970. O que a seleção deve fazer em campo O Brasil de 2026 não pode entrar nesse jogo físico que a Escócia sempre tenta impor contra equipes melhores tecnicamente. Eles vão chegar junto, se fechar na frente da defesa, tumultuar o meio-campo e tentar enervar a seleção brasileira. A seleção precisa tocar rápido a bola, usar a velocidade, a agilidade e a habilidade de Vinicius Jr. e de Rayan (caso seja o titular) e marcar presença na área. Defensivamente, a preocupação são as jogadas aéreas, que os escoceses ainda usam bastante, como é a escola britânica de futebol. Continua após a publicidade Eles evoluíram pouco tecnicamente; por isso, continuam tentando sempre levar o jogo para o contato físico e jogar a bola na área para ver o que acontece. São especialistas nessa jogada aérea de bola parada, não só para cabecear direto para o gol, mas também para ajeitar para quem vem de trás ou já está na área esperando. Mesmo jogando mal, a seleção brasileira é infinitamente superior tecnicamente. Por isso, o raciocínio rápido, a inteligência futebolística e muita movimentação com toques em progressão serão imprescindíveis para fazer a Escócia correr errado e evitar o corpo a corpo. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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