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Futebol 'Tem que matar um para ver de qual é': fala põe jogador no radar da polícia Vinícius Rangel Colaboração ao UOL, em Vitória (ES) 03/09/2026 14h40 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× David Corrêa, do Vasco, Edson Vander da Silva Júnior, investigado por tráfico, e Hayner, do Vila Nova Imagem: Arquivo pessoal "Tem que matar um para ver de qual é." Essa foi uma das frases que aparecem em conversas analisadas pelos investigadores e que faz parte do conjunto de mensagens que colocou o atacante David Corrêa, do Vasco, no radar da operação A Tropa, que investiga uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e armas no Espírito Santo. A mensagem teria sido enviada em resposta a uma fotografia de uma pistola. Do outro lado da conversa estava Edson Vander da Silva Júnior, amigo de infância de David e apontado pela investigação como traficante. Em entrevista coletiva realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo nesta quinta-feira, o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, afirmou que Edson era uma espécie de empresário de David e também tinha atuação no tráfico de drogas em Serra Dourada 3, na Serra, na região metropolitana de Vitória. A relação entre os dois, porém, começou muito antes da carreira profissional do jogador. David e Edson são amigos desde a infância e cresceram na Serra. Fotografias obtidas pelo UOL mostram os dois juntos em momentos anteriores à investigação. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Agora, a polícia tenta entender se a relação pessoal e financeira entre eles tinha alguma conexão com o esquema criminoso investigado na Operação A Tropa. O UOL entrou em contato com a defesa do David e com o Vasco após as informações apresentadas pela Polícia Civil, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Tentativa de homicídio A investigação começou com uma tentativa de homicídio ocorrida em 15 de março de 2024, na Serra. Segundo o delegado, a vítima foi sequestrada, mas conseguiu escapar do veículo e correu. Na fuga, ele foi atingido por dois tiros e sobreviveu. A investigação identificou Edson como o homem que teria organizado e determinado o ataque. Edson foi preso em agosto de 2024, e seu celular foi apreendido. A partir da extração dos dados do aparelho, os investigadores encontraram conversas relacionadas a drogas, armas, munições, valores e divisão de tarefas. Continua após a publicidade Três diálogos chamaram a atenção da polícia. Em um deles, Edson teria enviado uma fotografia de uma pistola para o David. A resposta, segundo Rodrigo Sandi Mori, foi: "Tem que matar um para ver de qual é." Em outro diálogo com o jogador, Edson repassou informações sobre a vítima da tentativa de homicídio, incluindo a motivação do ataque e o estado de saúde dela. Segundo o delegado, a resposta de David foi: "Mereceu tomar uns tiros mesmo." Há ainda uma terceira conversa relacionada ao carro utilizado na tentativa de homicídio. Três dias depois do crime, um dos investigados pediu que Edson intermediasse a negociação do veículo com David. O carro era um Fiat Argo usado na ação e, segundo os envolvidos, estava "queimado" por ter sido utilizado no crime. O suspeito também pediu dinheiro emprestado para trocar o veículo. Para a Polícia Civil, os diálogos levantaram a suspeita de financiamento do tráfico de drogas em Serra Dourada 3. Empresário de David A relação de Edson com David ganhou atenção especial dos investigadores. "O Edson era agente do investigado, ele controlava toda a vida financeira do investigado à época do crime", explicou o delegado. Continua após a publicidade Mori foi questionado se essa função seria semelhante à de um empresário. "Exatamente, controla a vida financeira, carreira do investigado e era um traficante também." Além disso, o delegado informou que a investigação reuniu provas de que Edson controlava o tráfico de drogas em Serra Dourada 3. "Posso afirmar com absoluta certeza diante das provas que temos nos autos." Amizade desde a infância David não é o único jogador próximo de Edson. Hayner Willian Monjardim, lateral-direito do Vila Nova, emprestado pelo Santos, também cresceu na Serra e conhece Edson desde a infância. Os três aparecem juntos em fotografias antigas obtidas pelo UOL. A relação também foi mencionada pelo próprio Hayner depois da Operação A Tropa. Em nota, o Vila Nova informou que o jogador acreditava que sua amizade de infância com um dos investigados poderia explicar por que acabou sendo incluído entre os alvos da operação. Continua após a publicidade David e Hayner deixaram a Serra para construir carreira no futebol profissional. Segundo fontes ligadas à investigação, Edson teria mantido proximidade com os jogadores mesmo depois da ascensão profissional deles. David também teria ajudado financeiramente antigos amigos da Serra em diferentes momentos. A polícia agora analisa se as transferências bancárias encontradas nos aparelhos estão relacionadas a esse tipo de ajuda ou se existe alguma ligação com as atividades criminosas investigadas. Investigação continua A análise do celular de Edson foi compartilhada com o Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT), que aprofundou a investigação e chegou a novos suspeitos. Segundo o delegado, existem outros diálogos envolvendo os investigados, mas o conteúdo permanece sob sigilo judicial. Continua após a publicidade A investigação resultou na Operação A Tropa, que cumpriu quatro mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão em diferentes estados. David e Hayner foram alvos de buscas em suas residências e nos centros de treinamento dos clubes. Na operação, foram presos quatro homens: Ruan de Freitas Camargo Cruz, Edson Vander da Silva Júnior, Raphael Marim de Lima e Arildo Alves de Oliveira. A Polícia Civil investiga uma organização criminosa com atuação interestadual e suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas e armas. No caso dos jogadores, ainda não há conclusão pública sobre a participação individual de cada um nos crimes investigados. A existência de amizade, mensagens ou transferências financeiras, por si só, não comprova participação indevida em atividades criminosas. A polícia ainda tenta esclarecer o contexto das conversas e a finalidade dos valores movimentados. Continua após a publicidade Outro lado O UOL entrou em contato com a defesa do David e com o Vasco após as informações apresentadas pela Polícia Civil, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Antes da divulgação das mensagens, o Vasco havia informado que colabora com as autoridades. O Vila Nova afirmou que Hayner nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas. A reportagem procurou as defesas dos demais investigados para comentar as novas informações apresentadas pela Polícia Civil. Até o momento da publicação, também não houve retorno. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro' Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump