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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Abel pode ser chato, mas o que ele diz deveria nos fazer pensar Milly Lacombe Colunista do UOL 20/08/2026 15h29 Deixe seu comentário Abel Ferreira, técnico do Palmeiras Imagem: Christian Alvarenga/Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Abel Ferreira disse que o futebol está doente. O treinador palmeirense explicou que sua avaliação se deve ao fato de só darmos valor a quem ganha: "Se não ganha, não presta", disse. Em seguida, responsabilizou todos os atores do jogo pela doença: dirigentes, treinadores, torcedores, jogadores. Abel tem razão, mas só conseguiremos entender a doença e seus sintomas se olharmos para a causa. Vivemos dentro de uma sociedade a cada dia mais treinada para escolher alguém para odiar. A doutrinação do ódio é importante porque atua na preservação dos mesmos de sempre em situação de poder. Ganhar é a única saída; qualquer outra alternativa dará a você o rótulo de perdedor. Ou de " loser ", nos termos técnicos internacionalizados pelo capitalismo. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo É de fundamental importância que nos dividamos aqui nesse chão de fábrica da vida para que o poder se mantenha intacto. Sem divisão, reinar fica mais difícil. Vejam o debate dessa semana, que é exemplar: Mulheres trans e o esporte de alto rendimento. Temos uma atleta profissional que é uma pessoa trans, uma entre milhares de atletas profissionais, e estamos nos digladiando para debater com todo o ódio do mundo o tema "mulheres trans no esporte". Trata-se de um debate que só importa aos gestores de sempre. Enquanto nos estapeamos pelo certo e pelo errado sem que haja base científica sólida sobre a qual nos debruçarmos - e, portanto, o debate se dá no terreno da moralidade, onde todos se afogam - os mesmos de sempre reinam em paz e soberanos acumulando suas riquezas. Esse é um sistema econômico erguido sobre a racialização de corpos, sobre o trabalho invisível executado por mulheres dentro dos lares, sobre a precarização de vidas consideradas supérfluas. Não haveria acumulo de riqueza se não fosse essa divisão. A ideia de que só é importante quem vence alimenta esse sistema. Não olhamos mais para um jogo bem jogado, para um jogo disputado com o coração, para a beleza que o jogo oferece mesmo dentro de algumas derrotas. Só o placar importa. Continua após a publicidade O trabalho de Abel é exemplar no Palmeiras. Há dias bons, dias ruins. Há anos melhores e outros piores. Mas seria preciso compreender que ele está deixando um legado inédito: ensinando o palmeirense e a palmeirense a torcer. O time segue se popularizando, o elenco é o mais unido do Brasil, a torcida está mudando seu comportamento bem diante de nossos olhos, o Palmeiras disputa tudo da forma mais competitiva há seis anos. Não basta? Não. Não basta. Precisamos rotularmo-nos como vencedores e perdedores de formas definitivas a cada nova rodada. Entregues a análises sempre muito numéricas, cheias de métricas, que só valem para aquele momento porque, como diz meu amigo Marcelo Mendez, os números dançam. Os números sempre dançam. Deixamos de escutar a música do jogo para nos fixarmos em sua ilusória e tediosa métrica. Estamos todos doentes e dentro de uma sociedade colapsada só ganha quem vende o remédio. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro' Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Cleitinho diz se arrepender de foto com Virginia na CPI: 'Não era momento' TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio