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Olha o estilo! Confere só como foi o desembarque da seleção de Congo Em sua segunda participação na Copa do Mundo, a República Democrática do Congo vai estrear nesta quarta-feira, às 14h (de Brasília), contra Portugal, em Houston, nos Estados Unidos. A seleção já havia disputado o Mundial em 1974, mas com outro nome: na época, os jogadores do Zaire foram eliminados na primeira fase depois de uma ameaça de morte antes de jogo contra o Brasil. + O dia em que atletas da RD Congo foram ameaçados de morte pelo governo antes de jogo com o Brasil A classificação para a Copa do Mundo contou com vitórias importantes contra seleções tradicionais. O time do técnico francês Sébastien Desabre bateu Camarões, nos acréscimos, e Nigéria, nos pênaltis, na repescagem africana; e Jamaica, na prorrogação, na repescagem mundial. O país faz parte do Grupo K, que, além de Portugal, também conta com Colômbia e Uzbequistão. + Veja a tabela da Copa do Mundo 1 de 4
Delegação da RD Congo na chegada aos EUA para a Copa de 2026 — Foto: Troy Taormina/Reuters Delegação da RD Congo na chegada aos EUA para a Copa de 2026 — Foto: Troy Taormina/Reuters Cinco nomes Além de Zaire e República Democrática do Congo (duas vezes), o país já foi chamado de Estado Livre do Congo, Congo Belga e República do Congo. O capítulo mais chocante talvez seja o do Estado Livre do Congo (1885-1908). Inicialmente, o território virou propriedade pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica, e foi vítima de atrocidades cometidas durante a exploração de borracha, marfim e minerais. + Guia da Copa do Mundo 2026 No Congo de Leopoldo, o ato de decepar a mão ou o braço dos nativos era comum quando eles não conseguiam cumprir suas cotas de extração do látex para a produção da borracha. Outros castigos físicos e torturas eram aplicados regularmente por uma milícia financiada pelo rei. Ele usou parte dos recursos para modernizar Bruxelas, o que o fez ser conhecido na Bélgica como “O Construtor”. Estimativas históricas apontam milhões de mortes durante esse período e, após pressão da Europa, o Parlamento Belga tomou o território do próprio rei e o transformou no Congo Belga (1908-1960). Embora os abusos mais extremos tenham diminuído, o domínio colonial continuou a exercer forte controle sobre a população e a economia, visando a extração de recursos minerais valiosos. O Congo conseguiu a independência em 30 de junho de 1960, virando a República do Congo (1960-1964). 2 de 4
Torcedores da RD Congo recepcionaram a seleção em Houston — Foto: Reuters/Maria Lysaker Torcedores da RD Congo recepcionaram a seleção em Houston — Foto: Reuters/Maria Lysaker O problema é que, poucas semanas depois, a ex-colônia francesa vizinha também se tornou independente e adotou exatamente o mesmo nome: República do Congo. Em 1964, para diferenciar os dois países, o governo mudou o nome para República Democrática do Congo (1964-1971). Em 1971, o ditador Mobutu Sese Seko lançou uma política chamada "Authenticité", que buscava eliminar símbolos considerados coloniais. O nome Congo foi abandonado e o país passou a se chamar República do Zaire (1971-1997), nome com o qual disputou a Copa do Mundo de 1974. Nessa época, cidades, bandeira e até nomes pessoais foram alterados. Em 1997, o ditador Mobutu foi derrubado, e uma das primeiras decisões do novo governo foi abandonar o nome Zaire e restaurar o nome República Democrática do Congo (1997-hoje). Ameaça de morte na Copa de 1974 Os gols de Brasil 3 x 0 Zaire pela Copa do Mundo de 1974 Em sua única participação na Copa do Mundo até aqui, a seleção perdeu os três jogos, sofreu 14 gols e foi eliminada na fase de grupos. Antes da rodada final, contra o Brasil, os jogadores foram ameaçados de morte pelo ditador Mobutu. Depois de derrotas para Escócia (2 a 0) e Iugoslávia (9 a 0), Mobutu se enfureceu por ver sua imagem internacional ser manchada. Após a goleada na segunda rodada, o ditador enviou guardas presidenciais para ameaçar os jogadores do Zaire: se perdessem por quatro ou mais gols de diferença para o Brasil, não teriam permissão para voltar para casa vivos, ou enfrentariam punições severas, incluindo prisão e execução de familiares . A seleção brasileira precisava vencer por uma boa margem para se classificar e pressionava constantemente. Aos 33 minutos do segundo tempo, o placar já estava 3 a 0 para os brasileiros, restando apenas um gol para decretar a "sentença de morte" dos atletas do Zaire. 3 de 4
Seleção do Zaire no jogo contra o Brasil, na Copa do Mundo de 1974 — Foto: Werner OTTO/ullstein bild via Getty Images Seleção do Zaire no jogo contra o Brasil, na Copa do Mundo de 1974 — Foto: Werner OTTO/ullstein bild via Getty Images Nessa altura do jogo, foi marcada uma falta perigosa para o Brasil e, enquanto Rivellino se preparava para cobrar, o zagueiro Mwepu Ilunga correu para fora da barreira e isolou a bola antes da cobrança. Durante décadas, a imprensa e o público internacional zombaram desse lance, como se Ilunga tivesse feito por desconhecer as regras. Anos depois, o zagueiro e historiadores revelaram o verdadeiro motivo por trás do lance. Ilunga, que faleceu em 2015, estava ganhando tempo, temendo que o Brasil marcasse outro gol. As estrelas de 2026 A seleção da República Democrática do Congo não tem o mesmo nível de estrelas de outros países da África, mas conta com vários jogadores conhecidos das principais ligas europeias. Muitos deles nasceram ou cresceram na França, Bélgica e Inglaterra. O nome mais conhecido atualmente é Yoane Wissa , atacante do Newcastle, da Inglaterra. O congolês viveu a melhor fase no Brentford em 2024/2025, com 20 gols e quatro assistências em 39 jogos. É um jogador rápido, agressivo e costuma atuar aberto ou como segundo atacante. 4 de 4
Yoane Wissa é um dos destaques da República Democrática do Congo — Foto: Nicolas Economou/Reuters Yoane Wissa é um dos destaques da República Democrática do Congo — Foto: Nicolas Economou/Reuters Outro nome de destaque é Cédric Bakambu , que durante anos foi o rosto da seleção. Jogou por clubes como Villarreal (Espanha), Olympique de Marseille (França), Olympiacos (Grécia) e Galatasaray (Turquia). Em 2018, o Beijing Guoan (China) pagou 40 milhões de euros para contratá-lo. Aos 35 anos, o centroavante defende o espanhol Real Betis e marcou quatro gols em 25 partidas na temporada passada. Embora ainda não seja uma estrela consolidada, Ngal'ayel Mukau é um dos jogadores para ficar de olho na nova geração da RD Congo. O meia de 21 anos é atleta do Lille (França) e passou pelas seleções de base da Bélgica antes de optar pela seleção africana. Recentemente, ele despertou interesse do Barcelona, e a Copa do Mundo pode servir de vitrine para o jogador.