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Rogério projeta futuro após recuperação de lesão no joelho Quem saiu de Nobres, no interior do Mato Grosso, aos 11 anos para virar jogador de futebol aprendeu cedo a conviver com desafios. Rogério superou lesões no joelho direito que o afastaram dos gramados nos últimos dois anos. Em fase final de recuperação, o lateral revelado pelo Inter e negociado ainda jovem para a Juventus se prepara para retornar ao Wolfsburg. O jogador de 28 anos encara uma rotina de treinos em dois turnos em uma academia na zona leste de Porto Alegre. Salta, levanta pesos e, em alguns dias, encaixa uma sessão de esteira ou bicicleta à noite. Tudo para se condicionar e ser reintegrado na Alemanha, para onde voltou no domingo. – (Quero) Voltar melhor do que antes. Sonho em jogar as últimas partidas e depois nas férias fazer a pré-temporada da pré-temporada. A preparação nunca para. Rogério conta como foi a lesão no joelho e compartilha o andamento da recuperação A saudade dos gramados o faz valorizar cada passo do processo. Rogério costuma rever os jogos para avaliar o desempenho e recordar o que já construiu. A alegria ao falar sobre o sacrifício e a luta pelo retorno transforma a experiência em ensinamento. – Você aprende a valorizar as pequenas coisas, um passe, um cruzamento. Quando volta de uma lesão séria, enxerga o valor de cada momento, treinamento, partida. Tento passar para os meus amigos. Reclamamos, mas passamos por muitas situações difíceis – afirma. Lesão em amistoso, novo retrocesso O discurso que carrega vem acompanhado de memórias que revive com riqueza de detalhes. Até as dolorosas. A lesão mais recente ocorreu após um ano parado. Era 9 de agosto de 2025. O Wolfsburg disputava um amistoso de pré-temporada contra o Brighton, da Inglaterra. Guilherme Bergamo detalha o tratamento da lesão de Rogério Rogério entrou no gramado aos 25 minutos do segundo tempo. Precisou de 11 minutos para marcar. Não impediu a derrota por 2 a 1, mas parecia um indício do fim do drama. Não foi bem assim. No momento que senti a dor, sabia que não era normal. Aquilo me entristeceu. As pessoas me ligaram depois do jogo para parabenizar pelo gol, mas dentro de mim sabia que não estava 100%. — Rogério, lateral do Wolfsburg – Segurei um pouco para dizer que estava sentindo um desconforto. Momentos difíceis infelizmente ocorrem. Faz parte do futebol. Você precisa enfrentar da melhor forma. Não é fácil, ainda mais após um longo tempo parado e logo ter outra – lamenta. Dois anos sem jogar oficialmente Houve a tentativa de um tratamento conservador, apenas com fisioterapia. Porém, acabou definida a necessidade de novo procedimento. Outro retrocesso. Rogério conta como foi o começo no Inter e chegada na Juventus O último jogo oficial ocorreu no longínquo 16 de março de 2024, quando participou de quatro minutos na derrota por 3 a 1 para o Augsburg. Desde então, foram apenas sessões de recuperação e um breve retorno no amistoso que acarretou a nova lesão. Pelo Wolfsburg, soma 15 partidas oficiais. Para efeitos de comparação, na última temporada pelo Sassuolo (2022/23), esteve presente em 37 das 39 disputadas. – Foram dois anos difíceis. Tive uma cirurgia no menisco, algo simples. Suturou, mas não ficou 100%. Depois da meniscectomia que melhorou o joelho. Teve um problema na cartilagem e fiz o enxerto – explica. Imagens do lateral Rogério em trabalho de recuperação da lesão no joelho Apoio do Wolfsburg Para superar o momento, Rogério contou com o respaldo do clube alemão. Recebeu a autorização para realizar a cirurgia e parte da recuperação no Brasil, onde poderia ficar próximo da família. Manteve a disciplina e seguiu o cronograma planejado. Os alemães receberam relatórios periódicos sobre a evolução. O fisioterapeuta Guilherme Bergamo atualizava cada etapa. O diálogo se repetirá agora in loco. O lateral terá uma conversa com os membros do departamento médico e comissão técnica para a parte derradeira do processo. A expectativa é voltar a trabalhar em campo, desde que o joelho responda como esperado. 1 de 4
Rogério se machucou novamente em outubro — Foto: Ayslan Roy Rogério se machucou novamente em outubro — Foto: Ayslan Roy Futuro O recomeço é a meta imediata. Trabalha para atuar ainda nesta temporada. O que servirá como combustível para a próxima. Será quando cumprirá o último ano pelo Wolfsburg. E pretende realizá-lo. Sem lesões, procura mostrar em campo que está clinicamente pronto antes de definir se renova ou busca outros caminhos. Rogério revela que recebeu consultas de clubes brasileiros. O Inter esteve entre os times que pediu informações. – O telefone toca de todas as partes. Principalmente do Brasil, mas estou focado em melhorar, ficar disponível e ajudar o Wolfsburg – diz. 2 de 4
Rogério espera voltar a atuar ainda nesta temporada — Foto: Ayslan Roy Rogério espera voltar a atuar ainda nesta temporada — Foto: Ayslan Roy O início no Inter A observação atual do Inter mostra que o lateral deixou as portas abertas no clube. Há 10 anos, a então promessa da base foi vendida para a Juventus por 1,5 milhão de euros (R$ 6,5 milhões à época). Detalhe: sem nem sequer integrar o grupo principal. Descoberto no projeto Genoma Colorado, no Mato Grosso, o lateral virou uma joia do clube, se destacou e passou por seleções de base. O desempenho no Mundial Sub-17 do Chile despertou o interesse de gigantes europeus. – Eu voltei do Mundial e esperava uma oportunidade no Inter. Chegou sondagem do Real Madrid, propostas do Liverpool e Juventus. A Juventus me queria muito. Veio para Porto Alegre – diz. Foi inacreditável. Em uma semana treinava em Alvorada. Na outra, estava com Buffon, Dybala e Chiellini. — Rogério, lateral do Wolfsburg 3 de 4
Rogério se recupera de cirurgia no joelho direito — Foto: Ayslan Roy Rogério se recupera de cirurgia no joelho direito — Foto: Ayslan Roy Os aprendizados na Juventus A experiência na Vecchia Signora o enche de orgulho. Sem falar italiano, o então menino de 18 anos foi recepcionado por Dybala. – "Ciao, Rogerio! Piacere, Dybala!" Caramba! O cara me conhece – relembra empolgado. O carinho do astro argentino era compartilhado pelos outros companheiros do vestiário. Procurou absorver as lições que Buffon, Chiellini e companhia o passavam. Mesmo as cobranças, que serviram para amadurecimento. Nos treinos, me sentia o melhor lateral do mundo. O Buffon me elogiava quando eu acertava a marcação. Era maravilhoso. Pude compor a linha de quatro com Chiellini e Barzagli. Uma experiência extraordinária. — Rogério, lateral do Wolfsburg – O Chiellini sempre pegava no meu pé para ficar na linha certinho. Cobrava muito de mim. Foi muito bom para a minha evolução. Me completou como lateral-esquerdo. Hoje me sinto à vontade para jogar com linha de três e de quatro – relembra. 4 de 4
Rogério fez parte da recuperação em Porto Alegre — Foto: Ayslan Roy Rogério fez parte da recuperação em Porto Alegre — Foto: Ayslan Roy Volta ao Brasil? Obstinado em vestir a camisa do clube alemão, Rogério já traçou que pretende atuar até os 35 anos. Neste período, pretende jogar ainda na Europa e depois voltar ao Brasil. Nunca joguei no Brasil profissionalmente. Não perdia um jogo pela TV quando era criança. Se eu não viver esse momento no Brasil, minha carreira estará incompleta. — Rogério, lateral do Wolfsburg O caminho, porém, começa pela retomada no Wolfsburg. E Rogério acredita que está próximo de reencontrar o próprio futebol. Aquele do jovem promissor que ganhou a Europa, agora mais maduro e resiliente.