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Fortalezas: Dito Moura e Ana "Martinha", a história de futebol nas areias Como amor de mãe, Fortaleza abraça a todos sem distinguir personalidades, credos e gostos em seus 300 anos. Na grande colcha de retalhos que cruza a cidade, a Praia de Iracema é o local que entrelaça as vidas do ex-jogador de futebol de areia e, hoje, professor Dito Moura, com a da atleta prodígio Ana Kézia, conhecida como "Martinha", que tem 14 anos. Em meio às areias e campos da capital cearense, o ge conta as histórias dos dois personagens em mais um episódio do “Fortalezas de Todos”. Ana Kézia tem um futebol de gente grande, mesmo com apenas 14 anos. Durante um treino nas areias da Praia dos Crushs, em Fortaleza, veio o apelido que carrega nos jogos: Martinha. A referência e semelhança à maior atleta da história do futebol feminino, Marta, vai muito além do aspecto físico, passa pelo drible, chute e a qualidade diferenciada com a bola. - Tinha um projeto no bairro onde eu morava antes, eu via os meninos jogando e pedi para participar. Eu mudei para cá (Praia de Iracema), não tinha nenhum campo nem nada, era só areia. Aqui eu conheci o Dito, comecei a treinar e estou até hoje. Eu estava treinando aqui e no futsal pela Juventus - conta Ana. 1 de 6
Ana Kezia, conhecida como Martinha, é destaque no futebol cearense — Foto: Samuel Conrado/SVM Ana Kezia, conhecida como Martinha, é destaque no futebol cearense — Foto: Samuel Conrado/SVM Da Seleção para o projeto social A história da fortalezense Ana Kezia cruzou, a partir dos seus seis anos, com Expedito Moura, que exclui a formalidade do nome mais longo e é conhecido mais no esporte por "Dito". Natural de Granja, litoral norte do Ceará, o ex-jogador de futebol de areia "abraça" crianças e adolescentes na capital cearense há mais de 23 anos com projeto social nas areias da Praia de Iracema. As lições do professor Dito vão muito além de ensinar a bater na bola e trocar passes. Ex-atleta da seleção brasileira de futebol de areia, que adotou Fortaleza como casa desde 1993, aos 17 anos de idade, o cearense divide e até mistura sua vida pessoal com o papel de educador social e mentor dos jovens. Como gosta de afirmar, ele é um incentivador de sonhos. Eu já estou envolvido com o trabalho social há 23 anos aqui na Praia de Iracema. A gente trabalha, tem essa demanda importante com as crianças por meio da ferramenta que é o Beach Soccer. Isso foi o que ajudou no meu desenvolvimento, a me tornar uma pessoa melhor, estudar, e fazer algo que pudesse ser melhor também para as crianças, que elas pudessem também acreditar nos seus sonhos. Eu falo que eu gosto de despertar sonhos. — Dito Moura, ex-jogador da seleção brasileira de futebol de areia e professor 2 de 6
Dito Moura foi campeão da Copa Latina com a seleção brasileira de futebol de areia, em Fortaleza, no ano de 2005 — Foto: Gildo Ferro Dito Moura foi campeão da Copa Latina com a seleção brasileira de futebol de areia, em Fortaleza, no ano de 2005 — Foto: Gildo Ferro O professor cearense já defendeu as cores da seleção de areia ao lado de Benjamim, Mão, Jorginho, Buru, André Bigode, além de Júnior Negão e Maestro Júnior. A experiência adquirida com o Brasil estimulou Dito a devolver tudo que o futebol tinha lhe oferecido, seja como professor, psicólogo ou educador. Assim, Dito Moura recebe crianças a partir dos seis anos de idade em seu projeto social. Foi o caso de Martinha, que já tem oito anos de acompanhamento do professor e da família. A própria atleta é quem conta a importância do treinador na sua vida. - Mudei para cá para morar com minha avó e minha mãe. Como elas trabalhavam aqui na praia há 10 anos, vim treinar futebol de areia com o Dito. Ele ajuda muito, dá dicas, é um segundo pai para a gente, tanto dentro, quanto fora de campo. 3 de 6
Dito Moura e Martinha no projeto social da praia de Iracema — Foto: Samuel Conrado/SVM Dito Moura e Martinha no projeto social da praia de Iracema — Foto: Samuel Conrado/SVM Rumo à Europa A ação social que tem o professor Dito à frente participa do "Atleta Cidadão", projeto da prefeitura de Fortaleza que incentiva projetos sociais. De acordo com a Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), mais de 9.400 crianças são acompanhadas em nove modalidades esportivas. O professor Dito conta, com os olhos cheios de felicidade, que mais de 15 crianças do projeto conseguiram graduação em diversas áreas, como Fisioterapia e Educação Física. Mais do que atletas, a missão é formar cidadãos. O mesmo acompanhamento acontece com Martinha, que vai realizar sua primeira viagem para Espanha em junho. - Ela nasceu realmente para jogar futebol, que futebol é coisa para mulher também. Não é só para homem. Futebol é para quem sabe jogar, para quem gosta de jogar e ela está no caminho certo. A atleta participou de um amistoso do time comandado por Dito contra uma equipe da Noruega, no período que acontecia o Cearense de Beach Soccer. Chamada para a seletiva, Martinha passou e hoje vive expectativa da viagem para a Europa, onde vai treinar com meninas na Espanha. 4 de 6
Ana Kezia (Martinha) e Dito Moura em dia de treino na praia de Iracema — Foto: Samuel Conrado/SVM Ana Kezia (Martinha) e Dito Moura em dia de treino na praia de Iracema — Foto: Samuel Conrado/SVM Base do Ceará O destaque junto aos olheiros da Noruega não foi por acaso. Martinha defendeu as cores do time sub-15 do Ceará em 2025. Ela fez parte do elenco que conquistou o Campeonato Cearense da categoria, sendo um dos destaques da equipe. O fim da modalidade na base alvinegra impossibilitou a continuidade da jogadora em Porangabuçu. - Eu fui fazer o teste, passei, comecei a treinar e fiquei cinco meses. A gente viajou pro Rio Grande do Sul para jogar o campeonato da CBF de Desenvolvimento Sub-14/15. Jogamos o Cearense Sub-15, só que depois acabou a base e ficou só com o profissional. Aí eu fiquei treinando pela Juventus e pela Fut Soccer. 5 de 6
Ana Kezia, conhecida como "Martinha" pelo sub-15 do Ceará — Foto: Gabriel Silva/Ceará SC Ana Kezia, conhecida como "Martinha" pelo sub-15 do Ceará — Foto: Gabriel Silva/Ceará SC Até a viagem para a Espanha, Martinha divide sua rotina entre escola e os treinos nos gramados e areias. Com experiência na seleção brasileira de futebol de areia nos anos 2000, Dito alimenta os sonhos dos alunos do projeto e acredita que a jovem irá vestir a amarelinha um dia. A Martinha é um diamante que está sendo lapidado aos poucos. Ela tem um brilho natural e, assim, igual a ela, nós temos outras crianças no projeto. A Martinha veio para cá com seis anos de idade, quando chegou o nome dela era Ana Kezia, aí deram o apelido de "mini Martinha". Por que? Por ter uma técnica muito apurada, tem uma característica parecida com a da Marta. Ela treina comigo basicamente três vezes por semana ou até mais. Eu ainda vou ver a Martinha na seleção brasileira, eu tenho plena certeza disso. — Dito Moura, que é formado em Educação Física e em Psicologia do esporte Copa Guerreiras do Sol Uma das conquistas recentes da dupla foi a Copa Guerreiras do Sol, realizada pela Secretaria de Prefeitura de Fortaleza. Na grande final, sob comando de Dito Moura e com Martinha na equipe, o núcleo Praia de Iracema venceu o núcleo Praça Dom Bosco por 6 a 0. A competição tinha objetivo de dar visibilidade e promover o protagonismo feminino. - Foi um evento muito bom e legal de se jogar. Espero que tenha mais campeonatos assim, que é para incentivar as meninas também a jogar futebol. A faixa de idade era de 20 e 25 anos, eu era a mais nova, com 14. Ana Kezia, a "mini Martinha", carrega o sonho de vestir a camisa do Brasil no futebol, enquanto Dito segue com a sina de ser um "soldado da paz", como descreve a letra de Herbert Vianna. A capital cearense abraça a todos nesses 300 anos de história, cada um com seu relato e contribuição no desenvolvimento da cidade. 6 de 6
Time da Praia de Iracema foi o campeão da Copa Guerreiras do Sol — Foto: Rafaela Santos Time da Praia de Iracema foi o campeão da Copa Guerreiras do Sol — Foto: Rafaela Santos