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Raphael Bózeo mostra curiosidades de Cabo Verde, país que disputará a Copa 2026 A participação inédita de Cabo Verde na Copa do Mundo 2026 - independentemente da campanha que irá construir na competição - coloca a seleção como candidata ao posto de mais carismática do evento. A nação africana - um arquipélago formado por dez ilhas - é pouco conhecido pelos torcedores, habituados a verem seleções mais tarimbadas em Mundiais e, portanto, a reportagem do ge , que está in loco na capital de Cabo Verde, Praia, preparou um Top 10 de curiosidades do país. + Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos + Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google + Confira a tabela completa da Copa do Mundo 2026 + Simulador da Copa: projete os resultados do Mundial Vale lembrar que a seleção de Cabo Verde está no Grupo H da Copa do Mundo, que conta com 46 equipes classificadas para a edição sediada pela trinca Estados Unidos, México e Canadá. O time africano estreia no torneio contra a Espanha, nesta segunda-feira (15), às 13h (de Brasília) e, em seguida, encara Uruguai e Arábia Saudita, dias 21 e 26, respectivamente. Seleção de Cabo Verde é recebida por "torcida" de funcionários na chegada em Boston Confira abaixo: 1 - Dez ilhas e a diáspora Cabo Verde é um arquipélago africano formado, oficialmente, por 10 ilhas - nove habitadas - espalhadas pelo Oceano Atlântico. O país fica a mais de 450km da costa do continente. A capital, Praia, está localizada na ilha de Santiago, a maior do arquipélago. O cristianismo é a religião predominante. 1 de 7
Vista aérea de Sal Rei, em Cabo Verde — Foto: Getty Images Vista aérea de Sal Rei, em Cabo Verde — Foto: Getty Images A curiosidade mais reveladora de todas é que estima-se que existam mais cabo-verdianos espalhados pelo mundo do que vivendo no próprio país. Essa imensa comunidade espalhada por Portugal, Holanda, França, Estados Unidos e tantos outros países ganhou um nome poético de "11ª ilha". É a nação que vive longe da terra natal mas nunca se desconecta dela. E é aqui que a história encontra o futebol, já que boa parte da Seleção que vai à Copa é formada por filhos da diáspora, jogadores nascidos fora de Cabo Verde, criados em outros países, mas que escolheram defender a terra dos pais. 2 - O idioma que une (e divide) as ilhas O português é a língua oficial de Cabo Verde. É a que aparece nos documentos, nas leis, nos jornais. Mas na vida real, nas ruas, nas casas, nas conversas entre amigos, o que você ouve é o crioulo cabo-verdiano. É a língua materna, o idioma do coração. Nas escolas, as aulas são ministradas em português, no intervalo só se fala em crioulo. E tem uma peculiaridade fascinante: cada ilha tem a sua própria forma de falar o crioulo, com sotaque, vocabulário e expressões próprias, parecido com as diferenças que o Brasil tem em cada região. 2 de 7
Cabo Verde: arquipélago visto de um satélite — Foto: Getty Images Cabo Verde: arquipélago visto de um satélite — Foto: Getty Images Há uma lógica geográfica que o brasileiro precisa entender antes de planejar qualquer coisa: ir de uma ilha a outra não é como pegar um ônibus. Os voos entre ilhas existem, mas nem sempre têm frequência diária. Os barcos, a alternativa mais popular, dependem do mar, do vento e da escala. Não é raro uma pessoa sair de sua ilha para visitar outra e só conseguir voltar dois ou três dias depois. Essa é uma das dificuldades de se fazer um Campeonato Nacional durante todo o ano. 3 - Times brasileiros e portugueses A relação com Portugal (foi colônia até 1975) é estreita no futebol. A população de Cabo Verde costuma torcer por times da "terrinha". O Benfica é o preferido dos cabo-verdianos, seguido por Sporting e Porto. Há, ainda, times inspirados no Brasil, como Botafogo, Cruzeiro Calheta do Maio, Sport Clube Corinthians de São Vicente, Grupo Desportivo Palmeira e Associação Sport Club Figueirense. 3 de 7
Cruzeiro Calheta de Maio é uma equipe de Cabo Verde — Foto: Reprodução Redes Sociais Cruzeiro Calheta de Maio é uma equipe de Cabo Verde — Foto: Reprodução Redes Sociais 4 - Vulcão em atividade O Pico do Fogo é o único vulcão em atividade em Cabo Verde. Em 2014, a erupção provocou prejuízos aos moradores, entretanto, houve quem aproveitasse os vestígios do evento para atrair turistas. Uma casa preservou a lava vulcânica solidificada que invadiu a sala do local, se tornando um excêntrico ponto turístico. 4 de 7
Vulcão deixou marcas após a erupção em 2014 — Foto: reprodução/YouTube Vulcão deixou marcas após a erupção em 2014 — Foto: reprodução/YouTube 5 - Culinária de respeito O símbolo da culinária cabo-verdiana é a catchupa. Um cozido encorpado feito de milho, feijão e carne, podendo levar também legumes, verduras ou peixe, dependendo da ilha e da família. É o prato do dia a dia, da família reunida, da festa e do cotidiano. Come-se no almoço, no jantar e, sim, no café da manhã também. - Sempre tivemos a tradição de fazer uma catchupa. Faz parte da nossa identidade, e haverá um ou dois dias em que faremos um "banquete de catchupa". Todos nós gostamos, faz parte da nossa identidade. O prato sempre foi servido em toda as competições que participamos - declarou Pedro Brito "Bubista", treinador da seleção, em entrevista ao jornal espanhol "Marca". 5 de 7
Catchupa: prato típico do cotidiano de Cabo Verde — Foto: Raphael Bózeo Catchupa: prato típico do cotidiano de Cabo Verde — Foto: Raphael Bózeo + Fiel escudeiro de Jorge Jesus no Flamengo é o pai da revolução no futebol de Cabo Verde + Efeito borboleta na Copa: a relação aleatória entre Renato Gaúcho e Vozinha, goleiro de Cabo Verde + Presidente cabo-verdiano escolhe figurinha de Raphinha e brinca: "Brasil é um Cabo Verde grande" + Cabo Verde, a seleção esquecida do resto do mundo que terá só duelos inéditos 6 - "Cuidado, Tubarão vai te pegar" A seleção de Cabo Verde é apelidada de "Tubarões Azuis". A alcunha, no entanto, se estende a outros esportes coletivos, como o handebol. O país, em estado de euforia pela classificação inédita para a Copa do Mundo, viveu outro momento de glória dois anos atrás. Em Paris 2024, o boxeador David de Pina faturou a primeira medalha olímpica do país, um bronze na categoria até 51kg. 6 de 7
"Tubarões Azuis" é o apelido da seleção de Cabo Verde — Foto: Reuters "Tubarões Azuis" é o apelido da seleção de Cabo Verde — Foto: Reuters 7 - De Dudu Nobre a Ivete Sangalo A música brasileira é apreciada pelo povo de Cabo Verde, que escuta música baiana, samba e MPB, por exemplo. E dois famosos cantores do Brasil também têm cidadania cabo-verdiana: Dudu Nobre e Seu Jorge. O cantor e ator, inclusive, já se apresentou no país africano, assim como Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo e Martinho da Vila. Na próxima semana, Alcione desembarca em Praia e São Vicente onde fará dois shows. 8 - Verde até na bandeira? A bandeira de Cabo Verde é predominantemente da cor expressa no nome do país, certo? Errado. O verde sequer aparece no estandarte oficial. O azul dominante representa o céu e o mar, as dez estrelas amarelas caracterizam as ilhas em cículo, em sinal de união. As faixas expressam a construção do país - a branca sendo a paz desejada pelas pessoas, e a vermelha o esforço do povo. 7 de 7
Azul é a cor predominante na bandeira de Cabo Verde — Foto: Reuters Azul é a cor predominante na bandeira de Cabo Verde — Foto: Reuters Vale citar que, de 1975 a 1991, a bandeira oficial contava com a cor verde. Entretanto, o Movimento para a Democracia derrotou o partido no poder nas eleições livres, rompeu com o antigo símbolo e adotou um novo pavilhão com cores diferentes da antiga, oficializado em setembro de 1992. 9 - Sodade e morabeza: palavras explicam a alma de Cabo Verde Existem duas palavras em crioulo que não há tradução e que explicam a essência do povo cabo-verdiano. A primeira é sodade. Não é a "saudade" conhecida no Brasil, é algo mais profundo e que traduz a dor de quem parte, a esperança de quem espera voltar, o amor à distância de um povo marcado pela emigração. A canção mais emblemática sobre esse sentimento é "Sodade", levada ao mundo pela voz de Cesária Évora. A segunda é morabeza, é o oposto da despedida. É o acolhimento, a gentileza, a hospitalidade genuína de quem transforma um estranho em vizinho em questão de minutos. Se a sodade é o que o cabo-verdiano sente quando precisa partir, a morabeza é como ele recebe quem chega. 10 - O país que sabe festejar A maior festa popular de Cabo Verde - a exemplo do que acontece no Brasil - é o Carnaval do Mindelo, na Ilha de São Vicente, um evento centenário. A Rua de Lisboa, a principal da cidade, promove os coloridos desfiles, com direito a fantasias e carros alegóricos. A folia é realizada anualmente, em fevereiro ou março. Cabo Verde é um país que sabe festejar. Alguns dos estilos musicais tradicionais são a Morna (calma e melancólica), o Funaná (dançante e contagiante), o Batuku (uma das expressões mais antigas e ancestrais, percussivo e profundamente comunitário, tocado e dançado por mulheres) e a Coladeira (ritmo mais leve, alegre e irônico, perfeito para a festa). Cada estilo carrega uma ilha, um tempo e uma história diferentes.