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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Mano Menezes sem filtro: Qualquer técnico ganha no Flamengo ou no Palmeiras Julio Gomes Colunista do UOL, na Cidade do México 09/06/2026 05h30 Deixe seu comentário Mano Menezes, técnico do Peru, antes de amistoso contra a Espanha Imagem: REUTERS/Eloisa Sanchez Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Mano Menezes está leve. O gaúcho com cara de bravo e que nunca foi exatamente um cara sereno e tranquilo na lateral dos campos brasileiros vive um momento diferente da carreira. Aos 64 anos (que serão completados na quinta-feira), aceitou o desafio de reconstruir a seleção do Peru e levá-la para a Copa do Mundo de 2030. Jogar a Copa que não lhe deixaram jogar. Após a negativa de Muricy, então a bola da vez, Mano assumiu a seleção brasileira depois do Mundial de 2010. Foi o primeiro a convocar Neymar. Não estava sendo um ciclo fácil, mas o que pesou para a queda não foram resultados e, sim, a troca no comando da Confederação - saía de cena Ricardo Teixeira, entrava José Maria Marín. "Todo técnico fica frustrado quando não consegue concluir um trabalho", conta Mano em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. "O mais frustrante é que havíamos passado algumas etapas e o estávamos chegando perto de encontrar o equilíbrio para aquele time". O time, como sabemos, caiu nas mãos da dupla Scolari-Parreira. Logicamente, ocorreram modificações. E o fim foi trágico. A possível maior vergonha não só do futebol brasileiro, talvez também do esporte mundial: o 7 a 1. Josias de Souza Donald Trump se afoga na própria saliva Casagrande Quero ter o prazer de ver o Brasil campeão de novo Alicia Klein É loucura achar que Neymar fará diferença Joildo Santos Cannes, prêmios e a ilusão da porta entreaberta Nos 13 anos que se sucederam, Mano passou por diversos clubes gigantes do Brasil. Não pode reclamar de falta de oportunidade, mas talvez um pouquinho da falta de timing. Pegou Flamengo logo antes da bonança ("era assustador quando a gente chegou no Flamengo") e, no Palmeiras, não teve o tempo que precisava para engrenar, além de nunca ter caído nas graças da torcida. "O torcedor brasileiro ainda tem a ilusão de que todos podem ser campeões, o que já não é verdade. Flamengo e Palmeiras fizeram a lição de casa. Hoje, qualquer treinador de alto nível, do Brasil ou de fora, vai chegar no Flamengo ou no Palmeiras e vai ser campeão. Se o Corinthians fizesse isso, não seria também uma potência? Mas não faz e a coisa vai se arrastando." Nas entrelinhas, Mano alfineta Abel Ferreira. "Viu quando eu falei que eu era juvenil (no comportamento em campo) perto deles, a celeuma que deu? Eles passaram de todos os limites. O Brasil obriga a gente a ser umas coisas que a gente nem gostaria de ser. Mas para sobreviver a gente tem que rezar a missa", diz, sorrindo. "Nós não somos um país tão bem educado quanto a gente gostaria que fosse." No universo de clubes, Mano virou bombeiro. Não necessariamente para apagar incêndios de maus resultados, mas quase sempre para apagar o fogo em vestiários já incinerados. Talvez daí também a imagem de carrancudo. Afinal, Mano não vinha chegando aos clubes para fazer amigos e, sim, para botar ordem na casa. "Não são muitos os treinadores da atualidade que seguram a bronca. Quando os dirigentes perdem o controle, vêm atrás de gente como eu". No Peru, a história é outra. Se o mercado brasileiro está cada vez mais fechado, cabe então aos treinadores se mexerem. André Jardine, no México, e Tiago Nunes, no Equador, obtiveram destaque recentemente. Mano Menezes assume a seleção de um país que já apostou em outros técnicos brasileiros, mas não para um projeto de tamanha importância. Continua após a publicidade "Os peruanos são realmente muito carinhosos e são apaixonados pela seleção deles. Lima é uma cidade boa para se morar nas condições que eu tenho, como privilegiado pela minha posição. Fora dali, é um país bastante pobre, com gente sofrida e o futebol sempre pode ocupar um espaço de alegria em alguns momentos". A Conmebol não anunciou ainda o formato das eliminatórias para a Copa de 2030, mas a informação extra-oficial é que elas serão disputadas da mesma maneira que as últimas, com todos os dez países se enfrentando em turno e returno. Como Argentina, Uruguai e Paraguai terão vagas asseguradas no Mundial e abrigarão uma partida inaugural cada, restariam para os outros sete a disputa de três vagas e meia. Deve ser criada uma "Liga das Nações das Américas", aos moldes da Uefa, juntando seleções da Conmebol e da Concacaf, e as eliminatórias sul-americanas teriam também o papel de classificar para este novo torneio - o que daria sentido à presença dos três países do Mercosul. "Nós estaremos em 2030", diz Mano, confiante. "É um processo de reconstrução e isso não é fácil quando essa renovação, que é sempre necessária em qualquer seleção ou clube, demora um pouquinho para começar a ser feita. Estamos deixando de fora alguns jogadores mundialistas, mas que não terão idade para cumprir um ciclo de quatro anos e agora vamos tentar achar os jovens que possam nos ajudar." Em Miami, na última sexta, onde Mano conversou com o UOL Esporte, o Peru venceu a seleção do Haiti por 2 a 1, de virada. Ontem à noite, na cidade de Puebla (México), foi dominada totalmente pela Espanha e perdeu por 3 a 1. A Espanha e a França são, para Mano, as favoritas na Copa-2026. Com ele, estão o velho escudeiro, Sydney Lobo, companheiro por mais de 20 anos; Fernando Lázaro, que chegou a ser assistente de Tite na seleção e foi chamado, talvez precocemente, para assumir o Corinthians na virada de 22 para 23; Bruno Mazziotti, que é diretor técnico no Valladolid, para onde foi levado nos tempos de Ronaldo como dono do clube espanhol, e no Peru atua como uma espécie de diretor científico, de toda a área física; Guilherme Rodrigues, ex-Corinthians e que esteve na última Copa com o Uruguai para a prearação física; e Thiago Kozlowski para trabalhar a seleção sub-20; "Conhecer futebol é básico para qualquer pessoa que trabalhe com futebol. O desafio de hoje em dia é gerenciar muita coisa. As equipes de trabalho são grandes, são muitas informações e os jogadores precisam ser tratados de forma individualizada". E o idioma? "Não adianta falar um espanhol perfeito se não ganhar. Antes, precisamos ganhar jogos. Depois eu vou aprendendo." Continua após a publicidade Mais ou menos como Carlo Ancelotti. "Nós não fizemos as coisas bem feitas neste ciclo. Foram um pouquinho tumultuadas, né? O Ancelotti é um técnico muito conceituado, muito vencedor e vai saber encontrar as soluções. Talvez seja um processo difícil, pois ele não teve tempo de conhecer bem os jogadores, saber com quem pode contar para essa ou aquela situação. É o tempo que nós treinadores precisamos e raramente temos." Mano Menezes não coloca o Brasil como um dos favoritos da Copa. Para ele, são França e Espanha. O Brasil, como a Argentina, têm na tradição e no talento individual a chance de "se tornar" favorito caso consiga encorpar ao longo da competição. "O Brasil ainda está um pouco espaçado, com o meio de campo um pouco solto", analisa. "Nos não começamos como favoritos". Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Julio Gomes por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora PM é afastado após agredir homem com socos durante festa de São João na PB Wilton Pereira Sampaio é escalado para apitar jogo de abertura da Copa 2026 Resumo da novela 'Coração Acelerado' da semana: capítulos de 9/6 a 20/6 Boom de bois confinados ameaça animais, rios e a legislação no Brasil Rússia e Belarus se dizem prontas para usar todos os meios, inclusive nucleares