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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Na final da Copa: o que a Argentina tem que o Brasil não tem Alicia Klein Colunista do UOL 16/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Lionel Messi comemora classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo Imagem: Reuters/Nathan Ray Seebeck A Argentina vai disputar sua segunda final de Copa consecutiva, desta vez contra a Espanha. Messi estreou em Mundiais em 2006, exatamente o marco inicial do jejum brasileiro, que vai atingir pelo menos 28 anos, em 2030. La Pulga ostenta seis Mundiais no currículo, com três finais nos últimos quatro. Enquanto isso, neste período nós não passamos da semi e, nesta edição, igualamos nossa pior campanha desde 1966. O que, então, eles têm que nós não temos? Primeiro, ele mesmo: Messi. Eles têm um dos maiores jogadores de todos os tempos, que só conseguiu levantar a taça mais importante do planeta aos 35 anos, mas que nunca deixou de ser um líder, uma figura de referência. Os companheiros não se movem sem ele, nos treinamentos, na entrada no estádio, em qualquer lugar. Ele, em primeiro lugar. O respeito e a veneração não são à toa, fruto de um tipo de celebridade conquistada com likes e propagandas. Ele entrega tudo dentro de campo. Deixam a bola para ele porque sabem que, direta ou indiretamente, ela vai parar nas redes. Aos 39 anos, ele se tornou o maior artilheiro (21) e garçom (12) de todos os tempos, alcançando nesta Copa 8 gols e 4 assistências. Doze participações em gol em sete partidas, incluindo duas na classificação sobre a Inglaterra — quando ele correu mais do que em qualquer outro confronto da competição. Repito, aos 39 anos. Sakamoto Trump ataca Brasil e o Pix para tentar eleger Flávio Daniela Lima Aliados de Flávio Bolsonaro minimizam elo com 'Sicário' Arnaldo Ribeiro Espanha é 'favoritaça' mesmo contra a Argentina Gustavo Miller Em defesa do rebranding total da seleção brasileira O nosso craque dessa geração é Neymar. O ex-atleta em atividade que a atual comissão técnica não teve a coragem de deixar em casa jogando pôquer, abrindo espaço para que Vini Jr. ou algum outro atleta ocupasse este espaço. O que nos leva ao segundo problema: o comando. Lionel Scaloni ama esta seleção. Em coletiva recente, afirmou que quis se tornar técnico para não abandonar o ambiente que tanto adorava como jogador. Basicamente, ficou pelo churrasco, o mate e os amigos. As decisões ousadas que toma se baseiam não só em excelentes convicções técnicas, mas no tipo de confiança, vínculo e afeto que se constróem com tempo e afinidade. O tipo de confiança que dá a segurança de que, mesmo perdendo, vai todo mundo sair abraçado no final. O tipo de confiança que entende que é melhor perder indo para cima com tudo do que sair como covarde. O tipo de confiança que o alemão Tuchel não demonstrou, apequenando ainda mais os ingleses. O tipo de confiança que Ancelotti, que pisou no Brasil apenas pela segunda vez na vida ao chegar para assumir a seleção, jamais poderia ter. O italiano nem sequer teve a coragem de começar um trabalho novo. Achou por bem fazer propaganda de cerveja falando em hexa. Como a CBF, focou na promessa de um resultado distante, e não no processo. Por último, os hermanos amam sua camiseta de um jeito que não encontra paralelo do nosso lado. Você consegue imaginar Messi passeando feliz na Disney ou jogando um torneio de pôquer em Las Vegas, dias depois de ser corresponsável por uma das piores campanhas da história da Argentina? Consegue imaginar só um argentino voltando ao seu país depois da eliminação? Mesmo tendo se mudado para Barcelona aos 9 anos, Leo sempre foi muito argentino. Nos hábitos, nos gostos, no jeito de falar, nunca perdeu a conexão. Já repararam como Casemiro, Filipe Luís e alguns outros brasileiros falam com um leve sotaque espanhol? Pois é. Com praticamente um quinto da nossa população, eles estão indo em busca do tetra, imbuídos daquele tipo de determinação que só viradas heroicas são capazes de edificar. Um país cheio de problemas, como uma economia que vive em frangalhos, um presidente tresloucado que abraçou o fascismo e um tipo de racismo institucional que conseguiu eliminar seu povo negro — e que transborda no futebol. Ainda assim, um país com jogadores que berram do fundo da alma "Ou juremos pela glória morrer" nos fazendo acreditar em cada palavra. 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