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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Diga-me o que sentes e te direi quem és Milly Lacombe Colunista do UOL 17/06/2026 13h27 Deixe seu comentário Rivellino durante a Copa de 74 e Messi após bater recorde na Copa de 2026 Imagem: Peter Robinson e Tom Weller / Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Entramos naquela fase da Copa do Mundo em que números e rankings dominam o noticiário. Quem tem mais gols? Quem tem mais assistências? Quem chuta mais a gol? Quem acerta mais o alvo? Dados e estatísticas para tentar escolher o melhor de todos os tempos. Números podem contar uma história, mas eles não contam toda a história, muito menos as mais significativas. Eu tenho para mim que se a análise de um jogo puder ser feita pelo chat GPT, então ela não é a análise assim tão interessante. Lionel Messi protagonizou uma noite de puro arrebatamento durante a estreia da campeã mundial na Copa 2026. Uma dessas noites que será narrada como narramos até hoje o que fez Didi no primeiro jogo da Copa de 58. Messi elevou todo mundo a um lugar de mais significado, mostrou o que o futebol é capaz de fazer: dar sentido à vida. O que mais queremos de um jogador? Bem, talvez que ele não lamba as botas de ditadores. Seria uma resposta aceitável. Como acomodar dentro de nossos corações apaixonados por esse jogo a complexidade de ídolos que são pessoas pouco republicanas fora de campo? Maradona, esse absoluto Deus com uma bola nos pés, acusado de práticas violentas contra mulheres. Maradona, esse homem com consciência de classe, esse cara que jogava descolonizadamente, esse cara que valia por um exército inteiro obrigando a poderosa Inglaterra a colocar suas armas no chão e se render? Milly Lacombe Diga-me o que sentes e te direi quem és Maria Prata Mulheres e jovens pagam a conta do avanço das bets Janaína Figueiredo Messimania vai ser tubo de oxigênio para Milei Sakamoto Vorcaro comprou quantos políticos com dinheiro sujo? O futebol acontece dentro de uma arena subjetiva. Tudo o que é objetivo a respeito desse esporte é menos importante e mais desprezível. Assim, se um garoto ou uma garota disserem que Neymar é maior do que Messi não haverá argumentos que possamos usar para derrubar a ilusão. É maior e ponto final. Cada um sabe onde exatamente aquele craque mexe com você. Roberto Rivelino é o meu ponto fraco. Foi o primeiro a me mostrar o que era o futebol: um elástico improvisado num fim de tarde de domingo. E se eu quiser berrar que Rivelino é maior do que Maradona talvez nem Maradona fosse discordar; afinal, era justamente esse o seu ídolo. Sissi, por exemplo. Sissi é dentro do meu coração maior do que Marta. Isso não tira o tamanho de Marta. Marta é e sempre será a Rainha do futebol. Mas foi Sissi que me disse que o futebol feminino era, também, capaz de conquistar o mundo inteiro. Messi entrou em campo contra a Argélia e abriu um portal para um universo em outra galáxia e em outra dimensão. O jogo dessa terça-feira está para sempre inscrito no tempo-espaço. E nós, humanos, que lidemos com as complexidades de caráter do craque. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Casal desaparecido é achado morto dentro de carro submerso em represa em MG Ex-técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira é internado no RJ Por que o filho de Zidane joga pela Argélia e o pai atuava pela França? Trump diz que assinatura do acordo com Irã pode ser antecipada: 'Em breve' Seleção treina time com cinco mudanças em relação à estreia na Copa