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Futebol Seleção usa ciclo tumultuado para tentar normalizar pior fase da história Danilo Lavieri , Paulo Vinicius Coelho (PVC) , Pedro Lopes e Thiago Rabelo Do UOL, em Nova Jersey (EUA) 06/07/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A derrota para a Noruega não é apenas uma eliminação nas oitavas de final. Ela representa a pior campanha da seleção brasileira em uma Copa do Mundo desde o Mundial de 1990. Representa a terceira queda diante de uma seleção europeia que não pertence à primeira prateleira do continente e jamais foi campeã mundial, depois de Bélgica e Croácia. Representa a confirmação de que o Brasil chegará a pelo menos 28 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, o seu maior hiato sem títulos. Tudo isso tendo o técnico mais bem pago do Mundial. Ainda assim, o discurso adotado pela direção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e pela comissão técnica foi o de tratar o resultado como consequência natural de um ciclo mal conduzido. O executivo de seleções da entidade, Rodrigo Caetano, falou sobre a necessidade de um trabalho "dentro de uma normalidade", com continuidade e tranquilidade para projetar a próxima Copa. O técnico Carlo Ancelotti afirmou que "não é o fim, é o princípio de um novo ciclo". Milly Lacombe Vini, Raphinha, Casemiro: a geração sem personalidade Mauro Cezar Vini bate pênalti mal e não deveria ter cobrado Alicia Klein A Copa do Mundo de Neymar foi um sucesso Alexandre Borges Os riscos de promover provocadores políticos As explicações têm fundamento. O Brasil viveu um ciclo caótico. Foram quatro treinadores entre o Qatar e os Estados Unidos: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. A CBF atravessou uma guerra política, teve dois presidentes, e um deles foi afastado por corrupção. Houve improviso, indefinição e ausência de comando. Por outro lado, a Noruega, responsável por mais uma queda, é apenas a 31ª colocada do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol). É uma equipe que sofreu gols em todos os jogos da Copa e só foi vazada pelo Brasil quando a partida já estava decidida, aos 52 minutos do segundo tempo. Se o caos administrativo explica parte dos problemas, não serve como salvo-conduto para o desempenho mostrado ontem em Nova Jersey. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês Marrocos, por exemplo, com quem o Brasil empatou na estreia, chegou às quartas de final com um treinador que assumiu o time há apenas quatro meses. Conseguiu apresentar organização, competitividade e uma ideia clara de jogo mesmo sem um jogador como Vinicius Júnior, eleito o melhor do mundo. Esporte Já o Brasil, depois de um mês de preparação e com um elenco muito superior individualmente, terminou eliminado com 35% de posse de bola no duelo contra a Noruega, se mostrando incapaz de controlar uma partida decisiva. Continua após a publicidade A defesa tomou dois gols de Haaland, atacante que todos sabiam que era a grande arma adversária e que a comissão normalizou ter que marcá-lo nas entrevistas de preparação. O debate pós-Copa vai muito além da troca de treinador ou da promessa de um novo ciclo. Não basta "imaginar o que seria se tivesse um trabalho com calma", como pediu Rodrigo Caetano. Afinal, se a avó de Ancelotti tivesse rodas, ela seria um carro, como disse o próprio comandante em uma das coletivas na Granja Comary. Esses problemas coletivos também começaram com questões individuais. O futebol brasileiro não conseguiu formar nesse ciclo laterais jovens e de nível internacional, um camisa 9 com capacidade incontestável de decidir jogos e um 10 armador e protagonista. Essas carências escancaram vários problemas, como a dificuldade em controlar o jogo, ser efetivo no ataque e manter a identidade brasileira. Nesse cenário, Ancelotti ainda conseguiu que a equipe mostrasse evolução da fase de grupos para o primeiro mata-mata, contra o Japão, mas colocou tudo a perder com escolhas que se mostraram equivocadas para enfrentar a Noruega, especialmente no segundo tempo, quando tinha Neymar isolado na frente e Vinicius tendo de voltar para marcar, perdendo justamente a sua maior qualidade nesse Mundial. Além de questões sobre a comissão técnica, cujo contrato já foi renovado, o drama da seleção também passa pela formação de atletas, pelas categorias de base, pelas escolhas dos clubes, pelo modelo de desenvolvimento de jogadores e pela própria identidade do futebol brasileiro, que há anos parece incapaz de produzir soluções para as carências da seleção principal. Se a eliminação servir para provocar esse debate, haverá algum legado. Não adianta o técnico abandonar o campo e fingir que o filho dele, seu auxiliar, vai resolver o problema, como Ancelotti fez após o apito final em Nova Jersey. Continua após a publicidade Mas se a resposta for apenas repetir que o ciclo foi curto, que faltou tempo e que agora é olhar para 2030, o Brasil terá dado mais um passo na direção de algo ainda mais perigoso do que perder: acostumar-se com derrotas que, até pouco tempo atrás, seriam consideradas inaceitáveis. 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