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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Brasil de 1970 inspirou revolução no Barcelona, diz pioneiro do 'tiki-taka' Thiago Arantes Colunista do UOL, em Barcelona 11/06/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O estilo de jogo que transformou o Barcelona e a seleção espanhola em referências mundiais tem uma inspiração brasileira. Quem afirma é Joan Vilà, um dos principais responsáveis pela construção da metodologia que moldou gerações de jogadores em La Masia. Ex-jogador do Barcelona, companheiro de Johan Cruyff nos anos 1970 e posteriormente diretor de metodologia do clube catalão, Vilà participou diretamente da criação do modelo que ficou conhecido mundialmente como "estilo Barça". Foi esse modelo — conhecido por muitos como "tiki-taka", termo que Vilà reprova — que ajudou a formar jogadores como Xavi, Iniesta, Busquets e Guardiola. E que, anos depois, serviria de base para a Espanha campeã da Eurocopa de 2008, da Copa do Mundo de 2010 e da Eurocopa de 2012. Juca Kfouri Não será 1ª vez que Brasil estreará sem time pronto Julio Gomes Veja como está o Azteca para a abertura da Copa Tatiana Farah A boa e a má notícia da Quaest para Flávio José Fucs A guinada woke da Justiça vai além do caso Borel Em entrevista ao UOL , Vilà explicou como uma frase repetida por Cruyff virou o ponto de partida de uma revolução que mudou a história do futebol. A conversa é parte do segundo episódio de "Fábrica de Talentos" , série sobre como as grandes seleções do mundo descobrem e desenvolvem seus craques. UOL: Há uma frase de Johan Cruyff que parece resumir toda a filosofia do Barcelona. Qual era essa ideia? Joan Vilà: A primeira de todas era muito simples: "Queremos ter a bola para jogar e desfrutar. Se temos a bola, jogamos e desfrutamos. Se não temos a bola, apenas corremos." A partir daí surge tudo o resto. Se queremos ter a bola, temos de fazer tudo o que for necessário para tê-la. Porque só existe uma bola. Se a temos, somos donos do jogo. Se não a temos, não somos donos do jogo. UOL: Como essa ideia mudou a forma de enxergar o futebol? Joan Vilà: Ela mudou completamente a lógica tradicional. Nós não queremos destruir o que o adversário faz. Queremos criar. E quando perdemos a bola, porque isso vai acontecer, não pensamos em correr para trás para defender. Queremos recuperá-la imediatamente. Continua após a publicidade Há uma diferença enorme entre defender a própria baliza e recuperar a bola. Defender é dar um passo para trás. Recuperar a bola é dar um passo para a frente. Joan Vilà foi jogador, treinador e diretor de motodologia do Barcelona; na foto, ele está ao lado de Cruyff e Carles Rexach Imagem: Felipe Rocha UOL: Foi daí que nasceram conceitos como o jogo de posição? Joan Vilà: Sim. O rondo (espécie de roda de bobinho), o jogo de posição, tudo isso nasce dessa ideia. Mas muitas pessoas entendem errado. O objetivo não é trocar passes por trocar passes. O objetivo é fazer o adversário correr. É desorganizar o adversário até encontrar o momento exato para atacar. Tudo era pensado de forma criativa. UOL: O senhor costuma dizer que o futebol é comunicação. O que significa isso? Joan Vilà: Significa entender o jogo coletivamente. Nós trabalhamos diferentes tipos de apoio para quem tem a bola. Apoio para progredir, apoio para manter a posse, apoio de emergência quando um companheiro está pressionado. O futebol é intenção. É comunicação. O jogador precisa entender qual ajuda oferecer ao companheiro em cada situação. Continua após a publicidade UOL: O senhor enxerga influência do Brasil nesse processo? Joan Vilà: Sem dúvida. Eu me apaixonei pelo futebol na Copa de 1970. Gérson, Jairzinho, Tostão, Pelé, Rivellino? Aquilo era espetacular. Sempre pensei que o Brasil talvez não tenha dado continuidade suficiente àquela ideia. Porque havia o Pelé, claro, mas não era só o Pelé. Era toda a equipe. UOL: O que chamou mais a sua atenção naquele Brasil? Joan Vilà: O meio-campo. Cruyff acreditava que o centro do jogo estava no meio-campo porque são os jogadores que mais tocam na bola. Quando você quer dominar através da posse, os meio-campistas tornam-se fundamentais. O Brasil de 1970 tinha jogadores extraordinários nessa zona do campo. Foi uma grande inspiração. UOL: Isso ajuda a explicar por que o Barcelona passou a produzir tantos meio-campistas? Joan Vilà: Sim. Cruyff mudou muitas coisas. O volante deixou de ser apenas um jogador de marcação. O zagueiro passou a iniciar o jogo. O meio-campo tornou-se o centro de tudo. Por isso surgiram Guardiola, Xavi, Iniesta, Busquets. Era onde colocávamos mais atenção nos treinamentos. Continua após a publicidade UOL: Como essa filosofia saiu do Barcelona e chegou à seleção espanhola? Joan Vilà: Primeiro porque muitos jogadores do Barcelona chegaram à seleção. Segundo porque muitos jogadores treinados por Cruyff se tornaram treinadores. Quando chegou a Eurocopa de 2008, havia muitos jogadores do Barcelona na seleção. Era uma continuação natural daquela ideia. UOL: Então a Espanha campeã do mundo era, de certa forma, uma extensão do trabalho iniciado por Cruyff? Joan Vilà: Sem dúvida. Luis Aragonés teve enorme mérito porque acreditou nesses jogadores e nessa forma de jogar. Mas havia uma base construída ao longo de muitos anos. Aquela geração cresceu dentro dessa ideia. UOL: O senhor vê essa herança ainda viva hoje? Joan Vilà: Sim. Os jogadores espanhóis continuam acreditando que terão a bola. Os adversários também sabem disso. Construir essa confiança coletiva é muito difícil. É muito mais difícil do que simplesmente ter bons jogadores. Mas quando uma equipe acredita profundamente numa ideia, ela cria uma identidade. E é isso que aconteceu com o Barcelona e com a Espanha. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Brasil estreia com vitória sobre o Irã na Liga das Nações de Vôlei Peru: Keiko Fujimori ultrapassa Roberto Sánchez após 98% das urnas apuradas Bella Longuinho rebate versão de ex-namorado sobre agressão: 'Me enforcou' Americana sumida em fevereiro é achada morta no México; filhos estão vivos Bolão de Brasília e aposta do PR acertam Lotofácil e levam R$ 722 mil cada