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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Ameaça de boicote da Uefa à Fifa pode ter efeito em menos de dois meses Thiago Arantes Colunista do UOL, em Barcelona 30/07/2026 16h55 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A disputa política entre a Fifa e a Uefa é o grande assunto do dia no futebol mundial. A entidade máxima do futebol europeu divulgou uma carta ameaçando boicote a "todos os eventos organizados pela Fifa" caso a ideia da Fifa Forward Enterprise (FFE) não seja deixada de lado. A FFE é uma iniciativa para captar investidores para eventos da Fifa. Na teoria, trata-se de uma forma de arrecadar ainda mais dinheiro; na prática, os opositores veem a ideia como a "venda" de uma fatia importante da Copa do Mundo. A Fifa alega que a criação efetiva do fundo ainda será submetida a uma consulta aos 211 países-membros, e que só será levada adiante caso haja aprovação da maioria. A Uefa entende que divulgar os planos publicamente sem antes ter ouvido as confederações (como ela) ou as federações de países não foi o caminho correto. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Quando se fala de boicote, a primeira ideia que vem à cabeça é uma improvável e estranha Copa do Mundo sem seleções europeias. Mas, ao citar "todos os eventos da Fifa", a Uefa cria um problema bem mais urgente que a Copa de 2030 ou a Copa feminina de 2027, a ser realizada no Brasil. Assista aos jogos exclusivos da Copa da Rússia no UOL Play O presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente dos EUA, Donald Trump, com o troféu durante a cerimônia de entrega 19 de julho de 2026 REUTERS/Kai Pfaffenbach Imagem: Kai Pfaffenbach/Reuters O próximo evento da Fifa começa em 5 de setembro. Trata-se da Copa do Mundo sub-20 feminina, que será disputada na Polônia, um dos 55 países da Uefa que assinaram a carta de repúdio à criação do FFE. O torneio terá 24 seleções, incluindo seis europeias: além do país-sede, estarão representadas França, Itália, Espanha, Inglaterra e Portugal. O Brasil está no Grupo B, com Tanzânia, Canadá e Inglaterra. Ainda em setembro, haverá a primeira edição da "super Data Fifa" — uma parada de três semanas para jogos de seleções. Aqui, a tendência é que não haja grandes problemas, já a maioria dos europeus disputará partidas da Nations League, torneio da Uefa; os demais jogarão amistosos. Continua após a publicidade O Fifa Series, torneio amistosos entre seleções mais modestas, não terá partidas até 2028, o que previne um boicote iminente de equipes de nível adulto à entidade. Presidente da FIFA, Gianni Infantino Imagem: Dylan Martinez Jogo da pressão O comunicado da Uefa coloca dois desafios importantes diante de Gianni Infantino, presidente da Fifa e possível CEO do Fifa Forward Enterprise. O primeiro é conseguir aprovar a criação da FFE. A Fifa tem 211 federações filiadas, e a Uefa tem 55 países-membros, todos signatários do manifesto. A Concacaf, com 41 membros, também já se manifestou contra; a AFC, que comanda o futebol asiático, veio em seguida. Continua após a publicidade Caso não haja mudanças na maré ou "deserções", o plano de Infantino para a FFE deve naufragar antes mesmo de alçar voo. Só que há uma parte da equação que pode fazer a balança mudar de lado: o dinheiro. Com um novo modelo de negócio, a Fifa espera um aporte de até 20 bilhões de dólares de investidores externos, o que significaria um maior repasse para as federações de seus países-membros. O cálculo das federações, a partir de agora, será político, mas também financeiro. O segundo ponto é a própria eleição da Fifa, marcada para o 177º congresso da entidade, em 18 de março de 2027, em Rabat, em Marrocos. A Uefa já estuda há meses apresentar um nome como oposição a Infantino, e a crise da FFE pode precipitar um anúncio. Por enquanto, as duas entidades fazem um jogo de pressão de parte a parte: a Fifa tenta mostrar que a FFE não é um loteamento de ações da Copa do Mundo, e que tornará as federações mais ricas; a Uefa joga com seu maior patrimônio: algumas das melhores seleções do planeta. O prazo final da consulta sobre a FFE seria em 19 de setembro, às vésperas do início da "super Data Fifa" e duas semanas depois do início do Mundial sub-20 feminino. A tendência é que a guerra não chegue até lá, e uma solução — seja um recuo ou um acordo — seja costurada antes da bola rolar na Polônia. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Flávio diz que aumento de Lula no Bolsa Família é 'comprar voto' dos pobres Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro' TSE aceita abrir ação de Flávio contra Lula por desfile no Carnaval do Rio Gretchen defende novo nariz de Simone após críticas: ?Está lindo? Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo