Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Vasco segue sem empréstimo. Juiz pede comparação de gastos com outros times Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 26/08/2026 19h15 Deixe seu comentário Lamacchia, que quer a SAF do Vasco; e Leila Pereira, presidente do Palmeiras, no Nubank Parque Imagem: Reprodução/TV Globo Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Vasco segue sem autorização para um novo empréstimo. O juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, em atuação na 4ª Vara Empresarial do Rio, determinou que até a próxima quarta-feira, 2 de setembro, seja apresentado um parecer conjunto sobre dois temas: o pedido de DIP (Debtor-in-Possession), empréstimo feito a empresa em recuperação judicial, de até R$ 150 milhões; e a venda da UPI Equity, o pacote de ações que permite transferir o controle da SAF, ou de uma nova empresa de futebol do clube. O magistrado também cobra explicação a respeito dos gastos com a contratação de jogadores se comparados com o ano passado e a outros clubes da primeira divisão do campeonato brasileiro. A decisão atende ao Tribunal de Justiça e deixa claro que a liminar do TJ não autoriza contratar o crédito, nem liberar qualquer valor sem exame técnico. O parecer terá de ser crítico e vir assinado em conjunto pela Administração Judicial, pelo Watchdog (fiscal independente nomeado para acompanhar contas, operações e o cumprimento do plano) e pelo Gatekeeper (analisa e dá aval técnico a atos relevantes, antes que avancem). Enquanto isso não ocorrer, o dinheiro do empréstimo permanecerá bloqueado. O juiz vê risco no ritmo das novas dívidas. O plano de recuperação foi homologado em dezembro de 2025 com descontos relevantes dos credores. Em menos de um ano, porém, o Vasco já tomou R$ 120 milhões emprestados e agora pede mais R$ 150 milhões, ao mesmo tempo em que projeta prejuízo de R$ 300 milhões até o fim de 2026. Direitos a receitas futuras já foram dados em garantia: se o dinheiro da venda da SAF não entrar no caixa, esses recebíveis podem ser cobrados pelos financiadores dos empréstimos. Matheus Pichonelli Flávio tira Moraes da TV e ganha reforço de Michelle A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo O ponto mais sensível é o destino dos R$ 500 milhões da proposta vinculante da Almirante Participações e Empreendimentos S.A. O plano aprovado pelos credores diz que a venda da UPI Equity deve servir, entre outros fins, para quitar integralmente as dívidas da recuperação e obrigações que ficaram fora do plano, como empréstimos DIP e tributos. A proposta do investidor, no entanto, proíbe usar esses R$ 500 milhões para pagar dívidas e reserva o valor ao futebol — atletas, comissão e contratações. Para o juiz, não há como vender o principal ativo do grupo com essa trava, ainda que haja promessa de "ajuda" posterior. Há outros problemas na operação, como a falta de uma avaliação independente do valor das ações da Vasco SAF. O grupo que se apresenta como comprador já emprestou R$ 270 milhões e, na prática, também sugereria preço da venda — o que poderia distorcer o leilão, como se o credor levasse vantagem para ficar com o ativo. E tem mais: Vasco e a 777 Carioca ainda disputam numa arbitragem quem é dono dessas ações, ou seja, se o clube perder, pode estar vendendo algo que não lhe pertence por inteiro. A CBF também pode recusar a troca de controle, pelo fato de Lamachia ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, que disputa os mesmos certames que os vascaínos. Assim, qualquer outro interessado no leilão já começaria atrás, porque teria de lidar com uma dívida de R$ 270 milhões em favor de quem chegou primeiro. "Por fim, os investimentos em contratação de jogadores deverão ser explicados, à luz do total já despendido e daquilo que se pretende acrescer, considerada a comparação com o total de gastos da última temporada (2025) e dos demais clubes brasileiros da Série A neste ano." Para tentar abrir a concorrência, o juiz mandou publicar edital e divulgar a decisão na imprensa e nas redes, para que outros interessados se manifestem nos autos, inclusive em sigilo. O parecer dos fiscais e a análise da venda da SAF precisam estar prontos até 2 de setembro, antes do fim da janela da CBF. Até lá, clube e SAF terão de abrir contas, contratos e documentos aos auxiliares do juízo. Mesmo com o novo empréstimo, o juiz lembra que ainda há previsão de rombo superior a R$ 100 milhões neste ano e cobra explicação dos gastos com contratações, comparados com 2025 e com outros clubes da Série A. Depois do parecer, o Ministério Público será ouvido. Só então o juízo decide se libera o DIP e como segue a venda do controle da SAF. Siga Mauro Cezar no X Siga Mauro Cezar no Instagram Continua após a publicidade Siga Mauro Cezar no Facebook Inscreva-se no Canal Mauro Cezar no YouTube Siga Mauro Cezar no Threads Siga Mauro Cezar no BlueSky Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Mauro Cezar Pereira por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo Lula e Janja vão a SC pela 1ª vez na campanha e buscam voto feminino Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim' Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido?