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Análise dos Times

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Após trocas bombásticas na NBA a desconfiança sempre recai sobre a equipe que abriu mão do melhor jogador da negociação. No caso do Boston Celtics , a troca de Jaylen Brown por Paul George e escolhas de Draft, apesar de alguns motivos válidos, parece sem sentido no resultado final, ao menos considerando os fatores de dentro da quadra. Por isso, a franquia com mais títulos na história da competição começa a temporada com pressão por resultado. O lado bom é que o elenco tem qualidade o suficiente para se destacar mesmo em meio a uma disputada Conferência Leste. Individualmente, todos os holofotes se voltam para Jayson Tatum, recuperado de lesão e, agora, único “dono” do time. Campanha: 56 vitórias e 26 derrotas Classificação: 2º lugar na Conferência Leste Nos playoffs: eliminado pelo Philadelphia 76ers na primeira rodada por 4 a 3 O que aconteceu: a lesão de Jayson Tatum nos playoffs de 2025 e as saídas de peças importantes do elenco, como Jrue Holiday, Al Horford e Kristaps Porzingis deixaram a temporada dos Celtics, ao menos externamente, muito instável acerca de qual caminho a franquia seguiria. Em quadra, as primeiras semanas foram ruins, o que permitiu a interpretação de que abriria mão da competição, focando em uma escolha alta no Draft. Mas a partir de dezembro o time começou a engrenar, especialmente a partir do crescimento de nomes como Payton Pritchard, Sam Hauser e Neemias Queta, além das ótimas atuações de Jaylen Brown. Em janeiro, já era segundo lugar no Leste, posição que ocupou até o fim da temporada regular. Ainda assim, não era aquela equipe dominante igual à dos anos anteriores. Nesse meio tempo, Tatum voltou às quadras, mas os Celtics seguiram sem convencer. Nos playoffs, fizeram partidas muito instáveis e foram eliminados logo de cara para os 76ers, encerrando uma longa sequência de vitórias contra os rivais. Escolhas de Draft: Chris Cenac Jr. (ala-pivô, 27ª escolha) e Dillon Mitchell (ala, 40ª escolha) Quem mais chegou: Paul George (ala - Philadelphia 76ers), Mitchell Robinson (pivô - New York Knicks), Mike Conley (armador - Minnesota Timberwolves) e Devin Carter (armador - Sacramento Kings) Quem foi embora: Jaylen Brown (ala - Philadelphia 76ers), Nikola Vucevic (pivô - Orlando Magic), John Tonje (ala-armador - Portland Trail Blazers), Max Shulga (ala-armador - Real Madrid/Espanha) e Delano Banton (armador - Shandong Hi-Speed Kirin/China) Provável time titular: Derrick White, Baylor Scheierman, Paul George, Jayson Tatum e Mitchell Robinson Reservas: Payton Pritchard, Mike Conley, Devin Carter (armadores), Hugo Gonzalez (ala-armador), Sam Hauser, Jordan Walsh, Ron Harper Jr, Dillon Mitchell (alas), Chris Cenac Jr., Amari Williams (alas-pivôs), Luka Garza e Neemias Queta (pivô) Técnico: Joe Mazzulla A frustrante eliminação em casa para o Philadelphia 76ers na primeira rodada dos playoffs parece ter despertado a necessidade de mudanças por parte da diretoria dos Celtics. A primeira delas foi romper a parceria de quase dez anos entre Jayson Tatum e Jaylen Brown. Para isso, o caminho foi fazer uma negociação com o próprio algoz. Brown foi enviado para os 76ers em troca do veterano Paul George e de mais um punhado de escolhas de Draft. Ninguém espera que George volte ao nível de All-Star que já foi um dia, mas se conseguir entregar boa defesa e assumir um papel de coadjuvante no ataque, como um desafogo ao lado de Tatum e criando arremessos ocasionalmente, já seria uma grande ajuda. Mais importante do que a resposta de George a partir dessa troca será a postura de Tatum, agora a única grande estrela da companhia. Os Celtics estão apostando alto nele. Para corresponder, além de mostrar-se desenferrujado após a lesão do tendão de Aquiles, ele vai precisar jogar em altíssimo nível ao passo em que assumirá uma carga de responsabilidade ofensiva ainda maior, principalmente quando os jogos apertarem. De certa forma, também é uma aposta nos coadjuvantes. Gente como Derrick White, Payton Pritchard e Hugo González, que teve um ano de calouro promissor, também podem dar um ou dois passos adiante, assumindo um papel maior em torno de Tatum. Outro nome importante para entender o clima dos Celtics às vésperas da nova temporada é Mitchell Robinson. Campeão da NBA com o New York Knicks, ele chega a Boston trazendo sua expertise em defesa e, sobretudo, rebotes ofensivos. Tem tudo para ser uma peça valiosa, com características que somam ao elenco. É com esse material que Joe Mazzulla vai trabalhar para manter os Celtics nas cabeças. Porque por mais que muita gente ainda tenha dúvidas sobre a troca que mandou Brown para um concorrente direto, as expectativas em Boston ainda são altas. "Fiz parte de uma geração de garotos que cresceu o vendo jogar, especialmente quando estava no colegial. Ele definitivamente era um dos meus jogadores favoritos por ser alguém de 2,08m que sabe jogar dois lados da quadra e que é capaz de pontuar em todos os níveis possíveis. Então é claro que quando estava no colegial, na universidade e até mesmo no início da minha carreira na NBA, eu assistia seus jogos para ver o que fazia e tentar roubar alguns movimentos para mim." A declaração é de Jayson Tatum, e o jogador que ele admite tê-lo inspirado tanto é Paul George, de quem agora é companheiro em Boston. Os Celtics foram eliminados pelos 76ers nos últimos playoffs após abrirem 3 a 1. A virada de Philadelphia teve um grande símbolo: Joel Embiid, que entrou na série a partir do Jogo 4. O pivô dominou o garrafão celta, terminando a primeira rodada com médias de 28 pontos, 9 rebotes e 7 assistências. No Jogo 7, fez sua melhor partida em anos: 34 pontos, 12 rebotes e 6 assistências, expondo a fragilidade da área pintada de Boston. Por isso, para a próxima temporada, os Celtics foram ao mercado e contrataram Mitchell Robinson, campeão pelo New York Knicks. O pivô de 28 anos e 2,13m é um dos melhores reboteiros em toda a liga, além de um dos maiores destaques no pick’n roll . Nesse ponto, para fazer dupla com Robinson, além de Tatum, White e Pritchard, Boston também contratou Mike Conley e, possivelmente, Devin Carter, que no momento da publicação desta análise está tendo ótimas atuações na pré-temporada durante um contrato de 10 dias. Defensivamente, embora não seja muito eficaz longe da cesta, Robinson é um exímio protetor de aro. Ofensivamente, é uma máquina de pegar rebotes de ataque. Contudo, ainda sofre com o péssimo aproveitamento no lance livre: em 2025/26 foi de apenas 40%. Por isso, é alvo de muitas faltas propositais dos adversários, que buscam acabar com as jogadas o levando para as cobranças. E é aí que entra o restante do elenco. Neemias Queta teve um grande ano, especialmente no ataque, e mesmo que não comece a campanha como titular, terá muitos minutos ao longo da temporada, bem como Luka Garza, que é o único pivô no elenco que chuta do perímetro. Mas ao lado deles Amari Williams e o calouro Chris Cenac Jr. tendem a evoluir ainda mais ao longo do ano, fortalecendo a força do garrafão da equipe. As mudanças realizadas pelos Celtics nas últimas duas temporadas, embora tenham minado o desempenho do time, cumpriram seu objetivo principal: tirar a franquia da 2nd apron , o maior patamar possível acima do limite da folha salarial, aumentando exponencialmente as taxas, multas e limitações de trocas. Só que o elenco dos Celtics está projetado para ficar ainda mais caro no ano que vem, principalmente por conta do novo contrato de Neemias Queta. Embora os futuros patamares financeiros da NBA ainda sejam apenas estimados, a tendência é de que Boston entre na 1st apron a partir de 2027/28. Caso não aceite entrar nesse patamar mais uma vez, há duas saídas. A primeira, mais óbvia e já utilizada pela equipe há dois anos, seria trocar algumas peças por outras de salários menores para se manterem abaixo do limite. Mas como já vimos nas últimas campanhas, isso pode comprometer o desempenho do time, especialmente nos playoffs. A segunda é convencer Paul George a não exercer sua player option, modalidade em que o jogador escolhe se exercerá, ou não, o último ano de contrato. No caso dele, em 2027/28, prestes a completar 38 anos, terá direito a receber US$ 56,5 milhões. Muito provavelmente, seu último ano em um grande contrato. Mas os Celtics podem negociar para que ele recuse a player option e renove por um valor menor, mas por mais anos. O problema é que isso só deve acontecer se os Celtics demonstrarem bons sinais de competitividade, especialmente nos playoffs. Se isso acontecer e George topar a renegociação, bom para Boston. Mas se não, a pressão sobre a diretoria aumentará muito, pois isso significa um time pouco competitivo, mas obrigado a honrar um contrato gigantesco para um jogador em fim de carreira. E aí praticamente todo mundo no elenco pode acabar envolvido numa troca. Durante quase uma década houve o questionamento de quem era o líder em quadra pelos Celtics. Embora já fosse claro que a preferência da diretoria era por Jayson Tatum, com a troca de Jaylen Brown, o astro “reinará” sozinho em Boston. Após muitos meses fora por conta de uma lesão no tendão de Aquiles, voltou às quadras no início de março e disputou 16 partidas de temporada regular, além de sete nos playoffs, quando Boston teve um desempenho errático. Tatum, afinal, voltou aquém do nível de outrora. Embora tenha conseguido bons números, não se via a mesma confiança, aproveitamento e explosão física de duas ou três temporadas atrás. E agora, sem Brown no elenco, precisará provar que pode ser o grande vetor ofensivo de uma equipe candidata ao título. Qualidade para isso ele tem de sobra. Nas quatro temporadas anteriores, ficou entre os seis primeiros na votação para MVP e foi eleito para o time ideal da liga em todas. Embora não seja o melhor da geração em algum quesito específico, Tatum é muito acima da média em praticamente todos os aspectos do jogo, nos dois lados da quadra. Capaz de agredir as defesas adversárias como poucos na liga, apesar da queda no aproveitamento do último, é destaque tanto na pontuação quanto em encontrar companheiros livres por dobras que as marcações opostas direcionam a ele. Na defesa, também já mostrou competência para marcar todas as posições, aumentando sua versatilidade. Uma das maiores críticas a seu jogo, contudo, é a centralização em momentos decisivos, que geralmente se tornam jogadas individuais bastante óbvias aos adversários, exceto sobre o momento em que ele decidirá chutar. Por vezes, apesar disso, ainda deixava essa função à cargo de Brown. Sem o ex-companheiro ao lado, terá ainda mais situações decisivas. Se conseguir melhorar o desempenho nestes momentos, pode até terminar a temporada na briga real pelo MVP. Muito se falou da saída de Jaylen Brown dos Celtics, mas pouco sobre a chegada de Paul George. É bem verdade que o veterano de 36 anos foi uma decepção nos 76ers. Recebendo um contrato máximo, jogou apenas 78 jogos nas últimas duas temporadas, atrapalhadas por inúmeras lesões e uma suspensão de 25 jogos em janeiro por ser pego no doping. Segundo ele, por uma substância utilizada para um tratamento psicológico. Ainda assim, quando saudável, o astro nove vezes All-Sta r na carreira pode ser muito útil na equipe. Bem como Tatum e Derrick White, consegue fazer de tudo em todos os pontos da quadra. Embora não tenha o mesmo físico de outrora, ainda é um defensor competente, além de vir de uma temporada de 39% de aproveitamento nos chutes do perímetro. No último ano, teve médias de 17,3 pontos, 5,3 rebotes, 3,6 assistências e 1,7 roubo por jogo. Tudo bem, não é um candidato a MVP como Jaylen Brown foi. Mesmo que tenha fama de cair de desempenho nos playoffs é plenamente capaz de fazer parte de um elenco vitorioso, que briga por títulos. Para isso, é claro, precisa se manter saudável. Mas parece um encaixe muito simples ao elenco dos Celtics. 3,5 (médio para alto) - Pode não ser o time mais envolvente de se ver jogar, com um ataque que às vezes prefere se mexer pouco. Ainda assim, deve fazer frente a qualquer outro oponente durante a temporada e que conta de novo com Jayson Tatum desde o começo dela. Pode não ser a maior dose de entretenimento que a NBA tem a oferecer, mas é o bastante para seguir acima da média. Mal não vai fazer parar para ver os Celtics jogarem. No cenário mais otimista: Jayson Tatum mostra que continua tão bom quanto antes da lesão, assume o comando do ataque, Paul George entrega um desempenho honesto como coadjuvante, defesa dá um jeito de se manter entre as cinco melhores, e os Celtics não só avançam aos playoffs com mando de quadra como se colocam em condição de vencer o Leste. No cenário mais pessimista: Jayson Tatum continua enferrujado, Paul George pouco ajuda, a defesa até segue entre as dez melhores, mas o ataque dá uns passos para trás. Ao mesmo tempo, os Celtics veem outros concorrentes do Leste melhorarem e são ultrapassados. No fim, podem até entrar nos playoffs via play-in, mas não passam da primeira rodada. Clique no escudo para ler. Será publicada uma análise por dia até 19/10, véspera da estreia da NBA.