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Só para assinantes Assine UOL Opinião Cadê o Hexa? Juca Kfouri Colunista do UOL 11/07/2026 17h07 Deixe seu comentário Carlos Alberto Torres chuta para marcar o quarto gol da vitória do Brasil sobre a Itália, na final da Copa de 1970 (Foto: AP) Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR MAK* Tenho muitas amizades e contatos no exterior, tanto brasileiros quanto locais. Mensagens trocadas e opiniões publicadas lá fora mostram uma percepção da Copa e do impacto no Brasil que vejo bem distinta da que tenho aqui. Milly Lacombe O antirracista que só surge quando a Argentina ganha Wálter Maierovitch Valdemar, candidato a criminoso habitual João Paulo Charleaux Trump fala de eleição nas Américas após tentar golpe Rodrigo Mattos Ancelotti deveria ter agido como Jorge Jesus Li análises muito interessantes e bons argumentos destes torcedores lá fora sobre esta Copa, que teve a pior classificação do Brasil desde 1966. De certa forma, para mim, ver copas e outras competições é como um prazer sagrado, assim como ler um bocado sobre competições de futebol e sobre como estas perpassam as diversas relações do esporte: as sociais, culturais, políticas e pessoais. É inevitável que análises de uma Copa do Mundo envolvam as questões socioeconômicas e políticas dos países participantes versus os demais, sobretudo aqueles com os quais cruzamos caminho em qualquer época e os que se destacam na competição ora em jogo, ainda que sobre estes nem sempre a massa de torcedores e simpatizantes se debruce. Olhando para o Brasil, historicamente, é inevitável pensar em eventuais desdobramentos políticos, sobretudo porque, há algum tempo, a Copa tem sido disputada poucos meses antes das nossas eleições. Ou, no caso de 2022, pela situação extemporânea de ter sido disputada no inverno do Oriente Médio, foi logo após as eleições no Brasil. Durante muito tempo a Copa aconteceu na mesma época, mas, durante a ditadura militar ficamos muito tempo sem eleições à vera. É comum que a mídia questione em que medida uma derrota ou uma vitória poderia influenciar os ânimos dos eleitores em relação ao governo de turno. Temos exemplos que indicam que não influencia necessariamente: em 1994, por exemplo, o Brasil ganhou e o governo de turno também. Mas, em 2002, também vencemos a Copa, invictos, e o candidato da situação foi goleado pelo da oposição, que vinha de três derrotas seguidas. Continua após a publicidade Em 2014, Copa disputada no Brasil, caímos de forma impensável para o único pentacampeão mundial (perdemos a semifinal para a Alemanha por assombrosos 7 a 1 e depois ainda levamos outro sacode na disputa pelo terceiro lugar (implacáveis 3 a 0 para a Holanda)). Cerca de três meses depois que a presidente Dilma foi grosseiramente ofendida antes do jogo de estreia do Brasil, em São Paulo (coro entoado por parte significativa da torcida brasileira no estádio: "Ei, Dilma, vai tomar no…") e na final entre Alemanha e Argentina, no Maracanã, com ela também presente ao lado de Angela Merkel, chanceler alemã. Três meses depois, foi reeleita, ainda que por um placar apertado. Se poderia dizer, por 1 a 0. Certas partes da história vão se perdendo na memória coletiva; especialmente as mais amargas, digamos assim. Isto acontece até mesmo com torcedores, os mais assíduos, os mais apaixonados pelo futebol. Por aqueles que seguem seu time do coração no estádio, no celular, na TV ou no radinho à pilha, ainda que ouvido nocelular. Ora, imaginem, em relação à maioria da população, que segue o futebol mais nas finais importantes do time do coração ou em tempos de Copa do Mundo; ruas pintadas nos bairros; ruas embandeiradas; bares e restaurantes com telões cinematográficos, lotados em qualquer jogo; cada mesa ocupada por "experts" em táticas, modelos de jogo e estatísticas. O país do futebol! Frase cunhada na Inglaterra, assombrada pelas imagens da Copa das Copas: a vitória espetacular do Brasil no México em 1970; justamente a Copa da TV planetária. A seleção extraterrestre, festejada alucinadamente em cada rincão do país. Muita luz contra a escuridão da ditadura, da tortura e da morte nos presídios e nos "mocós" dos serviçais da ditadura. A conquista foi tão incrível que era impossível não vibrar. Até mesmo para os que morreriam logo depois, sob torturas ou assassinatos encenados. Separados por grades ou portas pesadas, torturados e torturadores vibraram com aquela seleção. O tempo passou; a ditadura passou. A democracia voltou. Duas novas conquistas chegaram mesmo 32 anos depois daquele time mágico. A magia persiste até hoje. Continua após a publicidade Aquele futebol, que pena, não mais. Com o passar do tempo, boa parte da massa louca por futebol continua seu incrível caso de amor pelo chamado esporte das multidões. E a turma do futebol continua alucinada pelo time do coração. A outra parte, que completa os "alucinados pela seleção" , chorou e lamentou. E, no dia seguinte, seguiu com seus afazeres, preferências e cotidiano, com lágrimas de alegria ou de tristeza reservadas para 2030. Não importa onde. Copa em seis países de três continentes. Quem sabe, tão espalhada seja um indício de outra Copa para uma seleção extraterrestre como a de 1970. Por enquanto, a turma da arquibancada e da paixão clubística já guardou com carinho sua camisa da seleção. Conferiu a tabela congelada do Brasileiro, da série de seu interesse, lavou sua camisa de clube, tirou sua bandeira de trás da porta e recuperou o que guardou no arquivo do celular para zoar o amigo rival. Eita! Que maravilha! O campeonato dos clubes está de volta. Continua após a publicidade A alegria do futebol nunca abandonará o torcedor do dia a dia no Brasil. Estes talvez sequer lembrem ou saibam que, entre o maravilhoso gol do Carlos Alberto, selando o título implacavelmente ganho sobre a Itália no mágico estádio Azteca, ainda no tempo da tv em preto e branco no Brasil, e o gol do Ronaldo na Alemanha, na final do Mundial de 2002, tinham se passado 32 anos sem que marcássemos sequer um gol em final de Copa. Ou que, desde o segundo gol do Ronaldo naquela final que selou a vitória sobre a Alemanha e garantiu o Penta, nunca mais vencemos uma seleção europeia em jogos de mata-mata da Copa do Mundo. Quem se importa? Em 2030, ah! Enfim, o ano do Hexa... * MAK é Marco Aurélio Klein, professor da Fundação Getúlio Vargas, autor de diversos livros sobre futebol e membro do Tribunal de Justiça Desportiva - Antidopagem. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Valdemar questiona bloqueio de R$ 119 milhões: 'Não tenho esse dinheiro' Onde vai passar Argentina x Suíça pela Copa do Mundo? 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