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Guto Miguel fala do sonho de conquistar Wimbledon e ser o maior da história Guto Miguel está de volta ao Brasil após o inédito título juvenil em Roland Garros. Aos 17 anos, o tenista goiano se tornou o primeiro brasileiro a conseguir tal façanha. Nem mesmo Gustavo Kuerten, na década de 1990, ou João Fosenca, mais recentemente, obtiveram uma conquista dessa magnitude na época de juvenil. Agora, Guto tenta seguir o passo dos dois e se tornar um grande nome no circuito profissional. No retorno ao país, o jovem esbanjou confiança ao falar de seus planos, um tanto quanto ousados: - Meu sonho é ser o número 1 do mundo, ganhar Wimbledon como profissional e tentar ser o maior da história. 1 de 3
Guto Miguel em ação na campanha do título em Roland Garros — Foto: Tim Clayton/Getty Images Guto Miguel em ação na campanha do título em Roland Garros — Foto: Tim Clayton/Getty Images Na tarde desta terça-feira, Guto Miguel concedeu entrevista coletiva no Iate Tênis Clube, onde treina em Brasília, e falou dessa mentalidade vencedora: - Eu sempre fui um menino muito apaixonado por tênis, mas acima de tudo apaixonado por ganhar. Sempre gostei de ganhar em tudo, nas brincadeiras, no par ou ímpar, eu nunca gostei de perder nem par ou ímpar. Então eu acho que isso me ajuda hoje em dia também a ser competitivo dentro de quadra, a não aceitar a derrota. Guto Miguel fala da mentalidade vencedora que desenvolveu Confira outros tópicos da entrevista: Superação em Roland Garros - É engraçado porque eu tive complicações antes de Roland Garros. Joguei meu torneio em Milão, joguei com uma dor no meu punho, não sabia nem se eu ia jogar Roland Garros. Na semana anterior do torneio a gente treinou muito pouco, a gente focou muito na parte física, mas de quadra eu não estava realmente conseguindo nem bater na bola de tanta dor. E eu acho que para a gente estar ali e saber lidar com esse tipo de situação foi um desafio muito grande e que ao mesmo tempo me fez mais forte durante o torneio. Responsabilidade após o título - Bom, eu acho que... que nem eu disse, como pessoa não mudo. Quinta-feira já tenho treino de novo, já vou continuar treinando duro igual eu sempre treino, com os pés no chão. Com certeza é um grande feito, mas tênis é semana. Semana que vem já tem outro torneio, na próxima semana já tem outro torneio, então só seguir trabalhando. 2 de 3
Guto Miguel é campeão juvenil de Roland Garros — Foto: Daniel Kopatsch/Getty Images Guto Miguel é campeão juvenil de Roland Garros — Foto: Daniel Kopatsch/Getty Images Início de carreira em Goiânia - Hoje eu tenho saudades da minha terra. Goiânia foi um momento muito especial na minha vida. Eu passei a minha infância curtindo. Hoje em dia eu já não posso curtir, digamos assim, né? Tenho que levar mais profissionalmente a coisa, né? Mas Goiânia foi um momento chave da minha vida que eu me diverti bastante dentro de quadra e aprendi que jogar tênis pode ser leve, posso ficar feliz em quadra, mas ao mesmo tempo levando a sério. E a minha mudança para Brasília com 14 anos acho que foi uma mudança para me tornar um tenista profissional. Mudança para Brasília - Bom, cheguei aqui com 14 anos, meio gordinho. Que nem o Dumon (técnico) falou, treinava uma vez por semana... Mas eu sempre fui um cara muito esforçado. A gente trabalhou muito duro quando eu tinha 14 anos. Que nem eu disse, eu cheguei gordinho, então isso era uma coisa que a gente tinha que mudar. Então todo treino ali, nessa quadra rápida que vocês estão vendo ali na frente, eu acabava com o Dumon e o Kiki, eles já me mandavam dar duas voltas no clube todos os dias. Então acho que essa minha chegada em Brasília foi uma mudança que eu tive que... "Olha, para você ser profissional você tem que abdicar disso, tem que fazer aquilo", sabe? Então acho que foi mais um entendimento ali do que é ser um tenista. Mas é claro, ainda estou aprendendo, né? Ainda não estou no profissional. Pressão já com pouca idade - Bom, eu acho que a pressão, todo jogador que é bom e todo jogador que é um cabeça de chave, eu imagino que tenha essa pressão a mais. Mas a gente treina para isso. A gente treina sete horas aqui, faz físico, faz tudo para chegar dentro de quadra e estar bem treinado para o torneio. Então, eu acho que a pressão é um privilégio, é uma coisa que sempre gostam de repetir para mim. E durante o jogo sempre me falam para jogar apenas pontos e lembrar de tudo que a gente treinou, de tudo que a gente passou para estar aqui e para fazer só o que eu sei dentro de quadra e não tentar pensar muito nisso. 3 de 3
Guto Miguel prepara a transição para o profissional — Foto: Daniel Kopatsch/Getty Images Guto Miguel prepara a transição para o profissional — Foto: Daniel Kopatsch/Getty Images Transição para profissional - Isso é uma coisa que a gente ainda está decidindo o calendário, mas eu acho que o juvenil ainda tem algumas coisas para me ensinar. A gente não pode pular etapas, é uma coisa que a gente sempre valoriza aqui. E vamos ver, vamos ver o que tem pela frente. Nova geração brasileira - Bom, o tênis brasileiro tem crescido bastante nesses últimos tempos, não só com o Guga, o João, a Bia, mas eu acho que nós juvenis estamos tendo bons resultados. Mas eu acho que cada um fazendo o seu ali e se ajudando como pode, eu acho que logo, logo a gente pode ter mais alguém do Brasil ali no top 100 de novo. Golpe preferido - Meu golpe preferido é minha direita, né? Acho que todo mundo deve saber disso, quem já me viu jogar antes. Mas acho que todos os golpes eu tenho potencial para melhorar, né? Acho que um tenista não é feito só de uma jogada, ele tem que criar jogadas o tempo inteiro. Então é para isso que a gente treina todo dia: para evoluir em todos os golpes.