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De ficar seis temporadas fora dos playoffs para emplacar uma ida às Finais da NBA . A ascensão do San Antonio Spurs , embora meteórica, não foi exatamente uma surpresa. Talvez o fato de ter chegado tão longe, mas a melhora era muito aguardada pela volta de Wembanyama às quadras, além do desenvolvimento de Stephon Castle e chegada de De’Aaron Fox ao elenco.
Agora, após um vice-campeonato e a certeza de que devem ficar no topo do Oeste por vários anos, mantém a base do elenco, com a adição de Tobias Harris e quatro calouros, esperam ficar em primeiro lugar na temporada regular e buscar o tão sonhado título
Campanha: 62 vitórias e 20 derrotas
Classificação: 2º lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: perdeu o título na decisão para o New York Knicks por 4 a 1; antes disso, passou por Portland Trail Blazers (4 a 1) na primeira rodada, Minnesota Timberwolves (4 a 2) na segunda e Oklahoma City Thunder (4 a 3) na final de conferência
O que aconteceu: os Spurs dispararam entre os líderes do Oeste logo de cara, com cinco vitórias nos primeiros cinco jogos. Embora tenha caído algumas posições, logo retomou a vice-liderança da conferência e não perdeu mais. Nos playoffs, passou sem grandes dificuldades por Trail Blazers e Timberwolves. Depois, numa série icônica, superou o Thunder em 7 jogos. Nas Finais contra os Knicks, ficaram na frente do placar no quarto período de praticamente todos os jogos, mas não soube manter os resultados e ficou com o vice-campeonato após sofrer muitas viradas.
Escolhas de Draft: Jayden Quaintance (ala-pivô, 20ª escolha), Tarris Reid Jr. (pivô, 26ª escolha), Ja’Kobi Gillespie (armador, 42ª escolha) e Maliq Brown (ala-pivô, 44ª escolha)
Quem mais chegou: Tobias Harris (ala-pivô - Detroit Pistons)
Quem foi embora: Kelly Olynyk (ala-pivô - Roma/Itália), Harrison Ingram (ala - Utah Jazz), Lindy Waters (ala-armador - Beijing Ducks/China) e Bismack Biyombo (pivô - sem time)
Provável time titular: De’Aaron Fox, Dylan Harper, Stephon Castle, Tobias Harris e Victor Wembanyama
Reservas: Jordan McLaughlin, Ja’Kobi Gillespie (armadores), Devin Vassell (ala-armador), Keldon Johnson, Julian Champagnie, Harrison Barnes, David Jones Garcia (alas), Carter Bryant, Jayden Quaintance, Maliq Brown (alas-pivôs), Luke Kornet e Tarris Reed Jr. (pivôs)
Técnico: Mitch Johnson
Antes da última temporada, a expectativa interna - e divulgada - dos Spurs era se classificar para o play-in. De todos no elenco, apenas Wembanyama declarou que a equipe iria aos playoffs. Mesmo assim, nem mesmo o gigante francês poderia prever o quão longe iria a equipe, passando até pelo atual campeão numa série de 7 pela disputa da Conferência Oeste.
O título não chegou, mas ir até às Finais após seis temporadas em que nem classificaram aos playoffs reposicionou os Spurs entre os favoritos pelo título da NBA pelas próximas temporadas, principalmente pela força do núcleo jovem.
Wembanyama teve a grande temporada da carreira até então e venceu inúmeros prêmios individuais. Stephon Castle teve mais um ano muito consistente, enquanto Dylan Harper desabrochou nos playoffs ao ponto de suscitar questionamentos quanto à titularidade de Fox.
Falando no experiente armador, embora os playoffs não tenham sido bons, a temporada regular foi de tanto destaque a ponto de ser eleito para o All-Star Game . Fechando o quinteto titular, Devin Vassell e Julian Champagnie transmitiram muita segurança na defesa e nos arremessos para três pontos.
Vindo do banco, Keldon Johnson também se destacou e foi eleito o Sexto Homem da temporada. Luke Kornet e Harrison Barnes tiveram grandes papéis ao longo do ano, enquanto Carter Bryant evoluiu ao longo da temporada e passou a fazer parte efetiva da rotação na reta final.
Ainda assim, a diretoria e a comissão entenderam que precisavam reforçar o elenco, especialmente com alguém que pudesse aumentar a estatura do time e, eventualmente, dividir o garrafão junto de Wemby. Assim, foram atrás de Tobias Harris. O experiente ala-pivô de 34 anos foi um dos destaques do Detroit Pistons nos playoffs e tende a aumentar as possibilidades para o técnico Mitch Johnson organizar a equipe.
Por isso, ao menos no papel, os Spurs voltam ainda mais forte para 2026/27. Ainda que outros rivais tenham se reforçado, o time já está de olho nos playoffs, uma vez que a classificação não deve ser tão complicada.
"Nós temos algumas metas entre a gente que nós vamos manter entre a gente. Mas nós vencemos o Oeste no ano passado e não queremos nada menos do que isso nesta temporada. Queremos a primeira colocação na fase de classificação e vamos lutar por esse posto."
A declaração é de Victor Wembanyama, na entrevista coletiva na apresentação do elenco para o início dos trabalhos para a temporada 2026/27. Mesmo sem revelar quais são essas metas que ele e os companheiros estabeleceram entre si, o simples fato de elas existirem já serve para colocar uma dose extra de expectativa sobre como esse time responderá à derrota na decisão.
Num elenco com tantos protagonistas jovens, é natural ancorar a melhora no rendimento geral do time no amadurecimento dos jogadores pelo simples passar do tempo, ganho de experiência e maior quantidade de treinamentos. Nos Spurs, não é diferente. Afinal, Wemby ainda tem 22 anos. Stephon Castle, 21. Dylan Harper, apenas 20. Isso sem contar os quatro novos calouros que chegaram para a temporada, além de outros que já estavam no elenco.
Mas essa evolução, em boa medida, é natural. O que os Spurs fizeram de diferente para esse ano, atende por outro nome e por outra faixa etária: Tobias Harris, de 34 anos. De início, a idade e trajetória do ala-pivô já aumentam a experiência do time. Ao lado de outros jogadores mais rodados, como De’Aaron Fox e Harrison Barnes, pode ajudar a minimizar as chances de um certo descontrole nos momentos decisivos.
Harris vem de uma sequência de oito participações consecutivas em playoffs, pelo Philadelphia 76ers e, por último, pelo Detroit Pistons. Em sete dessas campanhas, teve estatísticas consistentes, sempre acima dos 15 pontos e 7 rebotes de média.
Mas além de ser um jogador confiável, ele oferece algo que os Spurs não tinham. Presença no garrafão ao lado de outro pivô. Para além dos 2,24m de Wembanyama (ou dos 2,16m de Kornet, que praticamente não divide a quadra com o francês), as opções mais altas vêm com Harrison Barnes e Julian Champagnie, de 2,01m cada, ou ainda com Devin Vassell, de 1,96m.
Todos esses eventualmente fazem a “posição 4”, ao menos na defesa, marcando o segundo jogador mais alto do time adversário. No ataque, porém, não ficam no garrafão ou de costas para a cesta. Tobias Harris, por outro lado, faz essas duas coisas muito bem. E também tem bons arremessos de longa e média distâncias, criação do próprio arremesso quando necessário, além de uma defesa competente.
Assim, pode tranquilamente fazer parte de uma formação com quatro ou cinco jogadores abertos, livrando espaço para as infiltrações do restante do elenco, como também fazer estilo mais sisudo, forçando adversários para o garrafão, pontuando na base da imposição física no jogo de meia quadra. Os Spurs colhem os benefícios de ainda terem uma folha salarial baixa, com muitos jogadores em contrato de calouro, podendo ir atrás de nomes como Tobias Harris sem precisar abrir mão de nada. Para o treinador Mitch Johnson, uma opção e tanto para deixar o time mais versátil.
Nada chega perto de ser tão assustador para o torcedor do San Antonio Spurs quanto a possibilidade de perder Victor Wembanyama durante um determinado período por lesão. Enquanto ele estiver saudável e disponível para vestir o uniforme da equipe, qualquer outro problema parece corrigível.
Mas uma coisa que talvez possa vir a ser um incômodo, a depender de como as coisas irão se desenrolar dentro de quadra ao longo dos próximos meses, é o contrato de De'Aaron Fox. Em agosto de 2025, ele assinou uma extensão de contrato com os Spurs por quatro anos no valor de US$ 229 milhões. O novo acordo passaria a valer justamente a partir da temporada 2026/27, pouco depois de ter saído em baixa da final contra o New York Knicks por alguns erros cruciais que cometeu na série.
É claro que há margem para recuperação, a carreira dele não está acabada, nada disso. Mas há outros armadores mais jovens no elenco que podem vir a ser cada vez mais importantes para o sucesso do time e, consequentemente, diminuir o peso de Fox.
Para os Spurs, seria péssimo se alguém que recebe quase US$ 50 milhões por ano virasse alguém tão desvalorizado ao ponto de não servir nem como moeda de troca. Porque é um valor que compromete uma fatia considerável da folha salarial e que poderia ser usado para preencher o elenco de outra maneira.
Se Fox recuperar o prestígio ao ponto de voltar a se consolidar como a segunda estrela do elenco, ótimo. Seria o melhor dos mundos para os Spurs. Mas se a resposta depois da final ruim contra os Knicks for negativa, ele perder espaço e continuar a se valorizar, a extensão contratual de 2025 pode virar um grande problema.
Poucas vezes uma estrela da NBA, seja estadunidense ou estrangeira, demonstra tanta empolgação em fazer parte parte de tudo o que envolve a liga. Victor Wembanyama é um desses poucos. Foram várias as entrevistas em que declarou querer tudo. De aumentar a competitividade do All-Star Game até vencer o título, MVP, MVP das Finais e Melhor Defensor tudo de uma vez. No fim das contas, não que os outros não se importem, mas Wemby faz questão de deixar isso bem claro.
E claro, é preciso chover no molhado: embora esteja entrando em sua quarta temporada na NBA, ainda é impressionante ver alguém de 2,24m (pelo menos) tendo toda a habilidade e desenvoltura do francês.
No último ano, Wemby deixou um pouco de lado a veia de chutador, diminuindo de 8,8 para 5,5 tentativas por jogo, para focar mais no jogo do garrafão, seja recebendo de costas para a cesta, seja correndo em direção ao garrafão. Assim, embora com variações pequenas, a pontuação e os rebotes aumentaram, mesmo jogando quatro minutos a menos por jogo em comparação à temporada passada. A menos que algo muito surpreendente aconteça, ou que os votantes se cansem de escolhê-lo, Wemby também deverá vencer o prêmio de Melhor Defensor por muitos anos na próxima década. Na última temporada, mesmo tendo seus piores números na carreira, ainda conseguiu 3,1 tocos e 1 roubo por partida, muito acima de qualquer outro nome na liga.
Mesmo com outros jogadores mais experientes - e vencedores no elenco, Wembanyama faz questão de chamar a responsabilidade e liderar a equipe. Por ter um físico incomum, por vezes precisa ser poupado para evitar lesões, mas caso não volte a ter graves problemas de saúde, como os coágulos sanguíneos na temporada retrasada, seguirá como um dos rostos da liga por muito tempo.
Embora Castle seja um bom complemento a Wemby, e Tobias Harris tenha chegado para exercer um papel importante no elenco, Dylan Harper parece ser o ponto central para determinar o sucesso do time num futuro próximo.
Afinal, o ala-armador teve grandes atuações durante os playoffs, chegando a substituir um instável De’Aaron Fox em diversos momentos. Ainda durante as séries, Harper não exitou em declarar que acha que precisa ser titular e que deixá-lo no banco é um erro. A mensagem foi repetida na pré-temporada, mostrando que a mentalidade do jovem segue a mesma.
O problema é que ainda não é simples encontrar um espaço para ele em meio ao quinteto atual dos Spurs. De’Aaron Fox ainda é, por muito, o jogador mais bem pago do elenco, além de um dos mais experientes. Para juntar o trio Fox/Castle/Harper, seria necessário abrir mão de Champagnie ou Devin Vassell, o que diminuiria ainda mais o tamanho do quinteto, que pode ficar vulnerável aos ataques adversários. Isso sem contar a presença de Tobias Harris, que também deve ser titular em vários momentos.
Harper já mostrou que tem talento e potencial de sobra para evoluir ainda mais. Mas se criar instabilidade dentro do elenco, principalmente com as declarações públicas, pode por tudo a perder e atrapalhar o desenvolvimento da equipe.
4,5 (alto para máximo) - Wembanyama por si só já é uma atração e tanto. O francês já é dominante e parece cada vez melhor, nem precisava de muito mais do que isso para convencer alguém sobre o poder de encanto deste time. Como se isso não bastasse, os Spurs têm alguns outros moleques versáteis e cheios de intensidade, que não ficam tão presos assim ao conceito de posição. É uma proposta muito legal de se ver, principalmente em um candidato ao título que parece mordido pela derrota na decisão no último ano.
No cenário mais otimista: Wembanyama se mantém saudável ao longo de toda a temporada, a classificação para os playoffs é tranquila mais uma vez, e os Spurs voltam a disputar o título. No cenário mais pessimista: o time até vai bem, mas por deixar de ser uma surpresa, não consegue repetir o domínio do último ano. Consegue ir aos playoffs, mas cai antes da final da Conferência Oeste.
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