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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: O técnico expressa um forte desejo de retornar ao clube, elogia a torcida e a história, e considera a passagem marcante, indicando um viés positivo e afeto.

Viés da Menção (Score: 0.8)

Motivo: O treinador destaca a passagem pelo Cuiabá como 'brilhante' e o cita como referência em gestão, demonstrando uma visão muito positiva sobre a experiência.

Viés da Menção (Score: 0.7)

Motivo: Embora não se arrependa, ele descreve a experiência como 'brevíssima' e com cenário 'delicado', indicando um tom de reflexão sobre as dificuldades enfrentadas.

Viés da Menção (Score: -0.2)

Motivo: A experiência foi descrita como 'brevíssima' e com poucas partidas, sugerindo um período de adaptação e resultados não ideais, com um tom de aprendizado.

Viés da Menção (Score: -0.2)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Corinthians Sport Abel Ferreira Jorge Jesus Brasil Carlos Miguel Paulinho Cuiabá Mano Menezes Remo António Oliveira Benfica Cássio Augusto Melo Fagner Emerson Leão Oswaldo de Oliveira Toni

Conteúdo Original

António Oliveira relembra passagem pelo Corinthians e por que barrou Cássio Depois de cinco anos seguidos de trabalho no futebol brasileiro, António Oliveira vive em Lisboa um dos períodos mais raros de sua carreira: o tempo livre. O técnico português aproveita para estudar, descansar e retomar o convívio familiar após a rotina intensa que marcou suas passagens recentes por Cuiabá, Athletico-PR, Sport, Remo e Corinthians. – Estou a aproveitar algo que já há muito tempo não fazia: desfrutar do meu tempo em família, com os meus filhos, com a minha mulher, acompanhar os meus pais. É sempre muito difícil estar longe de casa e de quem amamos. Agora penso em descansar e ouvir propostas que ofereçam confiança ao treinador e projetos sustentados. Sobre o futuro, António evita limitar possibilidades. Apesar de ter construído boa parte da carreira no Brasil, o técnico diz estar aberto a outros mercados. – Pela minha trajetória, é evidente que o Brasil está no meu radar, mas não foi nada premeditado. As coisas foram acontecendo desde que cheguei ao Santos, em 2020 (como auxiliar). Hoje o futebol é global, e eu escolho projetos que tenham confiança no treinador, organização, responsabilidade e tempo para que as coisas aconteçam. 1 de 7 António Oliveira na passagem pelo Corinthians — Foto: Marcos Ribolli António Oliveira na passagem pelo Corinthians — Foto: Marcos Ribolli Nos últimos meses, António viveu duas experiências breves: Sport e Remo - no primeiro ficou apenas quatro partidas, enquanto que no segundo foram menos de três meses de trabalho. Apesar disso, diz não carregar arrependimentos, apenas reflexões. – Em nenhum momento me arrependo. Sabia dos riscos. Sempre entrei em projetos extremamente desafiantes. Fiz o melhor possível dentro dos recursos e do tempo. Mas sou um treinador de processo, e sem estabilidade não há crescimento – explica. No Sport, ele lembra o cenário delicado ao assumir o clube na lanterna do Brasileirão. O time pernambucano, mesmo depois da demissão de António Oliveira, seguiu na última posição por todo o Brasileirão e acabou sendo rebaixado para a Série B de 2026. – O clube estava extremamente instável, com dois pontos em sete rodadas. Emocionalmente abalado e com pressão natural. Houve evolução clara, reconhecida internamente, mas era preciso resultado imediato, e o calendário pesou muito. 2 de 7 Técnico António Oliveira em ação durante treino do Sport — Foto: Paulo Paiva/Sport Club do Recife Técnico António Oliveira em ação durante treino do Sport — Foto: Paulo Paiva/Sport Club do Recife O sucesso de nomes como Abel Ferreira e Jorge Jesus influencia a percepção sobre técnicos portugueses no Brasil, algo que António reconhece como positivo e também desafiador. – Abre portas, mas aumenta a expectativa. Nem todos são Abel ou Jesus. Há bons e maus treinadores em Portugal e no Brasil. O treinador português evoluiu muito e, quando se adapta rápido ao contexto brasileiro, normalmente tem longevidade. António Oliveira analisa "sombra" de Abel Ferreira e Jorge Jesus no futebol brasileiro Sobre as declarações xenofóbicas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira , António admite incômodo, mas prefere tratar como um episódio isolado. – Foi uma intervenção infeliz e deselegante, mas pontual. Sempre fui bem recebido no Brasil, que faz parte da minha vida. 3 de 7 Abel Ferreira e António Oliveira durante Palmeiras x Corinthians - — Foto: Marcos Ribolli Abel Ferreira e António Oliveira durante Palmeiras x Corinthians - — Foto: Marcos Ribolli O técnico vê evolução nas condições de trabalho oferecidas no Brasil, mas destaca que bons dirigentes são tão essenciais quanto bons treinadores. E isso, segundo ele, interfere diretamente na sequência e consolidação de um bom trabalho. – Tive dois anos brilhantes no Cuiabá, que para mim é referência em gestão desportiva e financeira. O Palmeiras é outro exemplo. O problema de muitos clubes é a incapacidade de avaliar o processo. Mudam muito, vivem sob pressão externa e procuram bodes expiatórios. António classifica sua passagem pelo Corinthians como uma das mais marcantes da carreira. O português não esconde o desejo de retornar ao clube futuramente. António chegou para substituir Mano Menezes e foi o primeiro técnico contratado na gestão de Augusto Melo. – Assumir o Corinthians foi uma das maiores responsabilidades do futebol brasileiro. O clube vivia um momento muito instável dentro e fora de campo. Jogámos organizados, competitivos, passamos todas as fases eliminatórias, fomos primeiros na Sul-Americana. – Tem uma torcida fenomenal, fantástica, que aprendi a amar. Um torcida que carrega qualquer treinador, qualquer jogador para a frente, tenho respeito absoluto pelo clube, pelos jogadores e pela torcida. Dei tudo o que tinha todos os dias e digo-lhe de uma forma muito franca que um dia gostaria de regressar – disse António. 4 de 7 António Oliveira e Paulinho em treino do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians António Oliveira e Paulinho em treino do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians O treinador, porém, lembra que o ambiente turbulento e as saídas de lideranças impactaram o rendimento no clube. Ao todo, foram 27 jogos, 12 vitórias, oito empates, sete derrotas e aproveitamento de 54%. – As saídas do Cássio, do Paulinho e a lesão do Fagner pesaram. O início do Brasileiro penaliza muito se os resultados não aparecem. Mas saio de consciência tranquila: construímos identidade e competitividade. António Oliveira comenta vida em Portugal e avalia retorno ao mercado António detalha o episódio envolvendo a saída de Cássio do Corinthians, decisão técnica que antecedeu a despedida do ídolo. O treinador foi o responsável por colocar o goleiro no banco de reservas após um desabafo sobre saúde mental feito por Cássio depois de uma partida válida pela Copa Sul-Americana. – Sempre quis contar com o Cássio. A decisão de o tirar foi técnica, mas também para o proteger, porque ele atravessava um momento emocional difícil. A saída do clube foi entre ele e a direção. 5 de 7 António Oliveira e Carlos Miguel conversam durante jogo do Corinthians — Foto: Marcos Ribolli António Oliveira e Carlos Miguel conversam durante jogo do Corinthians — Foto: Marcos Ribolli Sobre Carlos Miguel, que foi bancado pelo técnico após barrar Cássio, António admite decepção pela saída repentina do goleiro do Corinthians. – Ele sabe que me decepcionou. Deixou-me com o bebê na mão. Tínhamos acordado que faria os oito jogos até a parada. Mas aprendeu com o erro, e temos ótima relação – relembra António. O português vê com tristeza o atual momento financeiro e administrativo do Corinthians, que mesmo assim foi campeão paulista e da Copa do Brasil em 2025. – Um dia a conta iria chegar. É um gigante com potencial tremendo, mas erros de gestão levaram a um momento caótico. Espero que estabilize – disse António. 6 de 7 António Oliveira na passagem pelo Remo na Série B do Brasileiro — Foto: Raul Martins / Ascom Remo António Oliveira na passagem pelo Remo na Série B do Brasileiro — Foto: Raul Martins / Ascom Remo Mesmo longe do campo, António mantém rotina intensa de estudos. Apesar do tempo dedicado aos amigos e família, o treinador segue acompanhando jogos e o noticiário, principalmente do futebol brasileiro. – É impossível cortar o futebol. Estudo o jogo, diferentes formas de defender, atacar, sair de pressão, bolas paradas. Compilo tudo que foi treinado e jogado. É momento de reflexão. Filho de uma das maiores figuras da história do Benfica, António fala com orgulho da influência familiar. Seu pai, Toni, é um dos nomes mais conhecidos da história do futebol português, com longa carreira como jogador, treinador e atualmente comentarista esportivo. – Ele sofre comigo, acompanha de perto. Foi ele e minha mãe que me ensinaram valores e princípios. Mais do que formar jogadores, quero formar homens. Bons grupos ganham jogos. 7 de 7 António Oliveira ao lado do pai, Toni Oliveira — Foto: Reprodução António Oliveira ao lado do pai, Toni Oliveira — Foto: Reprodução António não fecha portas para um retorno ao futebol brasileiro, mas agora é criterioso. – Só saio de Portugal para projetos com provas dadas de confiança ao treinador e tempo para implementar processo. Quero desfrutar da família, recuperar o que perdi nesses cinco anos. Mas, se surgir um projeto sólido, estarei disposto a regressar ao Brasil ou a qualquer mercado.