Conteúdo Original
Futebol Lesões e opções exigem improvisos e quebram tradição em laterais da seleção Pedro Lopes e Thiago Arantes Colunistas do UOL 17/03/2026 05h30 Deixe seu comentário Alex Sandro ao lado de Danilo e Neymar em jogo da seleção brasileira na Copa 2022 Imagem: Tnani Badreddine/DeFodi Images via Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Daniel Alves e Marcelo, Cafu e Roberto Carlos: laterais completos e capazes de inspirar medo em defesas adversárias foram parte, por anos, do DNA da seleção brasileira. Em 2026, entretanto, isso parece ser um passado distante. Um misto de opção tática, características geracionais e uma crise de lesões romperam a tradição. O técnico Carlo Ancelotti anunciou hoje a convocação para os últimos amistosos antes da Copa do Mundo - dia 26, diante da França, e dia 31, diante da Croácia. Na lista, os dois veteranos do Flamengo, Alex Sandro e Danilo - o segundo, já há anos, acostumado a atuar como zagueiro e reserva no clube; Wesley, o mais ofensivo dos nomes, mas que vem jogando como ala-esquerdo na Roma; Douglas Santos, do Zenit, mais conhecido pela solidez defensiva do que pelo apoio ao ataque. Milly Lacombe Por que Neymar é uma obsessão nacional? Josias de Souza Vorcaro mostra disposição de cuspir no espelho Alexandre Borges Burocracia do ECA Digital cria novos problemas Joel Pinheiro da Fonseca Pode uma mulher trans representar as mulheres? Ancelotti tinha no radar laterais mais ofensivos e tradicionalmente "brasileiros": Caio Henrique, na esquerda, e Vanderson, na direita, ambos do Monaco, mas os dois sofreram lesões mais graves nas últimas semana e devem perder a chance de ir ao Mundial. Outros nomes com características de mais chegada ao ataque como Paulo Henrique, do Vasco, não se firmaram no grupo. Diante desse cenário, a lista dos amistosos se torna uma projeção de um cenário ainda mais conservador que se desenha para a Copa do Mundo. Como o UOL já tinha revelado, na semana passada, Ancelotti deve suprir a carência nas laterais com zagueiros de origem que já tenham feito a função. A principal aposta hoje para ser o titular da posição é, mesmo lesionado, Éder Militão, do Real Madrid. Em recuperação de uma lesão no bíceps femoral da perna esquerda na Espanha, é monitorado pela seleção e acompanhado pelo fisioterapeuta Ricardo Sasaki. A reta final da sua preparação envolve um trabalho físico já específico, voltado para prepará-lo para desempenhar como lateral no Mundial. Ele deve voltar aos gramados em abril. Militão foi testado na função na última Data Fifa de 2025. Contra Senegal, foi um dos destaques na vitória da seleção por 2 a 0, em Londres. Diante da Tunísia, foi deslocado para o centro da defesa, e a seleção empatou por 1 a 1. Continua após a publicidade Danilo também se encaixa nesse contexto - é, há anos, desde a Juventus da Itália, zagueiro, mas atuou na lateral durante boa parte da carreira. Sua presença no grupo se justifica também pela liderança que exerce sobre outros jogadores, considerada positiva por Ancelotti. Marquinhos é outro zagueiro que também pode atuar pela direita, se necessário. Do lado esquerdo, Alex Sandro está praticamente garantido como a bola de segurança. Embora não seja zagueiro, é um jogador que equilibra as funções ofensiva e defensiva, e destacou-se ao longo da carreira mais pela regularidade do que pelo brilho. Aos 35 anos, ele vem, entretanto, demonstrando incômodo com os rigores do calendário brasileiro. A produção ofensiva da seleção brasileira pelos lados do campo estará, majoritariamente, a cargo dos vários pontas talentosos que Ancelotti tem à sua disposição. Com os zagueiros/laterais praticamente certos pela direita, e Alex Sandro pela esquerda, restam duas vagas mais abertas para um lateral de ofício, uma pela direita, outra pela esquerda. Wesley e Douglas Santos largam na frente para conquistá-la em definitivo, mas independente de quem acabe chegando no Mundial, a era de ouro dos grandes laterais ofensivos brasileiros está, no mínimo, suspensa. Continua após a publicidade O caso da seleção brasileira mostra uma das principais características de Ancelotti: a adaptação a diferentes cenários. O italiano é reconhecido por saber usar bem as peças que tem — nunca foi um treinador de um estilo só, nem muito menos do tipo que pedia contratações aos clubes. Um exemplo recente foi o Real Madrid, último clube dele antes de chegar à seleção. Diante de problemas de lesões nas últimas temporadas, Ancelotti mudou a característica do time, passando a atuar com volantes improvisados como laterais; no caso, Federico Valverde na direita e Eduardo Camavinga na esquerda. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Luciana Gimenez brinca sobre homens: 'Não tá dando pra escolher' Correia: Presidente da CPMI do INSS tem barrado investigações importantes Ex-namorada de Vorcaro nega ocultação de patrimônio nos EUA Adolescente morre após explosão de micro-ondas em restaurante em SP Foragido do 8/1 usou fake news para obter refúgio político na Argentina