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O público do GP de São Paulo quase dobrou em seis anos, saltando de 160 mil pessoas em 2019 para 303 mil em 2025 e batendo recordes de público ano após ano. Isso significa uma economia maior durante o evento, mas também mais gente entrando pelo trem da CPTM, mais filas se formando na chegada e mais pressão sobre o entorno do Autódromo de Interlagos .
Diante desse crescimento, a mobilidade virou o nó central do evento, e é justamente esse ponto que o prefeito Ricardo Nunes e o CEO do GP, Alan Adler, prometem ter resolvido para a edição de 2026. Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (29), ambos detalharam as intervenções planejadas para a operação deste ano. A pergunta central foi direta: diante do crescimento contínuo de público, quais foram os principais gargalos de mobilidade e logística identificados nos GPs anteriores e o que a Prefeitura fez para corrigi-los?
Em resposta ao Lance! , Nunes foi objetivo: um grande volume de pessoas se acumulava na área de espera para entrar no autódromo, especialmente pelos acessos ligados à estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A Prefeitura tirou um muro e construiu grades para ampliar os acessos. Em paralelo, realizou um investimento em passarela e túnel na saída do trem, em uma obra que visa permitir que os passageiros desçam com segurança e caminhem até a entrada pela Avenida Interlagos com mais fluidez.
Contudo, o prefeito explicou que nem tudo é papel dele: "Tem coisas que dependem da prefeitura e tem coisas que dependem da Fórmula 1". Com uma boa relação entre as partes, Nunes comentou que pediu à entidade automobilística que aumentasse o número de catracas e portões de entrada, melhorando o fluxo do local.
O CEO do GP de São Paulo, Alan Adler, confirmou que a organização acatou a sugestão. "Sem dúvida, e fazia todo sentido. Com todas essas melhorias que o prefeito citou, a gente está muito otimista de que esse ano, apesar de o público não parar de crescer, nós vamos ter muito mais fluxo na entrada e na chegada", declarou.
Além das intervenções diretas no autódromo, Nunes listou obras em andamento no entorno que devem afetar a mobilidade nos próximos anos. O alargamento da Ponte Interlagos está em fase avançada, com os pilares já sendo erguidos. A Prefeitura também conduz um investimento de mais de R$ 100 milhões para requalificação do corredor da Avenida Interlagos, incluindo o enterramento de fiações ao longo de toda a extensão da via, de um valor de R$ 9,8 milhões apenas para essa etapa. A obra exige tubulação subterrânea e remoção de postes. Uma passarela provisória que atende ao fluxo de pedestres está em processo de se tornar estrutura permanente.
Para a operação de trânsito em si, o prefeito destacou a parceria com o governo do Estado. Segundo Nunes, há bolsões para ônibus, táxis e aplicativos de transporte, coordenação com o secretário de transporte e com a SPTrans, e um plano de mobilidade que, segundo Adler, foi elaborado com três meses de antecedência. "Eu tenho certeza de que vai funcionar muito bem", disse o CEO.
Nunes lembrou ainda que São Paulo já recebe grandes eventos com alta densidade de público em outros locais da cidade, o que obriga a gestão municipal a lidar constantemente com esse tipo de demanda. "São Paulo se tornou uma grande cidade mundial e tudo que você colocar aqui vai ter muita gente", afirmou o prefeito.
A edição de 2026 também marca os 35 anos da primeira vitória de Ayrton Senna no GP do Brasil em Interlagos, na famosa corrida em que ficou apenas com a sexta marcha. Adler mencionou que o evento deve incluir homenagens ao tricampeão, além do novo mural, assinado pelo artista plástico Eduardo Cobra, feito na curva do Senna no Autódromo de Interlagos.