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Desde 2019, quando perdeu as Finais para o Toronto Raptors de Kawhi, o Golden State Warriors vive uma progressão estranha na NBA . Entre lesões, mudanças no elenco e desfalques de toda a natureza, ficaram fora dos playoffs duas temporadas seguidas, para então vencerem a liga novamente em 2022. Depois, alternou quatro anos chegando até a semifinal da Conferência Oeste (mesmo sem campanhas dignas de de nota na temporada regular) com ficar fora dos playoffs novamente, como ocorreu na temporada passada.
Agora, os problemas permanecem, o elenco já começa desfalcado, mas com algumas novidades e, bem, com Stephen Curry, o que é o suficiente para não ignorar as possibilidades da franquia. Ainda assim, os próximos meses tendem a ser nebulosos. Na prática, qualquer resultado é esperado e possível.
Campanha: 37 vitórias e 45 derrotas
Classificação: 9º lugar na Conferência Oeste
No play-in: eliminado pelo Phoenix Suns, depois de passar pelo Los Angeles Clippers no primeiro jogo O que aconteceu: os Warriors foram o oitavo lugar por excelência na Conferência Oeste. Do meio de novembro até o meio de março a posição da equipe praticamente não mudou, algo muito incomum para um posto no meio da tabela. Com muitas lesões e testes ao longo da temporada, o desempenho foi irregular. Mas como a vaga no play-in não foi ameaçada em praticamente nenhum momento, a queda de aproveitamento na reta final não foi particularmente preocupante. Contudo, ficou um gosto amargo de que os últimos anos de Stephen Curry, Draymond Green e Jimmy Butler estão sendo desperdiçados com muitas lesões e elencos pouco competitivos.
Escolhas de Draft: Yaxel Lendeborg (ala, 11ª escolha)
Quem mais chegou: Dalen Terry (ala-armador - Philadelphia 76ers), Brandon Williams (armador - Dallas Mavericks), Graham Ike (ala-pivô - sem time) e Georges Niang (ala-pivô - sem time)
Quem foi embora: Quinten Post (pivô - Memphis Grizzlies), Pat Spencer (armador - Phoenix Suns) e Seth Curry (armador - sem time)
Provável time titular: Stephen Curry, Brandin Podziemski, Yaxel Lendeborg, Draymond Green e Kristaps Porzingis
Reservas: De’Anthony Melton, Gary Payton II, Brandon Williams (armadores), Moses Moody, Dalen Terry, Will Richard (alas-armadores), Jimmy Butler, Gui Santos (alas), Graham Ike, Georges Niang (alas-pivôs), Al Horford e Charles Bassey (pivôs)
Técnico: Steve Kerr
Os Warriors viveram a expectativa de contar com LeBron James a partir da próxima temporada, unindo os dois jogadores mais impactantes da geração para atuarem juntos nos últimos anos da carreira de ambos. Mas o King optou pelo Philadelphia 76ers, e os Warriors continuam com a mesma base que jogou nas últimas temporadas.
E os problemas também permanecem. Jimmy Butler, ainda se recuperando do rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho, só deve voltar em 2027. Kristaps Porzingis ficou fora do training camp (e possivelmente do início da temporada) por um problemas de saúde não especificado.
O sopro de novidade no elenco atende pelo nome de Yaxel Lendeborg. O “calouro-veterano” de 24 anos chegou agradando a todos e tem treinado entre os titulares na pré-temporada. Além dele, o armador Brandon Williams e o ala-pivô Georges Niang estão entre as adições de maior rodagem na liga. Fora das quadras, a principal chegada foi a de Frank Vogel, campeão em 2020 pelo Los Angeles Lakers, para treinar a defesa da equipe.
Nas entrevistas de pré-temporada, Steve Kerr já declarou que o fato da expectativa geral ser que os Warriors no máximo por play-in dá mais liberdade para a equipe trabalhar “fora do radar”. Embora Stephen Curry discorde que esse seja o teto da equipe, fato é que as coisas precisarão dar muito certo e as lesões não poderão mais atrapalhar tanto assim as principais estrelas da equipe para brigarem pelos playoffs.
Mas há um elemento que pode chacoalhar os Warriors nos próximos meses. Stephen Curry assinou uma extensão de contrato por duas temporadas e US$116 milhões a partir de 2027/28, 20 milhões a menos do máximo. Isso dá espaço na folha salarial da franquia, que pode ir atrás de reforços antes da trade deadline ou da offseason , em trocas que possam reforçar o time na reta final da carreira de Stephen Curry, que ainda joga em altíssimo nível.
"A coisa mais importante para mim é manter Draymond Green e Steph Curry juntos o máximo possível. Esses caras ainda estão no topo da liga em termos de eficiência ofensiva quando estão juntos em quadra. Mas, a exemplo do que acontece em todas as temporadas, temos agora novas peças. Vamos tentar encontrar combinações que mais façam sentido para a gente além dos dois."
A declaração é do técnico Steve Kerr, deixando bem claro o que já tem de certeza em meio a tanta experiências que pretende fazer com o elenco dos Warriors em busca das melhores formações para a temporada.
A comissão técnica dos Warriors ganhou o reforço de Frank Vogel, que chega para ser um dos assistentes de Steve Kerr depois de algumas experiências como treinador principal em outros times da liga. Chegou, inclusive, a ser campeão com o Los Angeles Lakers em 2020. E uma de suas principais características, se não a principal, é a capacidade de montar esquemas defensivos bastante sólidos.
Vogel chegou a declarar que uma das razões que mais o animaram para aceitar o novo trabalho é a presença de Draymond Green no elenco, quem ele considera um defensor que várias vezes o incomodou ao longo da carreira quando precisou enfrentar os Warriors. Green pode estar um ou dois degraus abaixo do que um dia já esteve fisicamente, mas ainda é um dos jogadores mais inteligentes sob o aspecto defensivo da NBA. Há motivos para se ficar bastante animado com essa experiência dos dois juntos.
Na temporada passada, a defesa dos Warriors foi apenas a 16ª no ranking das mais eficientes da liga. Se Vogel conseguir implementar uma melhora nesse sentido, é plausível imaginar esse time bem mais competitivo do que foi no último ano.
O medo para os Warriors está posto e ativo desde antes da temporada. Ninguém duvida da capacidade de Curry, Butler, Green e Porzingis decidirem não apenas uma partida, mas toda uma série de playoffs. O problema é que eles não conseguem jogar juntos.
Jimmy Butler só voltará às quadras, no mínimo, em janeiro, aos 37 anos e após uma cirurgia por rompimento no ligamento cruzado anterior. Já a presença de Porzingis é sempre uma incógnita, devido aos inúmeros problemas de saúde, nem sempre explicados, que o tiram de inúmeros jogos, incluindo do training camp na pré-temporada.
Curry ainda consegue ser um dos jogadores mais impactantes da liga, mas uma temporada de 82 jogos para o astro de 39 anos é desgastante além do que o físico consegue aguentar para manter o rendimento no mais alto nível. Sozinho, não tem conseguido levar os Warriors muito longe.
Tirando a qualidade dos jogadores da análise, o desfalque de Butler nem gera um grande buraco no elenco, quem muitos alas e ainda ganhou a adição de Lendeborg. Mas sem Porzingis, o garrafão fica aos cuidados de Draymond Green, de 36 anos, e Al Horford, de 40. Depois deles, apenas Georges Nieng e Charles Bassey, além de formações mais baixas com Gui Santos ou Lendeborg na posição quatro.
No fim das contas, o medo dos Warriors não é algo que pode acontecer, mas sim uma situação que segue em curso. Eles até têm a própria pick no Draft e podem sonhar com uma sorte na loteria, caso não alcancem os playoffs. Mas seria o fim de carreira mais melancólico possível para os tetracampeões Stephen Curry e Draymond Green.
Stephen Curry, claro. As lesões o limitaram a apenas 43 atuações na temporada passada, mas quando entrou em quadra, foi o principal definidor de jogadas dos Warriors. Mais do que isso: mostrou que continua sendo uma das grandes estrelas da liga.
Foram 26,6 pontos, 4,7 assistências e 3,6 rebotes de média em cerca de 31 minutos de ação por partida, produção que o levou mais uma vez ao All-Star Game . O aproveitamento nas bolas de três foi de 39,3%, o que fica um pouco abaixo do que já apresentou em seus melhores, mas ainda o coloca como um especialista.
Por se tratar de um jogador de 37 anos e prestes a iniciar a sua 18ª temporada na NBA, é de se esperar que Curry não consiga ser o mesmo dos seus melhores dias na carreira. Mas se conseguir escapar das lesões e entrar mais vezes em quadra, é provável que continue sendo bom o bastante para ser considerado uma estrela na liga.
Para os Warriors, seja pensando em tentar competir contra as potências da conferência ou em desenvolver as peças ao redor, seria essencial poder contar mais vezes com o armador. O time é um com ele, outro sem.
Yaxel Lendeborg é uma das sensações das semanas entre o Draft e o início da temporada. Campeão da NCAA por Michigan, ao lado de Morez Johnson Jr., que foi para o Dallas Mavericks, e Aday Mara, para o Oklahoma City Thunder, o ala terá 24 anos no início da NBA, uma idade incomum para ser selecionado numa posição tão alta: 11.
Ele é da mesma idade de Gui Santos e Moses Moody, que já têm três e cinco temporadas na NBA, respectivamente. E mais velho que Brandin Podziemski, profissional há três anos e disparado o jogador com mais minutos no último ano. Extrapolando para outras franquias, ele terminou o ensino médio no mesmo ano que Cade Cunningham, do Detroit Pistons, e Scottie Barnes, do Toronto Raptors, já considerados estrelas da liga.
Seja pela maior experiência ou pelo físico mais desenvolvido que a idade “avançada” lhe garante em relação aos colegas da classe de 2026, Yaxel foi o grande nome da Summer League. Com 14,8 pontos, 6,8 rebotes e 4 assistências de média, foi eleito o MVP da competição , liderando os Warriors ao título. Na final, contra o Memphis Grizzlies de Cameron Boozer, anotou um duplo-duplo de 21 pontos e 10 rebotes, sendo nove pontos no último período.
No training camp do GSW, tem se destacado pela imposição física e capacidade de se integrar ao sistema do time rapidamente, numa adaptação mais rápida que o usual. Nesse aspecto, Jaime Jaquez Jr. viveu uma história semelhante no Miami Heat, ao ser draftado mais velho e se destacar no ano de calouro, ficando em quarto lugar na votação de novato do ano. Resta saber se Lendeborg conseguirá se consolidar em um nível bem mais alto de competitividade, bem como entender se ele já chegou no topo de sua evolução, ou ainda tem espaço para crescimento.
Também precisamos falar de Brandin Podziemski. O ala de 23 anos ganhou a confiança de Steve Kerr e se tornou o criador secundário do time, assumindo a responsabilidade na ausência de Stephen Curry e Jimmy Butler. Embora tenha desempenhos irregulares, com aproveitamento baixo e muitos erros, é um jogador assíduo. Sem sofrer com lesões, atuou nos 82 jogos da temporada, com 2.333 minutos na temporada regular.
Mesmo com praticamente a mesma minutagem desde de que chegou à NBA, entre 26 e 28 minutos de média, tem aumentado o volume e aumentado os números a cada ano. Apesar do aumento da concorrência no elenco, certamente seguirá, ao menos no início, como um dos principais jogadores do time.
O brasileiro teve duas metades de temporada bem distintas. Na primeira, raramente jogava mais de 15 minutos, com pouco protagonismo. Na segunda, a partir da segunda quinzena de janeiro, ganhou muito espaço, foi titular em diversas partidas e ganhou relevância na equipe, jogando maior quantidade de minutos, cada vez mais decisivos, chegando a anotar 31 pontos numa partida.
É verdade, ganhou o espaço por conta das várias lesões dos concorrentes de posição, mas agarrou a oportunidade com unhas e dentes, se destacou, e recebeu uma série de elogios de Steve Kerr e dos companheiros de equipe. As atuações foram boas o suficiente para render uma renovação de contrato por três temporadas , que o colocarão muito perto do top 5 de jogadores com mais partidas na NBA.
Contudo, os lesionados estão de volta, ou voltarão logo no início da temporada. Nomes como De’Anthony Melton, Moses Moody e, principalmente, Jimmy Butler, disputarão minutos com o brasileiro. Mas a principal “ameaça” se chama Yaxel Lendeborg. O porto-riquenho joga na mesma posição de Gui, tem ótimos atributos físicos e se destaca nos dois lados da quadra, coisa que até então só o brasileiro fazia com regularidade.
Mas isso não é novidade na carreira de Gui Santos. Em outros momentos, inclusive na NBA, ele conquistou espaço superando fortes concorrências. Além disso, ele já tem muito mais carinho da torcida e dos companheiros que em outros momentos, bem como um jogo muito mais maduro e versátil. Se conseguir reduzir a quantidade de turnovers, sua maior debilidade atualmente, não terá dificuldades para permanecer como um dos principais nomes do elenco depois dos astros.
4 (alto) - Stephen Curry ainda está na ativa, e é bom o fã de basquete continuar aproveitando enquanto dá, porque vai saber quanto tempo mais a carreira de um dos melhores de todos os tempos vai durar. Só a presença dele já seria um motivo e tanto para tornar os Warriors atrativos, mas tem também outras boas histórias, como a sequência do desenvolvimento de Gui Santos, os primeiros passos de Yaxel Lendeborg, que mostrou-se um jogador muito interessante no basquete universitário, e a volta de Jimmy Butler, que deverá acontecer em algum momento da temporada. Se as lesões permitirem, é um time que tem tudo para ser divertido de se acompanhar.
No cenário mais otimista: Curry mostra que ainda é uma das grandes estrelas da liga, Lendeborg causa impacto logo de cara, o time consegue se mostrar competitivo no Oeste ao ponto de brigar por mando de quadra nos playoffs e, talvez, até chegar à segunda rodada.
No cenário mais pessimista: um roteiro mais ou menos como o da última temporada passada, com apenas alguns flashes de encanto em meio a uma campanha de mais derrotas do que vitórias, que coloca o time longe dos principais concorrentes do Oeste e fora dos playoffs.
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