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Esporte Futebol Copa do Mundo Pausa de hidratação cria 7 gols e transforma futebol em novo esporte Thiago Rabelo Colaboração para o UOL, em Nova Jersey (EUA) 19/06/2026 12h00 Atualizada em 19/06/2026 12h00 Deixe seu comentário Time da Austrália durante pausa para hidratação contra a Turquia. Nos dois tempos, time aproveitou a parada e marcou gols Imagem: Albert Gea - 13.jun.2026/Reuters Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vini Jr. recebeu de Bruno Guimarães na ponta esquerda aos 31 minutos do primeiro tempo, deu um drible, carregou para dentro da área e chutou cruzado. O primeiro gol da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, que valeu o empate em 1 a 1 com o Marrocos, mostrou que o técnico Carlo Ancelotti entendeu o novo esporte que está sendo disputado em campos de EUA, Canadá e México: o futebol em quatro períodos. O espaço que surgiu no lado esquerdo do ataque brasileiro foi o resultado direto de uma mudança tática que o italiano fez aos 23 minutos, deslocando Raphinha para o lado direito. E essa decisão foi fácil porque, naquele momento, todo o time estava ao lado de Ancelotti, ouvindo explicações durante a pausa de hidratação. No Mundial, todas as partidas param duas vezes em cada tempo, aos 23 minutos. A Fifa chama de "pausa de hidratação". Foi pensada para enfrentar as altas temperaturas da América do Norte em junho e julho. O problema é que acontecem quando chove ou faz frio —como na vitória de Gana sobre o Panamá por 1 a 0 em Toronto— e até em estádios climatizados, como em Dallas. Josias de Souza Wagner se consolida como quase-futuro-ex-líder PVC Copa é sucesso de crítica. Deu no New York Times! José Fucs Não é de esquerda? Frases de Lula que o desmentem Juca Kfouri O 4º jogo entre as seleções do Brasil e do Haiti Na prática, o "cooling break" (pausa para esfriar) está mudando a dinâmica do futebol como nós conhecemos. Um jogo com dois tempos de 45 minutos em que jogadores eram obrigados a encontrar saídas táticas com influência pequena de quem está fora das quatro linhas tem sido um jogo muito mais tático, em que, a cada 20 minutos, os técnicos conseguem ajustar posicionamentos e intensidade de jogo para se ajustar ao que o rival está fazendo. Além, claro, de descansar as pernas. O gol de Vini foi um dos sete gols que aconteceram em menos de dez minutos depois de cada uma das pausas nos primeiros 26 jogos do torneio. O melhor exemplo aconteceu em Austrália 2 a 0 contra a Turquia. Os dois gols australianos saíram após pausas. Um no primeiro tempo, outro no segundo. Japão, Bósnia, Suíça e Áustria também aproveitaram. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês É importante dar duas chances para o técnico ajustar o time. Então, a pausa é positiva. Mas se você está dominando antes da pausa, depois dela você precisa construir esse domínio novamente. Didier Deschamps, técnico da França Se a temperatura sobe de 30 para 35 graus, como na Copa América [de 2024], essa pausa para hidratação é correta e benéfica para os jogadores. Mas as pausas de três, quatro, cinco minutos fogem da essência de hidratação. É outra coisa. Nestor Lorenzo, técnico da Colômbia Oportunidade para técnicos, críticas para jogadores Antes da Copa do Mundo, o UOL falou com jogadores e técnicos que já previam as mudanças. Um deles foi o meia Willian, atualmente no Grêmio. Jogador da seleção brasileira entre 2011 e 2019, ele não vê necessidade da obrigação, como existe na Copa. Continua após a publicidade "Acho que a parada para hidratação vale apenas nos lugares mais quentes como é agora nos Estados Unidos nesse meio do ano. No Brasil, por exemplo, eu não vejo necessidade nessa parada", avaliou. No Campeonato Paulista deste ano, a Federação Paulista adotou sistema semelhante, mas com uma pausa inferior, de dois minutos. Atual técnico da Chapecoense, Fábio Mathias comandou a Portuguesa, equipe que surpreendeu no torneio e parou nas quartas de final nos pênaltis para o Corinthians. "Você pode usar a pausa para várias situações. A gente usava para ajustes posicionais da equipe. É importante a pausa para hidratação e dar uma energia maior para os atletas, mas é também um momento para o treinador ajustar a equipe. Eu vejo que isso deixa o jogo ainda mais estratégico", disse o treinador. "A gente já deixava umas coisas pré-ajustadas sobre o que poderíamos fazer durante a parada. A gente fazia a leitura do início do jogo e ia ajustando para colocar essa ideia em prática nessa segunda parte", complementou. Por mais polêmica que seja a decisão da Fifa, a ação tem um peso científico. Coordenador de saúde e performance do Novorizontino, Anselmo Sbragia disse que o rendimento dos atletas foi superior no segundo tempo, contrariando os números de anos anteriores, quando não havia pausa e os atletas caíam de produção na etapa final. "Essa é uma medida que deveria ser implantada para sempre. Ela é muito produtiva para o futebol. Quando você perde o rendimento físico, obviamente também cai o cognitivo e o tático. No Paulistão desse ano tivemos uma experiencia muito boa. Temos estudos com uma base de dados que o atleta pode perder até 10% em todas as valências no segundo tempo. No Paulistão desse ano, não teve queda e o desempenho até melhorou". Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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