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Inventor da cavadinha, tcheco Panenka avalia batidas do futebol brasileiro O goleiro se atirou para um lado, enquanto um toque suave de Antonin Panenka fez a bola cair no fundo da rede, no meio do gol. A cobrança na final da Eurocopa, em 20 de junho de 1976, não apenas deu à Tchecoslováquia o título sobre a Alemanha Ocidental. Também transformou o sobrenome do meia em uma das jogadas mais ousadas - e famosas - da história do futebol . 1 de 3 Panenka marca gol do título da Tchecoslováquia na Euro 1976 — Foto: Uefa Panenka marca gol do título da Tchecoslováquia na Euro 1976 — Foto: Uefa A final da Eurocopa de 1976 terminou empatada em 2 a 2 e foi decidida nos pênaltis. Depois que a Alemanha Ocidental, com Uli Hoeness, desperdiçou sua quarta cobrança, coube a Panenka bater a última. Apesar da pressão de ser a batida que poderia dar o título à Tchecoslováquia, em vez de buscar um canto, o meia viu o goleiro se antecipar e tocou a bola com leveza no meio do gol. O lance de Antonin Panenka decidiu a disputa e entrou para a história. No entanto, não foi um ato de improviso . Panenka trabalhou aquele tipo de cobrança nos treinamentos por anos para vencer os goleiros da época de clube nas apostas feitas. - Após cada treino, eu permanecia em campo com os goleiros e fazia apostas, tentando fazer gols em cobranças de falta e pênalti. Comecei a pensar numa forma de vencer. Treinei durante dois anos antes de bater aquele pênalti na final da Eurocopa - disse o ex-jogador em entrevista em 2014. Enquanto a maioria dos cobradores apostava na força, o meia tentava explorar a antecipação dos adversários. A lógica era simples: se o goleiro escolhesse um canto antes do chute, o centro do gol ficaria livre. Restava apenas a coragem de cobrar o pênalti com um toque sútil no momento mais importante, como uma final. Da Panenka à cavadinha 2 de 3 Lionel Messi cavadinha pênalti gol Barcelona Lyon — Foto: Enric Fontcuberta/EFE Lionel Messi cavadinha pênalti gol Barcelona Lyon — Foto: Enric Fontcuberta/EFE O gol de Antonin Panenka que decidiu a Eurocopa de 1976 deu ao meia um legado além do título para a Tchecoslováquia. O sobrenome do ex-jogador passou a ser a identidade daquele tipo de cobrança de pênalti. Em diferentes países, aquela cena passou a ser descrita como "uma panenka" . Porém, a combinação de habilidade e atrevimento que mantém vivo o sobrenome de Panenka não é a única forma que a batida é conhecida. No Brasil, por exemplo, ganhou uma identidade própria, sendo chamada de "cavadinha" . A jogada segue sendo da mesma forma, encobrir levemente a bola enquanto o goleiro cai para um dos lados, mas o termo brasileiro se popularizou de forma independente e acabou se tornando até mais comum. Messi, Suárez e tantos outros jogadores passaram a usar da invenção de Antonin Panenka. 3 de 3 Zidane cobrou pênalti de cavadinha na final da Copa em 2006 — Foto: Getty Images Zidane cobrou pênalti de cavadinha na final da Copa em 2006 — Foto: Getty Images A "cavadinha" passou a aparecer mais vezes em momentos decisivos do futebol brasileiro e internacional. Em 2006, por exemplo, Zidane marcou de pênalti na final da Copa do Mundo, em uma batida que ainda tocou o travessão antes de entrar . Quatro anos depois, Loco Abreu, um dos nomes mais conhecidos dos brasileiros por conta dessa cobrança irreverente depois de anos, garantiu a classificação histórica do Uruguai para a semifinal . Na ocasião, o atacante ex-Botafogo bateu o pênalti decisivo contra Gana. Uma nova cobrança ao longo dos anos ajuda a explicar por que a batida criada há 50 anos continua presente no futebol e se tornou, inclusive, uma forma de transmitir personalidade nas disputas de pênalti. Em 2006, Materazzi xinga irmã de Zidane e leva cabeçada na final da Copa do Mundo