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Esporte Futebol Copa do Mundo Como a eliminação da Coreia do Sul virou um assunto de Estado Enrico Benevenutti Em colaboração para o UOL 03/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A eliminação precoce da Coreia do Sul na Copa do Mundo de 2026 se transformou rapidamente em uma crise institucional no país. Para além da frustração, a campanha gerou críticas do presidente da República, abertura de uma investigação sobre a federação e ameaças ao técnico demitido do cargo. O futebol como assunto de governo O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, fez duras críticas ao trabalho da KFA (Associação de Futebol da Coreia) pelo desempenho da seleção na Copa. O chefe de Estado determinou que o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo abrisse uma investigação para apurar o planejamento da campanha, a preparação da equipe e as decisões da KFA. Quando o 'nós contra eles' é priorizado em vez da competência e uma pessoa incompetente é escolhida como líder, o resultado é tão claro quanto o dia Lee Jae-myung, presidente da Coreia do Sul Josias de Souza Zonzo, Flávio oscila entre autofagia e a trumpfobia PVC CR7 fica na Copa atrás de seus recordes Casagrande Como parar Haaland, um atacante 'muito cruel' Sakamoto Eleitores cruciais compram versão de Michelle A cobrança do governo virou um exemplo de como a Coreia do Sul passou a ver o esporte em sua sociedade. O jornalista sul-coreano June Han explica que existe uma relação entre poder público e futebol no país. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por UOL Esporte (@uolesporte) No futebol coreano em geral, o governo exerce uma influência indireta significativa. Muitos clubes da K League 1 e da K League 2, bem como clubes da K3 à K7 administrados por governos locais, são o que chamamos comumente de 'clubes cidadãos/provinciais'. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês Esses clubes são efetivamente geridos por governos locais, com prefeitos ou governadores provinciais atuando como proprietários dos clubes June Han, jornalista sul-coreano, ao UOL Esse contexto ajuda a explicar por que uma eliminação em Copa do Mundo gerou consequências muito maiores do que uma simples troca de treinador. Ele destaca ainda que muitas equipes dependem diretamente de recursos públicos. Por isso, o investimento na modalidade traz certa legitimidade ao governo em cobrar explicações pelo desempenho esportivo. Embora o governo não intervenha diretamente nas políticas ou nas operações diárias do futebol, é justo dizer que exerce uma influência considerável no ecossistema do futebol profissional coreano. A liga profissional coreana ainda não alcançou a plena autossuficiência financeira June Han, ao UOL Continua após a publicidade Na prática, isso significa que o futebol está muito mais próximo do Estado do que ocorre no Brasileirão ou nas principais competições europeias. E quem ratifica isso é jogador brasileiro Willyan, que atua na Coreia do Sul desde 2019 — atualmente defende o Suwon FC, um dos times da K League 2 (segunda divisão) que recebe investimento da prefeitura. A cidade também conta com outro time no campeonato, Suwon Bluewings, mas administrado pela iniciativa privada sob a batuta da Samsung. A pressão sobre o técnico A campanha pífia da Coreia do Sul na Copa (duas derrotas, apenas uma vitória e a queda na fase de grupos) transformou o técnico Hong Myung-bo no grande alvo de críticas e revolta. Ídolo histórico do futebol local e capitão da campanha semifinalista de 2002, ele viu sua imagem mudar após a eliminação. As autoridades sul-coreanas reforçaram o esquema de segurança no Aeroporto Internacional de Incheon para o desembarque do técnico. A medida foi tomada após denúncias de ameaças de morte a Hong Myung-bo. O cenário encontrado foi de protesto por parte de muitos torcedores presentes. Em todos esses anos, essa é a primeira vez que vejo um técnico passar por isso aqui na Coreia do Sul. Existe um respeito muito grande aqui, principalmente com os mais velhos. Até porque, em questão de pressão, não é igual no Brasil. Aqui eles são mais respeitosos, eles cobram, mas não tem aquele exagero Willyan, atleta brasileiro do Suwon, ao UOL A repercussão foi tamanha que veículos locais relataram que estabelecimentos comerciais recusaram a presença do treinador. Além disso, uma emissora de televisão chegou a borrar seu rosto em uma das últimas coletivas de imprensa de Myung-bo, em uma demonstração do claro desgaste de sua imagem pública. Continua após a publicidade Myungbo à beira do campo em derrota da Coreia do Sul contra a África do Sul na Copa do Mundo de 2026 Imagem: Eurasia Sport Images/Getty Images Os problemas dentro decampo A Coreia chegou ao Mundial com uma geração considerada uma das mais talentosas de sua história recente. As reações pela eliminação precoce ilustram como a expectativa era alta no país, principalmente sobre o ídolo Son Heung-Min, principal referência técnica do páis, e Lee Kang-in, visto como um sucessor natural ao posto de líder. Eles estão participando muito do futebol, eles gostam e estão tentando um maior envolvimento. O pensamento aqui era de que essa geração era uma das mais talentosas... então, acabou sendo um fracasso para eles Willyan O brasileiro ainda destaca como o futebol cresceu nos últimos anos no país asiático. Nomes como Son ajudaram a popularizar o esporte através de ações midiáticas: "No FC Seoul, por exemplo, que é o time da capital, eles sempre colocam entre 30 e 40 mil pessoas nos estádios. Para a Coreia do Sul, isso é muita gente". Continua após a publicidade No entanto, Willyan critica alguns aspectos do futebol coreano, principalmente a formação de treinadores. Para ele, os técnicos locais não conseguiram acompanhar a evolução do esporte e precisam de mais experiências estrangeiras para melhorar o cenário: "Os técnicos ainda acham que é melhor correr do que pensar em campo". Eles estão ficando para trás. Já estão na verdade. É só olhar para a seleção japonesa, que tenta jogar independentemente do adversário Willyan Para o jornalista Han, o cenário implica em novo técnico na seleção que possa justamente captar novos talentos para substituir a geração comandada por Son. O brasileiro Willyan em ação pelo Suwon FC na Coreia do Sul Imagem: Divulgação / Suwon Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Resumo da novela 'Quem Ama Cuida' da semana: capítulos de 3/7 a 11/7 CR7 marca, e Portugal elimina Croácia com virada dramática nos acréscimos Aula de Haddad na Unicamp tem confusão com integrante do MBL; veja Ana Paula: Anulação do gol da Croácia foi correta; toque foi desvio Esposa de tenente da Rota baleado fala em 'milagre' na recuperação