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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Como foi a Copa América em que Messi se aposentou da Argentina pela 1ª vez Danilo Lavieri Colunista do UOL 06/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Messi chorou após perder a final da Copa América 2016 para o Chile Imagem: Reprodução A Copa América Centenário, em 2016, ficou marcada por uma cena que parecia impensável. Depois de perder mais uma final pela Argentina, Lionel Messi desabou no vestiário e anunciou que não queria mais jogar pela seleção. Era o terceiro vice campeonato consecutivo. E aquela derrota, justamente para o mesmo Chile que havia vencido a Argentina na decisão da edição anterior, foi demais para ele. Depois da decisão, claro, ele recuou, voltou a representar o país e conseguiu completar seu currículo. Hoje, ele faz o 'adeus' oficial, a partir das 20h, contra Benim. Quer dizer, será? A competição de 2016 também tinha um peso especial. Disputada nos Estados Unidos, era o primeiro grande evento de futebol organizado no país desde a Copa do Mundo de 1994. O torneio aconteceu em meio aos escândalos de corrupção que atingiam a Fifa e a Conmebol, com dirigentes presos e as duas entidades sob forte pressão. Ainda assim, dentro de campo, a expectativa era de que aquela fosse a Copa América de Messi. A Argentina chegava como uma das grandes favoritas e líder do ranking da Fifa. Messi era o melhor jogador do mundo, principal estrela de uma das maiores equipes da Europa e dono de uma coleção de recordes. Faltava, porém, o principal. Um título profissional com a seleção principal. Sakamoto Flávio, Lula e o que as pesquisas não captaram Daniela Lima Lula precisa de feito inédito, de um milagre político Josias de Souza Brasil produziu a vingança de Bolsonaro João Paulo Charleaux Brasil não está sozinho na onda da extrema direita Os vices anteriores aumentavam a pressão. Em 2014, a Argentina havia perdido a final da Copa do Mundo para a Alemanha. Em 2015, caiu diante do Chile na decisão da Copa América. Nos Estados Unidos, a campanha parecia oferecer uma nova oportunidade. A equipe comandada por Tata Martino tinha vencido todos os jogos da primeira fase e Messi, que havia chegado ao torneio com a forma física sob atenção depois de sofrer uma lesão no último amistoso, marcou apenas na goleada sobre o Panamá. No mata mata, a Argentina passou por cima da Venezuela e dos Estados Unidos. Messi marcou três vezes contra os venezuelanos e depois fez mais um gol na semifinal contra os americanos. A seleção chegava novamente à decisão com números que justificavam o favoritismo e com a possibilidade de revanche contra o Chile. Antes do torneio, a expectativa era enorme. A Argentina vinha de uma sequência positiva nas Eliminatórias, com cinco partidas sem perder e três vitórias consecutivas. O time tinha Messi como grande estrela, mas também reunia uma coleção de coadjuvantes de luxo. Di María, Agüero, Higuaín e outros nomes de peso faziam da seleção argentina uma equipe que despertava inveja até nos concorrentes sul americanos. O Brasil, por exemplo, vivia um cenário completamente diferente. Sem Neymar, liberado para disputar apenas os Jogos Olímpicos, a seleção foi eliminada ainda na fase de grupos. A derrota para o Peru, na última rodada, veio com um gol marcado com a mão por Ruidíaz, lance que provavelmente seria anulado se o VAR já existisse. Dunga acabou demitido depois da campanha. A Argentina, por sua vez, chegou novamente à final. Era a mesma decisão da Copa América de 2015 e, para Messi, a chance de apagar aquela derrota. Não conseguiu. O jogo terminou empatado sem gols no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis, Messi foi o primeiro argentino a cobrar e bateu para fora. O Chile venceu novamente. Pela terceira vez seguida, Messi terminava uma grande competição com a Argentina como vice campeão. Continua após a publicidade A reação foi imediata. A pressão que já o acompanhava havia anos explodiu. Parte da torcida dizia que Messi não se importava com a seleção, que era catalão, que só jogava no Barcelona. O apelido de "pecho frío" era repetido contra o principal jogador argentino. Messi não aguentou. Ainda no vestiário, abatido pela derrota e pelo pênalti perdido, decidiu que era hora de sair. Pouco depois, anunciou publicamente sua aposentadoria da seleção argentina. "É pelo bem de todos", disse, ao comunicar a decisão. A aposentadoria duraria pouco. Messi voltou atrás meses depois e retomou sua história com a Argentina. Mas aquela noite nos Estados Unidos ficou como um dos momentos mais dramáticos de sua relação com a seleção. Em 2016, ele ainda era o melhor jogador do mundo sem um título pela Argentina. Tinha duas finais de Copa América perdidas e uma final de Copa do Mundo. A pressão parecia insuportável. Anos depois, a memória daquela decisão ganhou outro significado. Messi voltou, insistiu e finalmente conseguiu aquilo que parecia impossível naquela noite: ser campeão pela Argentina. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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