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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Rock in Rio mudou, mas o meu segue vivo nas minhas memórias de 1985 Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 05/09/2026 12h53 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Ozzy Osborne na apresentação do Rock in Rio 1985 Imagem: Renata Falzoni/Folhapress E nesta sexta-feira (4) começou o Rock in Rio, que já não é tão rock assim, mas é um festival de música de estilos variados e que atrai pessoas de todas as idades, países e estados, que vão em busca de diversão do jeito que a sociedade mundial vive nesses tempos. Eu fui ao primeiro Rock in Rio, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1985, e foi o primeiro grande festival de rock que aconteceu no Brasil. Tirando o Queen, que já havia se apresentado no Morumbi em 1981, sendo esse o primeiro grande show, um sucesso estrondoso que deixou o estádio totalmente lotado. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo E foi esse show do Queen que mostrou o quanto o brasileiro adorava rock 'n' roll, servindo como semente para que o empresário Roberto Medina começasse a idealizar esse grande festival. Nos anos 80, o heavy metal bombava no mundo, além do new wave, um novo estilo. E, obviamente, muitas das bandas históricas que a gente assistia nos programas que apresentavam vídeos de shows, muito antes da MTV, vieram para o Rio de Janeiro em 1985, além do Queen. Iron Maiden, AC/DC, Scorpions, Ozzy e Whitesnake misturavam-se com grandes músicos de outros estilos, como James Taylor, representando a música folk, George Benson e Al Jarreau. George Benson e Al Jarreau representavam o jazz e o R&B, e Rod Stewart, o blues rock do Faces. O new wave foi representado por duas das principais bandas do estilo, The B-52s e Go-Go's, e pela alemã Nina Hagen, que arrebentaram, pois eram novidade para nós, brasileiros, numa época sem celular, sem rede social, sem YouTube, sem canais a cabo, na qual tudo demorava uma eternidade para chegar aqui. E, junto com esse grupo, havia as bandas e músicos brasileiros, que, sem dúvida, seriam muito mais bem tratados pelo público de hoje do que foram pelo público de 1985. Naquela época, era tudo mais radical e, como se chamava Rock in Rio, na cabeça da grande maioria não poderia haver outros estilos. Continua após a publicidade No festival atual, esse problema foi resolvido com vários tipos de palcos, nos quais se apresenta um estilo diferente, e o público que está lá dentro assiste se quiser ou pode se divertir com diversas outras atrações, pois há de tudo para entretenimento, não apenas os shows. Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Blitz, Pepeu Gomes, Gilberto Gil e Alceu Valença foram bem aceitos pelos "metaleiros", mas Lobão, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Lulu Santos e Kid Abelha, com Eduardo Dusek, foram muito vaiados e até atingidos por objetos jogados no palco, o que foi um grande absurdo. A organização também errou na hora de dividir as atrações de cada dia, misturando os estilos, o que revoltou o público, composto, em sua maioria, por metaleiros. Eu estava na pré-temporada com o Corinthians, mas, naquela época, nós fazíamos esses treinos no Parque São Jorge mesmo, e, no dia 19 de janeiro, um sábado, treinamos pela manhã e depois estávamos livres até segunda-feira. Aí, eu, meu saudoso amigo Sollitinho e o lateral Ismael entramos no meu carro e partimos para a Cidade do Rock. Escolhemos o dia 19 de janeiro por ter as apresentações de Pepeu e Baby, mas principalmente Whitesnake (que veio no lugar do Def Leppard), Scorpions, Ozzy e AC/DC, que eram imperdíveis para nós. Continua após a publicidade Imagine adolescentes roqueiros dos anos 80, como nós, com a possibilidade de ver esses shows pela primeira vez no Brasil. Era imperdível! Saímos do Parque São Jorge por volta das 12h30 e chegamos à porta da Cidade do Rock por volta das 17h. Compramos nossos ingressos e entramos para viver e viajar naquele sonho que parecia ser impossível. Lembro-me muito bem de como ficamos emocionados quando o Ozzy Osbourne entrou no palco lentamente, carregando uma cruz enorme, vestindo uma capa preta e sem camisa, com todas as suas tatuagens à mostra. A banda já estava fazendo a introdução do clássico Sabbath Bloody Sabbath, e o clima estava incrível. Parecia que todo mundo havia parado de respirar diante daquele espetáculo que a gente só via às vezes pela TV. Bom, o Ozzy tocou as músicas de seus discos em carreira solo. E eu havia acabado de comprar o de 1982, Speak of the Devil, e alucinei com os clássicos do Black Sabbath. Continua após a publicidade Também foi impactante assistir ao AC/DC ao vivo pela primeira vez. Naquele momento, eu já tinha todos os discos da banda. Enfim, hoje em dia há atrações para todos os gostos e estilos, mas muita coisa mudou, não só no festival, como nas pessoas ditas "famosas" que vão para lá. Dá para perceber que a maioria vai para sair na imprensa, pois se arruma para isso. A gente lá dos anos 80 pegava a nossa bermuda ou calça jeans surrada, uma camiseta estampada com alguém do rock — a minha era do Ozzy —, um tênis All Star e, pronto, rumo ao encontro do rock. Mas entendo essas mudanças, porque, hoje, o mundo vive mais das aparências do que da naturalidade do nosso ser. Enfim, que se divirtam no Rock in Rio de 2026, porque o meu está nas minhas memórias de 1985. Continua após a publicidade Mas, hoje em dia, o meu festival favorito é o Monsters of Rock. Viva o rock! Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Casagrande por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Médico é levado à polícia por chamar mulher para atendimento em 'cativeiro' Empresário é condenado por agredir ex-Miss Rio Branco; defesa vai recorrer Ídolo na Ítalia, Sandro Mazzola morre aos 83 anos Lula diz que quer ganhar eleições para manter Jair Bolsonaro preso