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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Dívidas dos clubes ameaçam futebol brasileiro num nível inédito na história Paulo Vinicius Coelho (PVC) Colunista do UOL 30/08/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia traz de volta uma célebre declaração do ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello. Ao ser questionado sobre o risco de grandes clubes desaparecerem ou mudarem seus núcleos de grandeza, Bandeira sempre citou empresas como Mesbla, Mappin e banco Bamerindus. Podia citar o Banco Nacional, o Unibanco. O realismo de Bandeira ajuda a compreender por que times falidos de quinze anos atrás viraram potências nacionais e como podem voltar ao passado se não cuidarem do futuro. Casos de Flamengo e Palmeiras. Acontece que, neste momento, estes dois clubes somam-se apenas a Athletico Paranaense, Bahia, Bragantino e Mirassol como times fora das listas das recuperações judiciais ou de transfers bans nacionais ou internacionais. O caos foi ilustrado nesta semana pela entrevista coletiva do presidente da Torcida Tricolor Independente, Henrique Gomes, o Baby. Depois de reunião com líderes do elenco do São Paulo, declarou que os salários estão atrasados. Logo depois, o camisa 10 são-paulino, Luciano, declarou que o problema não é o salário atrasado, porque atrasos acontecem desde 2020, quando chegou ao Morumbi. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo O quê???!!! Há cinco anos, durante a campanha que levou o Botafogo à Série B, o ex-presidente alvinegro, Carlos Augusto Montenegro, foi questionado se pagaria os salários atrasados antes do clássico contra o Flamengo, para ganhar do rival. Respondeu: "Não vou pagar atrasados, porque não temos dinheiro. E, se tivéssemos dinheiro, não pagaria por superstição." O argumento era ter vencido o Brasileirão de 1995 com quatro meses de atrasos. O noticiário ironiza meses de noventa dias no futebol Emmanuel Sodré Viveiros de Castro, do Botafogo. Os ciclos mudam, houve crises gigantescas no Fluminense, no Flamengo, no Atlético, hoje no Corinthians, o São Paulo foi modelo de administração, hoje de desmando, o Palmeiras foi mal administrado, depois recuperado... Mas, hoje, a situação é caótica. Depois de cinco anos gastando dinheiro injetado por empresários compradores de SAFs, casos de Botafogo e Vasco, quantias das compras de direitos comerciais de clubes pela FFU, caso do Internacional, ou de patrocínios de casas de apostas, que beneficiaram 39 dos 40 times das Séries A e B antes de a Crefisa sair da camisa do Palmeiras e torná-lo o quadragésimo exemplo, a bolha estourou. No passado, houve injeção de dinheiro transformada em gastos excessivos no início dos anos 1990, com Parmalat, Banco Exxel e banqueiros do jogo do bicho, no início dos 2000, com a entrada de capital estrangeiro de ISL e Bank of America, mas o volume de investimentos era menor e as dívidas, consequentemente, menores. Como o dinheiro aumentou, os gastos e as dívidas também subiram de forma extraordinária. Aqui reside o ineditismo da situação atual. Continua após a publicidade A força da grana que ergue e destrói coisas belas, neste momento, coloca quinze clubes da Série A entre os que têm notícias de recuperações judiciais (Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Vasco), de banimento de transferências em algum momento do ano (Chapecoense, Corinthians, Grêmio, Internacional, Santos, São Paulo), ameaça de transfer ban, que o Atlético Mineiro já teve, ou advertência da Agência do Fair Play Financeiro, como o Fluminense. Justiça seja feita, o Flu está fora das punições e recebeu apenas advertência. O Cruzeiro está pagando tudo em dia depois da recuperação judicial. E há 37 clubes em recuperação judicial ou extrajudicial no país, entre os quais o Náutico, o Santa Cruz e o Sport, os três gigantes do Recife. O sonho de ter um campeonato capaz de rivalizar com Inglaterra, Espanha ou pelo menos França e Itália esbarra na impossibilidade de pagar salários de nível semelhante evidenciada pela sequência de notícias de atrasos. E até de um jogador importante do São Paulo dizendo que o problema não é o atraso. O problema é que o futebol brasileiro virou o slogan das Casas Bahia da época da campanha do pentacampeonato mundial: "Quer pagar quanto?" Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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