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“O Norte se lembra”. A célebre frase da série de livros Game of Thrones, popularizada mundialmente na última década, faz menção a toda sorte de traição e injustiças no mundo fictício do autor George R. R. Martin. Mas na vida real, na NBA , o Toronto Raptors , do slogan “Nós, do Norte”, também se lembra, mas do momento mais glorioso da história da franquia: o título de 2019.
E o principal personagem da conquista está de volta: Kawhi Leonard é novamente um Raptor após uma longa investigação da NBA sobre o astro e o LA Clippers por burlarem o teto salarial. De qualquer maneira, o astro voltou ao Canadá, para um misto de alegria e tristeza dos torcedores, magoados com a forma que Kawhi deixou o time após o título.
Assim como em 2018, ele chega em um elenco gabaritado, agora com nomes como Scottie Barnes, Immanuel Quickley, RJ Barrett e Collin Murray-Boyles, uma das sensações da última temporada. Aos 35 anos, o astro conseguirá vencer o anel novamente pela única franquia de fora dos EUA?
Campanha: 46 vitórias e 36 derrotas
Classificação: 5º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: eliminado pelo Cleveland Cavaliers na primeira rodada por 4 a 3
O que aconteceu: as quatro derrotas nos primeiros cinco jogos acenderam um sinal de alerta, mas os Raptors responderam com 14 vitórias nas 15 partidas seguintes, espantaram a má impressão, se colocaram na parte de cima da tabela de classificação do Leste e não olharam mais para trás. Brandon Ingram, cestinha da equipe na temporada, foi All-Star . Scottie Barnes também foi, e ainda ficou em quinto lugar na disputa pelo prêmio de melhor defensor. Por falar nisso, a defesa foi o grande trunfo desta campanha. Os Raptors ficaram em quinto lugar no ranking de eficiência defensiva e lideraram a liga em pontos de contra-ataque por partida. Assim, o time canadense foi direto para os playoffs, sem passar pelo play-in, e fez série dura contra o Cleveland Cavaliers, definida só após sete jogos em favor do adversário.
Escolhas de Draft: Allen Graves (ala-pivô, 19ª escolha) e Jaden Bradley (armador, 50ª escolha)
Quem mais chegou: Kawhi Leonard (ala - Los Angeles Clippers), Kyle Anderson (ala - Minnesota Timberwolves), Andre Jackson Jr (ala-armador - Milwaukee Bucks), Trey Jamison III (pivô - New York Knicks), Tyreke Key (armador - sem time), Nimari Burnett (ala-armador - sem time) e Nate Bittle (pivô - sem time)
Quem foi embora : Brandon Ingram (ala - Los Angeles Clippers), Gradey Dick (ala-armador - Los Angeles Clippers), Sandro Mamukelashvili (ala-pivô - Los Angeles Lakers), Jonathan Mogbo (ala-pivô - Sacramento Kings), AJ Lawson (ala-armador - Baskonia/Espanha) e Garrett Temple (ala - sem time)
Provável time titular: Immanuel Quickley, RJ Barrett, Kawhi Leonard, Scottie Barnes e Jakob Poeltl
Reservas: Jamal Shead, Chucky Hepburn, Tyreke Key (armadores), Ja’Kobe Walter, Andre Jackson Jr, Alijah Martin, Malachi Smith, Nimari Burnett (alas-armadores), Kyle Anderson, Jamison Battle (alas), Collin Murray-Boyles, Allen Graves (alas-pivôs), Trayce Jackson-Davis, Trey Jemison III e Nate Bittle (pivôs)
Técnico: Darko Rajakovic
Em meio a previsão do Leste mais competitiva dos últimos tempos, o Toronto Raptors quase sempre consegue seu espaço entre um dos times mais duros de se enfrentar. Se há duas temporadas a realidade do time era de ficar longe da briga pelos playoffs, agora eles se colocam como um dos principais concorrentes ao título da conferência.
Também, pudera. Em 2025/26, Scottie Barnes subiu ainda mais de produção, a defesa da equipe se tornou uma das melhores em toda a NBA, e a classificação para os playoffs chegou diretamente sem passar pelo play-in.
Por isso, o elenco é praticamente o mesmo, com a adição do grande astro do único título da franquia, em 2019: Kawhi Leonard. Se as investigações da liga sobre as manobras dos Clippers para aumentar o salário do ala foram o grande escândalo da NBA nos últimos meses, as turbulências não chegaram até o Canadá.
Além do talento bruto, Kawhi chega para suprir as duas principais carências da equipe no último ano: jogo de meia quadra e consistência ao longo dos 48 minutos. Apesar de já ter 35 anos, em tese, é a contratação ideal. O preço pago (Brandon Ingram, Gradey Dick, duas escolhas de Draft de primeira rodada, uma troca de escolha, e duas de segunda rodada) dá o peso que os Raptors dão para a temporada, mostrando que o foco é brigar pelo título.
Para isso, Toronto precisa apenas ficar saudável. Afinal, o elenco não é dos maiores, e algumas peças têm sofrido com lesões nos últimos anos, inclusive Kawhi. Superada essa possível adversidade, os Raptors têm tudo para serem uma das principais forças do Leste.
"Estou animado por estar de volta. Esse time jogou de maneira incrível no ano passado. Scottie Barnes liderou o grupo, Brandon Ingram fez um ótimo trabalho também. (Jamal) Shead, RJ (Barrett), Immanuel Quickley, o garoto novo (Collin Murray-Boyles), Ja'Kobe (Walter) com seus arremessos. Eles jogaram um basquete de ótimo nível. Chegaram aos playoffs, foram ao Jogo 7. É um grupo competitivo, cheio de jovens que defendem antes de mais nada e que a partir disso correm em transição. Acho que posso me beneficiar muito disso, então estou empolgado em poder jogar com eles."
A declaração é de Kawhi Leonard, que está de volta aos Raptors e parece mais do que satisfeito com o elenco que o espera em Toronto.
Na temporada 2024/25 os Raptors tiveram a 17ª eficiência defensiva da NBA (pontos cedidos a cada 100 posses). Em 2025/26, foi a 5ª melhor defesa em toda a liga. O salto foi fundamental para a evolução da equipe, que só não ficou em uma posição melhor na temporada regular por deslizes na reta final após a lesão de Immanuel Quickley.
Para a próxima temporada, as expectativas são ainda maiores. Afinal, Ingram, Dick e Mamukelashivili, principais perdas no elenco, não eram os melhores defensores do time. E a chegada de Kawhi Leonard eleva ainda mais o potencial do time. Além dele, Andre Jackson Jr. teve seu auge no Milwaukee Bucks como especialista defensivo, enquanto o calouro Allen Graves também teve a defesa como um dos pontos altos no basquete universitário.
Dos nomes que já estavam no Canadá, destacam-se Scottie Barnes, Collin Murray-Boyles e Ja’Kobe Walter. Scottie, principal jogador dos Raptors, foi eleito para o segundo time de defesa da temporada, além de figurar em 5° na votação para Melhor Defensor. Com 2,01m, muita velocidade e ótima leitura defensiva, é um dos principais nomes de toda a competição no quesito.
Murray-Boyles, por sua vez, disputou sua temporada de novato com altos e baixos na primeira metade, mas grande crescimento na segunda e nos playoffs. Ja’Kobe Walter, que ganhou espaço na série contra Cleveland pela lesão de Quickley, teve um enorme salto nos playoffs, chegando aos 2 roubos de média, além de limitar consideravelmente o aproveitamento dos adversários.
Só que a boa defesa já é uma realidade. Se pensarmos em esperança, é necessário olharmos para o outro lado da quadra. Os Raptors conquistaram 16,5% dos seus pontos a partir de contra-ataques, a maior marca em toda a liga. Porém, no jogo de meia quadra a história é outra: tiveram a segunda pior eficiência ofensiva de toda a liga nas posses maiores de 18 segundos.
E é justamente neste ponto que Kawhi Leonard cai como uma luva na equipe. O astro é um dos melhores da NBA justamente nesses momentos: foram 53% de aproveitamento nos últimos seis segundos da posse nas últimas três temporadas. É, de fato, um acréscimo ao poderio dos Raptors que, se mantiver as demais qualidades, tem tudo para fazer uma temporada ainda mais estável e chegar longe nos playoffs do Leste.
Embora Kawhi Leonard seja um acréscimo muito valioso ao elenco, Ingram, Dick e Mamukelashivili deixam uma grande minutagem na mesa, que precisará ser redividida entre o elenco, especialmente a de Dick e Mamu, uma vez que Kawhi naturalmente ocupará o espaço deixado por Ingram.
Ainda assim, com exceção do calouro Allen Graves, nenhum dos outros reforços dá indícios de que terá grande participação na redação. E mesmo no caso de Graves, a presença em quadra deve vir aos poucos, uma vez que precisa aprimorar características do seu jogo para estar em conformidade com o exigido pela NBA, especialmente na velocidade e explosão física.
No elenco atual, Kawhi disputou 65 jogos na última temporada, mas nas anteriores conviveu com uma série de lesões. Dos remanescentes, Immanuel Quickley e Jakob Poeltl também têm sido ausências comuns tanto na temporada regular, como nos playoffs.
Na prática, os Raptors começam a campanha com uma rotação do tamanho da utilizada em playoffs. Considerando a intensidade da NBA atual e a maior competitividade do Leste, ter um elenco curto parece arriscado demais. Caberá à comissão de Darko Rajakovic a missão de dosar os minutos da melhor maneira possível, além de evoluir os jogadores de fundo de rotação ou descobrir nomes esnobados no mercado para estarem de prontidão em eventuais problemas.
Kawhi Leonard está de volta e já pode ser considerado o principal jogador dos Raptors. Na temporada passada, comandou a campanha do Los Angeles Clippers com seus 27,9 pontos por jogo, o que representa a melhor marca de uma carreira que está entrando agora em seu 16º ano na NBA. Definitivamente, não é pouca coisa.
Parte dessa produção veio de um aumento no volume de finalizações, mas é importante observar que o desempenho acompanhou essa subida. Leonard registrou 57,3% em aproveitamento efetivo de arremessos ("eFG", métrica que dá maior peso aos arremessos de três, considerando que estes valem mais). É um número alto, e que ele próprio só superou em outras duas oportunidades: em 2014, quando teve 57,6%, e em 2024, ano em que fez 58,5%.
Além disso tudo, o ala emplacou médias de 6,4 rebotes, 3,6 assistências e 1,7 roubo de bola por partida. Foi All-Star , entrou para o segundo quinteto ideal da temporada, apareceu em sétimo lugar na corrida pelo MVP.
O protagonismo de Kawhi, contudo, será bem dividido com a grande estrela do time até então: Scottie Barnes. O jovem de 25 anos já foi duas vezes eleito All-Star , além de ter se tornado um dos melhores defensores em toda a liga. E mais, com notável crescimento de produção nos playoffs.
Na última temporada, foi de 18,1 pontos, 7,5 rebotes e 5,9 assistências de média para 24,1 pontos, 6,1 rebotes e 8,6 assistências na série contra os Cavs. O aproveitamento do perímetro também subiu consideravelmente, de 30% para 38%.
As médias próximas do triplo-duplo o colocam como um dos melhores all-around de toda a NBA, jogadores com alto impacto nos dois lados da quadra. E ainda há espaço para melhorar: na última temporada, Barnes melhorou na eficiência ofensiva, defensiva, porcentagem de arremessos bloqueados dos adversários e impacto dos arremessos. Caso siga evoluindo, pode figurar nas discussões para MVP muito em breve.
Além de Barnes, olho em Collin Murray-Boyles. O ala-pivô disputará a segunda temporada como profissional após ter demonstrado grande evolução como calouro. O grande destaque foi defensivo: 1,3 roubo e 1,1 toco por jogo nos playoffs, quando ganhou ainda mais espaço. Ainda, foi bem nas trocas marcando jogadores menores, mostrando versatilidade contra diferentes adversários. Numa formação com Ja’Kobe Walter, Kawhi e Barnes, tende a ser ainda mais efetivo.
No ataque, foi 8,5 pontos na temporada regular para 14,4 nos playoffs, sendo que a minutagem aumentou “apenas” seis minutos. Ao longo do ano, também demonstrou que pode arremessar, tendo 34% de aproveitamento do perímetro, apesar de um baixo volume, que desapareceu nos playoffs. Se retomar e aprimorar este atributo, será uma ameaça ainda maior aos adversários.
3,5 (médio para alto) - A chegada de Kawhi Leonard deve elevar bastante o nível do ataque de meia quadra dos Raptors, que se apoiou bastante nos contra-ataques para produzir pontos na temporada passada. Assumindo que a nova velha estrela entre em quadra de maneira consistente, esse time tem tudo para ficar mais interessante de se acompanhar.
No cenário mais otimista: Kawhi mostra que ainda é um dos jogadores mais eficientes da NBA, e os Raptors melhoram ao ponto de se classificarem aos playoffs com o mando de quadra na primeira rodada. Com um pouco de sorte nos cruzamentos, dá até para pensar em chegar em uma final de conferência.
No cenário mais pessimista: os Raptors voltam aos playoffs, mas não sem antes passarem pelo play-in, e oferecem pouca resistência na primeira rodada.
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