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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Saída de Messi da seleção deixou argentinos órfãos e em clima de luto Janaína Figueiredo Colunista do UOL, em Buenos Aires 01/09/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A decisão do craque Lionel Messi de abandonar definitivamente a seleção nacional de seu país instalou na Argentina uma sensação de orfandade. A vida dos torcedores argentinos antes e depois de Messi não será apenas diferente, ela terá um vazio que, pelas primeiras reações da sociedade, será impossível de preencher por um longo tempo. Quando Diego Maradona se retirou oficialmente do futebol, em 1997, Messi tinha dez anos e ainda morava em Rosário, na província argentina de Santa Fé, sua terra natal. Faltavam nove anos para que o craque entrasse para a seleção nacional, mas nesse período Maradona ainda se mantinha ativo e ocupava espaço no mundo do futebol. Hoje, a saída de Messi abre um novo ciclo no futebol nacional, sem que exista no horizonte qualquer expectativa de um novo astro que atinja o nível de popularidade global que o agora ex-capitão da seleção argentina teve e, antes dele, Maradona. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Em palavras do jornalista esportivo Pablo Vignone, do jornal Página 12, "o impacto da notícia foi muito forte, apesar de que todos sabíamos que era o mais provável. Os argentinos reagiram como uma criança que não quer soltar seu brinquedo". Até mesmo jornalistas esportivos se mostraram surpresos pela decisão de Messi. Alguns ainda sonhavam com ver o craque disputando a próxima Copa América e, quem sabe, a primeira partida da Copa de 2030. Todos os acenos dados por Messi a partir do final da Copa deste ano foram ignorados. Era uma esperança cega, que nesta segunda-feira morreu. Em canais de TV locais foi debatido o futuro da seleção nacional, diante da incerteza sobre a continuidade do técnico Lionel Scaloni. Para Messi, apenas devoção, agradecimento, reconhecimento e um clima de luto por sua saída. Alguns o compararam a um eclipse solar, algo que acontece uma vez a cada 100 anos. Foi despedida "a lenda"; lamentado o fim de "uma era inesquecível para o futebol argentino"; elogiada a forma de ser do craque, sua humildade e perseverança. Ninguém conseguiu esconder seu estado de choque. A imagem de Messi sentado no gramado e com lágrimas nos olhos após perder a Copa nos Estados Unidos foi um aviso. O próprio craque confirmou na carta divulgada em suas redes sociais que escreveu o texto dois dias após o fatídico jogo contra a Espanha. Mas, na Argentina, a esperança continuava viva. Talvez porque os argentinos temem que sem Messi a seleção entre num novo ciclo profundamente desafiador, sem grandes nomes dos futebol internacional. Com Messi, a Argentina disputou três das últimas quatro finais de Copa do Mundo. Continua após a publicidade Contrariando a frase "Toda unanimidade é burra", atribuída ao dramaturgo Nelson Rodrigues, na Argentina de Messi é, desde 2021, quando a seleção nacional venceu a Copa América no Maracanã, uma unanimidade absoluta. Por isso, sua saída da seleção provocou um clima de luto nacional. No ano passado, a morte do ex-presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, deixou a mesma sensação de orfandade no país. Mujica não era uma unanimidade, mas sua trajetória era reconhecida por todos, assim como sua contribuição para a transição democrática da sua nação. Como Messi na Argentina, Mujica colocou o Uruguai no mundo. Partiu sem deixar um herdeiro político de seu nível, e os uruguaios, como os argentinos, sabem que será difícil que exista outro igual. O que será da seleção a partir de agora? A perguntam está instalada no país. Uma turnê pela China já foi cancelada pela Associação de Futebol da Argentina (AFA). Nas primeiras horas após a publicação da notícia, a tristeza se misturou com a admiração por um jogador que admite não ter mais nada para dar a sua seleção. "Ninguém pode reclamar de Messi, essa notícia foi dolorosa, mas era esperada. Na redação ficamos todos em choque quando entrou. O impacto foi forte", comentou Gonzalo Sanchez, apresentador do canal de TV do site Infobae. Os mais otimistas, como Sanchez, acreditam que a decisão de Messi abrirá o caminho para o crescimento de outros jogadores. Ter jogado até quase os 40 anos é uma anomalia no futebol. Para essas pessoas, a dor e a tristeza convivem com a aceitação. Mas a maioria dos argentinos ainda precisará de tempo para processar uma informação difícil, num país no qual o futebol é uma paixão nacional. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Janaína Figueiredo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Cleitinho diz se arrepender de foto com Virginia na CPI: 'Não era momento' Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? 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