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Análise dos Times

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Durante anos, a experiência de ir ao estádio começava com uma série de obstáculos. Filas, dificuldades na compra e validação de ingressos, demora para entrar e processos pouco integrados faziam parte da rotina de quem acompanhava uma partida presencialmente. A tecnologia mudou essa dinâmica. Reconhecimento facial, inteligência artificial, automação e análise de dados passaram a ocupar espaço na operação dos estádios e na relação dos clubes com seus torcedores. A transformação vai além da entrada nas arenas e alcança também o atendimento, a comunicação e a personalização das experiências. Uma das mudanças mais visíveis está justamente na porta de entrada. O reconhecimento facial começou a ser testado no Brasil durante a Copa América de 2019 e ganhou espaço nos anos seguintes. A Lei Geral do Esporte, sancionada em 2023, estabeleceu a obrigatoriedade do controle biométrico facial em estádios com capacidade superior a 20 mil pessoas. A medida passou a integrar as estratégias de segurança das arenas, com o objetivo de dificultar fraudes, cambismo e o acesso de pessoas procuradas pela Justiça. A tecnologia também chegou a estádios com capacidade inferior ao limite estabelecido pela legislação, como a Vila Belmiro, em Santos, e a Serrinha, em Goiânia. Para Tironi Paz Ortiz, CEO da Imply ElevenTickets, a mudança não está apenas na forma como o torcedor apresenta o ingresso. — A tecnologia tornou-se fator fundamental para garantir a segurança nos estádios. No Brasil, onde há a obrigatoriedade do reconhecimento facial em locais com capacidade acima de 20 mil pessoas, isso ocorre desde o momento do acesso ao estádio. O Beira-Rio, em Porto Alegre, é um dos estádios que adotaram a tecnologia. Para André Dalto, vice-presidente de Administração do Internacional , a ferramenta também interfere diretamente na experiência de quem chega para acompanhar uma partida. — A implementação do reconhecimento facial no Beira-Rio torna o acesso ao estádio mais rápido e seguro, além de agilizar processos que antes demandavam mais tempo. É uma tecnologia que contribui para tornar a jornada do torcedor mais prática desde a chegada ao estádio. A transformação tecnológica não termina nas catracas. Com o avanço de ferramentas de inteligência artificial e análise de dados, os clubes passaram a ter mais recursos para entender o comportamento do público e manter uma relação constante com seus torcedores. Soluções de CRM, automação e atendimento digital permitem reunir informações de diferentes pontos de contato. O objetivo é identificar demandas, personalizar comunicações e criar experiências que não dependam exclusivamente dos dias de jogos. Esse movimento também altera a lógica de relacionamento. Em vez de uma comunicação concentrada na venda de ingressos ou na divulgação de partidas, os clubes podem utilizar os dados para conhecer hábitos, interesses e preferências de diferentes perfis de torcedores. Henrique Borges, vice-presidente da Somos Young, empresa que atua na área de relacionamento e possui projetos com clubes brasileiros, destaca o papel da inteligência artificial nesse processo. — A inteligência artificial tem potencial para transformar a experiência do torcedor, tornando cada interação mais ágil, personalizada e eficiente. Nós utilizamos dados e tecnologia para ajudar os clubes a compreender melhor seus públicos, antecipar demandas e oferecer experiências mais relevantes ao longo da jornada. A tecnologia passou a ocupar diferentes pontos da relação entre clubes e torcedores. A jornada começa na compra do ingresso, passa pelo acesso ao estádio e segue no atendimento e na comunicação após a partida. Para os clubes, a digitalização também abre novas possibilidades de negócio. A partir dos dados gerados pelos torcedores, as instituições conseguem identificar hábitos de consumo, segmentar públicos e criar ações específicas de relacionamento e fidelização. O avanço, porém, traz um novo desafio: usar os recursos tecnológicos para facilitar a experiência sem afastar o contato humano. Segurança, agilidade e personalização precisam caminhar ao lado de uma relação que continue fazendo sentido para o torcedor. Na prática, a mudança já pode ser vista nas arquibancadas. O ingresso físico ou digital dá lugar ao reconhecimento facial na entrada. O atendimento incorpora ferramentas de inteligência artificial. Os dados de cada interação ajudam os clubes a conhecer melhor o público e a identificar novas formas de se relacionar com ele.