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Futebol Clubes fazem manifesto contra veto a bets: 'Fim do futebol brasileiro' Igor Siqueira e Fábio Lázaro Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP) 17/09/2026 18h29 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Os clubes fizeram um manifesto contra a mobilização do governo de editar uma Medida Provisória visando à proibição de bets no Brasil. Eles vão alardear que essa medida, se de fato ocorrer, será o "fim do futebol brasileiro". Os dirigentes tiveram uma reunião na tarde de hoje em que coordenaram o conteúdo do texto e o tom do discurso em defesa da manutenção da atividade no país. O que aconteceu A mobilização envolveu as federações estaduais. Houve um pontapé inicial em São Paulo, que depois passou a envolver também as federações do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, além de equipes desses estados. Matheus Pichonelli Flávio tira Moraes da TV e ganha reforço de Michelle A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo As conversas foram ampliadas gradualmente, com a adesão de diferentes representantes do futebol brasileiro à iniciativa. O objetivo foi construir um posicionamento conjunto diante da possibilidade de mudança na legislação sobre as apostas esportivas. Representantes de casas de apostas participaram da reunião hoje no Rio , ao lado de dirigentes de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, trazendo uma perspectiva do lado deles sobre o impacto eventual da proibição das atividades. Os presidentes de Fla e Flu, Luiz Eduardo Baptista e Mattheus Montenegro, respectivamente, estiveram presencialmente. Impacto nas receitas Os clubes batem na tecla de que todas as principais receitas deles são diretamente ou indiretamente impactadas pelo dinheiro de apostas. A exceção é a verba com transferências de jogadores. O olhar imediato em caso de proibição vai para impacto em patrocínios. Hoje, 13 clubes da Série A têm contratos de patrocínio master com casas de apostas. A estimativa é de R$ 1 bilhão de impacto aproximado com essa linha de receita. Mas há outro ponto mencionado pelos clubes na conversa: as receitas das empresas que compram direitos de transmissão são turbinadas pela publicidade das casas de apostas. Um corte total pode tirar o poder de compra das emissoras, o que impacta também em verbas de premiação nas competições. Continua após a publicidade Um terceiro item é o dinheiro que os clubes arrecadam com publicidade estática e placas nos estádios. Mercado regulado Os representantes do futebol reconhecem os problemas sociais relacionados às apostas, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade. A posição defendida, porém, é que esses impactos sejam enfrentados por meio de fiscalização, prevenção e políticas de proteção, sem a interrupção do mercado regulado. Também há o entendimento de que uma eventual proibição poderia direcionar apostadores para plataformas irregulares, que não recolhem impostos nem estão submetidas aos mecanismos de controle previstos na legislação brasileira. Os clubes destacam ainda que os recursos do setor não estão restritos às equipes de maior receita. Esses investimentos também alcançam divisões de acesso, clubes do interior, categorias de base e áreas com menor capacidade de arrecadação própria. Em relação ao aspecto jurídico, o contrato dos clubes com as casas de apostas estabelecem gatilhos para rescisão em caso de mudança de legislação que inviabilize a atividade. Mas esse é um dispositivo que nenhuma das partes quer acionar. Continua após a publicidade O manifesto completo O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos. Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável. O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas. Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo. Continua após a publicidade Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento. Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta. Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado. Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação. Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades. A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado. Continua após a publicidade O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado. O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização. O futebol está mobilizado, reconhece suas responsabilidades e quer participar da solução, de uma forma racional e consciente. O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA. SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM. O FUTEBOL É QUEM ACABA. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? 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