Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Dez covardias de Carlo Ancelotti no comando da seleção Milly Lacombe Colunista do UOL 09/07/2026 11h35 Deixe seu comentário Carlo Ancelotti no jogo contra Marrocos na estreia da Copa Imagem: Dan Mullan/Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Esperei alguns dias para tocar nesse tema porque achei adequado deixar a poeira baixar, mas é preciso refletir sobre o comportamento juvenil do treinador da seleção brasileira antes, durante e depois da Copa do Mundo. Carlo Ancelotti se comportou como um moleque ao sair de campo sem dar entrevista colocando o filhão para falar com a imprensa. A imagem que tínhamos do italiano até pouco tempo era a de um homem maduro, decente e capaz de lidar com situações difíceis; acredito que essa imagem não existe mais. Vamos começar falando da convocação de Neymar? Acho que devemos. Julio Gomes Claus na semifinal seria tapa na cara de Trump Wálter Maierovitch Como Trump e Putin passaram a mandar na Fifa Nelson de Sá Exemplo chinês para as enchentes de São Paulo PVC França e Marrocos: um duelo além do campo Não há explicação lógica, coerente ou decente para a convocação. O italiano se curvou a forças maiores. Quais forças? Um dia, talvez, saibamos. O fato é que se existe um homem que poderia dizer "não" a um pedido por Neymar seria justamente Ancelotti. Neymar não havia sido convocado por ele antes, não fez parte da preparação, estava fora de forma, perdeu a incrível capacidade de decidir jogos e - Ancelotti sabia - estava machucado. Convocou porque quis. E foi covarde por ter deixado de fora nomes que teriam sido mais úteis como João Pedro, do Chelsea. Foi covarde ao colocar o Brasil para jogar trás, recuado e amedrontado. Contra a Noruega, foi engolido de forma avassaladora pelo treinador rival. Ficou sem a bola, levou olé, passou vergonha. Contra Marrocos, Haiti, Escócia e Japão só conseguiu fazer alguma coisa porque os rivais amarelaram bisonhamente, inclusive o Marrocos do segundo tempo. Ainda assim, o bom futebol não entrou em campo com a camisa amarela em nenhum jogo. Não se esforçou para entender quem somos e o que queremos de nossas seleções. Não foi se misturar à nossa cultura, não se deixou influenciar por ela. Chegou com suas regras, normas e convicções e com elas morreu. Foi covarde ao não escalar Endrick, Rayan e Danilo de imediato. Pior: tentou colocar esses três jovens geniais em caixas bem moldadas às suas convicções autoritárias. Queria que Endrik deixasse de ser Endrick para ser escalado e, de certa forma, conseguiu tirar do jovem a alegria e a ousadia. Foi covarde ao não levar para os Estados Unidos um Brasil renovado para dar início ao ciclo 2030. Se renovou com a CBF antes da Copa, sabe-se lá por que, seria justo agir como quem sabe que 2026 era Copa para perder. Não é possível que acreditemos que havia alguém ali dentro que de verdade achasse que ganharíamos essa Copa. Foi covarde ao manter a panela preservada: Casemiro, Paquetá, Raphinha, Neymar. Ancelotti chegou, viu o clubinho fechado, viu o comportamento moleque, as brincadeiras estúpidas, a alma infantilizada e nada fez. Ou fez: preservou essas aberrações. Continua após a publicidade Foi covarde durante a coletiva em que tentou explicar a inexplicável convocação de Neymar ao dizer: Foi covarde durante a coletiva depois da eliminação usando clichês ridículos para se dirigir à imprensa e adotando postura enfadada. Tristeza é diferente de tédio. No contexto, tristeza seria legítima, tédio não. Ancelotti ganha cinco milhões de reais por mês para liderar uma paixão nacional e é obrigação se comportar de outra maneira. Humildade, respeito, maturidade e tempo disponível para se falar com o povo brasileiro. Foi covarde ao avaliar o trabalho até aqui como bom, assim como a campanha vergonhosa da seleção na Copa, que ele disse ter sido boa também. Fazer essas análises incoerentes e fictícias é tratar o brasileiro como burro e isso não é decente. Foi covarde ao não voltar ao Brasil depois da eliminação e, de cabeça fria, dar uma entrevista coletiva decente, em solo brasileiro, antes de sair de férias. Carlo Ancelotti é um erro. Se eu tinha alguma dúvida, não tenho mais. Ele não entende o Brasil, não parece fazer questão de entender, ganha um salário obsceno e injustificável e está ali para legitimar a atual administração da CBF, para passar a ideia de seriedade e organização e ela. O Brasil não precisa de Ancelotti. O Brasil precisa de líderes, em todas as áreas, que vejam o futebol pelo que ele é e não exclusivamente como negócio. Se nada mudar, 2030 vai ser outro retumbante fiasco. Nossa sorte é que em 2027 as mulheres vão resgatar a alma dessa nação. Continua após a publicidade —> —> Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Supercomputador prevê quais serão os jogos das semifinais da Copa; veja Bonnie Tyler morre: por que 'Total Eclipse of the Heart' faz tanto sucesso? Chefe de arbitragem da Fifa cita polêmica de Argentina x Egito e vê acerto Como a política de Trump e Putin passou a mandar na Fifa e no COI Juca: Neymar é o maior talento e a maior decepção do futebol em 20 anos