Conteúdo Original
De 14 vitórias em 2023/24,para 44 no ano seguinte, até os 60 triunfos da última temporada, o Detroit Pistons protagonizou uma das ascensões mais impressionantes da história da NBA . Agora, chega em 2026/27 com a pretensão de repetir as boas atuações, brigar novamente pela liderança da Conferência Leste e, mudando um pouco a rotina, ter sucesso nos playoffs.
É bem verdade que também houve uma evolução nesse quesito. De passar longe da classificação, para ser eliminado na primeira e, depois, na segunda rodada, os Pistons fizeram jogo duro contra os Cavs meses atrás, caindo mais pelas suas próprias deficiências que por uma força extraordinária dos adversários.
As mudanças no elenco foram pontuais. Embora tenham saído nomes experientes, com longo tempo de casa, e identificados com a torcida, a reposição não foi ruim, apostando principalmente num crescimento do aproveitamento nos chutes de três pontos. O grande imbróglio é qual será o desempenho de Jalen Duren após playoffs bem abaixo do esperado e de uma renovação de contrato deveras complicada.
Campanha: 60 vitórias e 22 derrotas
Classificação: 1º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: eliminado pelo Cleveland Cavaliers por 4 a 3 na segunda rodada, depois de vencer o Orlando Magic por 4 a 3 na primeira rodada
O que aconteceu: foram 13 vitórias nos primeiros 15 jogos, e os Pistons não olharam mais para trás. O time liderou o Leste durante toda a temporada regular, comandados pela capacidade de Cade Cunningham de criar jogadas em meia quadra, pelo salto de qualidade de Jalen Duren no pick and roll e, principalmente, por uma defesa de elite. A liderança sobreviveu ao período em que Cunningham ficou fora por lesão. Ele voltou nos playoffs, e os Pistons tomaram um susto na primeira rodada. Chegaram a ficar atrás do Orlando Magic por 3 a 1, mas conseguiram dar a volta por cima e vencer a série. Na fase seguinte, mais uma vez chegou ao sétimo jogo, mas não conseguiu passar do Cleveland Cavaliers.
Escolhas de Draft: Ebuka Okorie (armador, 17ª escolha) e Ugonna Onyenso (pivô, 53ª escolha)
Quem mais chegou: Isaiah Joe (ala-armador - Oklahoma City Thunder), John Collins (ala-pivô - Los Angeles Clippers), Taurean Prince (ala - Milwaukee Bucks), Elijah Harkless (ala-armador - Utah Jazz)
Quem foi embora: Tobias Harris (ala - San Antonio Spurs), Isaiah Stewart (pivô - Memphis Grizzlies), Marcus Sasser (armador - Dallas Mavericks) e Caris LeVert (ala-armador - Milwaukee Bucks)
Provável time titular: Cade Cunningham, Isaiah Joe, Ausar Thompson, John Collins e Jalen Duren
Reservas: Daniss Jenkins, Ebuka Okorie (armadores), Duncan Robinson, Kevin Huerter, Chaz Lanier, Elijah Harkless (alas-armadores), Javonte Green, Ron Holland, Taurean Prince (alas), Tolu Smith (ala-pivô), Paul Reed e Ugonna Onyenso (pivôs)
Técnico: JB Bickerstaff
Os Pistons passaram por uma grande novela desde o fim da última temporada: a renovação de contrato de Jalen Duren. O pivô esperou o quanto deu na esperança de alguém fazer uma oferta melhor do que a proposta de uma extensão com o time de Detroit por US$ 200 milhões em cinco anos. Como isso não aconteceu, ele decidiu assinar a permanência já às vésperas da pré-temporada.
Muita coisa aconteceu antes desse desfecho. Tobias Harris, tão importante para os Pistons nos playoffs, se mandou para o San Antonio Spurs. Outra baixa importante foi o pivô Isaiah Stewart, que era reserva, mas entrava bastante e entregava uma sólida proteção de aro. Para tentar compensar essas baixas e oferecer uma nova configuração ao que deverá ser a formação principal, a diretoria foi buscar John Collins, que estava em Los Angeles. O técnico J.B. Bickerstaff vê nele e em Duren características que os permitem dividir a quadra sem problemas. Até faz sentido na teoria, mas vale a pena ficar de olho na prática.
Outras duas novidades que devem ser olhadas com muito carinho pelo treinador são Taurean Prince e, principalmente, Isaiah Joe. Se os dois fizerem mais ou menos o que deles se espera, Cade Cunningham terá muito a agradecer por ter mais gente ajudando a espaçar a quadra com bolas de três pontos.
Mas não tem jeito: os holofotes estarão mesmo em cima de Duren, que tanto brilhou na temporada regular e depois encontrou dificuldades nos playoffs. A recuperação dele e o nível que vier a apresentar serão determinantes para o que farão os Pistons, um time que já vai começar a caminhada bastante visado pela liderança da conferência no último ano.
"É o nível de habilidades dos jogadores grandes que importa agora. Se você tiver grandões que são capazes de arremessar e de bater bola, isso te permite usá-los mais. Se for uma dupla mais da velha guarda, de dois caras que gostam de jogar de costas para a cesta, aí já acho que não funciona bem na NBA de hoje. No fim das contas, tamanho e força vão fazer a diferença se tamanho e força também vierem com as habilidades certas."
O comentário é de J.B. Bickerstaff, técnico dos Pistons, a respeito do quanto se sente animado e seguro em ter John Collins, recém chegado ao time, jogando ao lado de Jalen Duren.
30,9 arremessos para três pontos, com apenas 11 acertos. Os Pistons foram o segundo pior time em toda a NBA no volume de chutes do perímetro na última temporada, o que os impediu de chegar ainda mais longe, especialmente nos playoffs, quando até melhoraram um pouco, mas ainda ficaram aquém dos oponentes.
A franquia ainda não superou as perdas de Malik Beasley, Tim Hardaway Jr. e Jaden Ivey nas últimas temporadas. No lugar deles, Duncan Robinson até fez um bom trabalho, com 3,2 acertos e 45% de aproveitamento por jogo, mas nomes como Kevin Huerter e Marcus Sasser não deram conta do recado e praticamente não apareceram na rotação.
Para resolver o problema e destravar o ataque, facilitando a vida tanto deles mesmos quanto de Cade Cunningham, que joga melhor infiltrando em direção à cesta, Detroit foi às compras na free agency e conseguiu Isaiah Joe, do Thunder, John Collins, dos Clippers, e Taurean Prince, dos Bucks.
Na última temporada, tiveram ótimo aproveitamento do perímetro, com alto volume: 42,3%, 40,6% e 43,6%, respectivamente. Dos três, Joe é o que tem maior capacidade de gerar arremessos a partir do próprio drible, o que também pode ajudar a tirar um pouco a bola das mãos de Cunningham, evitando uma fadiga ainda maior no astro. Collins e Prince, por sua vez, geralmente trabalham no catch and shoot .
É bem verdade que, em comparação ao elenco do último ano, chegam para suprir as saídas de nomes como Tobias Harris e Caris LeVert. Embora não tenham o mesmo nome ou relevância em outras situações de jogo, os números do perímetro são, inegavelmente, animadores. Se Cunningham, Duren e Thompson derem conta do resto, os Pistons podem ter um ano ainda melhor.
A relação entre Detroit Pistons e Jalen Duren azedou, ao menos temporariamente. O pivô teve a melhor temporada da carreira, foi eleito All-Star pela primeira vez e pareceu ser o parceiro ideal para Cade Cunningham ao longo da campanha.
Mas nos playoffs ele praticamente desapareceu. Caiu de 19,5 para 10,2 pontos, além de 10,5 para 8,5 rebotes, uma das maiores quedas em relação a temporada regular da história da NBA. Mas mais do que os números, chamou a atenção a postura muito menos confiante e agressiva do pivô.
O problema é que estava no último ano de contrato e era agente livre restrito, modalidade de contrato em que a equipe tem a opção de igualar ofertas de outros times pelo jogador, que é obrigado a ficar. Como os Pistons não quiseram oferecer um contrato máximo para o pivô, esperaram pelas ofertas dos outros times, que também não chegaram.
Assim, depois de uma discussão longa, arrastada, e com várias animosidades vazando para a imprensa, chegaram ao acordo de US$ 200 milhões por cinco temporadas, com a equipe achando que pagou caro demais, e Duren dizendo que foi desrespeitado por não receber um contrato máximo.
Todo o imbróglio fez com que Jalen Duren pouco participasse da pré-temporada, sendo ausência até do media day da equipe. Ainda que tenham acertado um longo contrato, a relação precisa voltar a ser amistosa para que todos possam focar apenas na quadra.
E aí reside outro problema. Afinal, qual será o Duren de 2026/27? O da temporada regular ou o dos playoffs? E quando os Pistons chegarem na pré-temporada, caso as expectativas se confirmem, qual será o papel do pivô? São incertezas grandes demais para uma equipe com as pretensões de Detroit.
Quando a bola chega nas mãos de Cade Cunningham, o tempo parece ter outra velocidade. Com um dos melhores controles do ritmo de jogo em toda a liga, Cade superou temporadas sofríveis em Detroit nos primeiros anos de carreira. Mas permaneceu, o elenco foi qualificado e ele se tornou um jogador mais maduro.
Agora, em sua sexta temporada como profissional, aos 25 anos, chega como um dos principais jogadores da competição e, por que não, candidato a MVP. Além da visão e controle do jogo, tem muita qualidade atacando a cesta, tanto perto do aro, quanto nos arremessos de média distância.
Muito disso é possibilitado por sua força física. Com 1,98m de altura e 2,13m de envergadura, tem porte de ala, mas atua como armador, o que facilita o enfrentamento a vários tipos de adversários. Se tiver um bom pivô de pick’n roll e arremessadores confiáveis ao seu lado, vira uma ameaça ainda maior. Mas mesmo sem estas parcerias, demonstrou um nível tão alto no último ano que levou os Pistons a 60 vitórias, ficou em quinto lugar na votação para MVP, foi eleito All-Star e membro do time ideal da temporada.
Ao longo da carreira, uma das maiores lacunas em seu jogo foi o arremesso de três pontos, que nunca passou dos 35% ao ano. Nos últimos playoffs, porém, chutou para 40%, com 7,3 tentativas por partida e 2,9 acertos, o que além de reforçar sua característica de crescer de produção nos momentos decisivos, também indica uma possível melhora em seu arsenal. Se tornar este aproveitamento o mesmo da temporada regular, será capaz de gerar ainda mais espaço para os companheiros e para as próprias infiltrações.
Com a dura missão de substituir Tobias Harris, John Collins será um dos grandes termômetros dos Pistons ao longo da temporada. Durante seus nove anos de carreira, foi um pontuador versátil, com bom aproveitamento do perímetro e, principalmente, atacando a cesta, com cestas rápidas e acrobáticas. Sem, no entanto, conseguir criar o próprio arremesso.
Embora tenha 2,06m, não é o jogador mais eficiente brigando no garrafão, nem no jogo de costas para a cesta. Mesmo assim, faz um pouco de tudo nas partidas, nos dois lados da quadra. Se conseguir integrar um sistema que orbita Cade Cunningham com eficiência, certamente terá inúmeros arremessos em boas condições ao longo da temporada.
Uma das grandes possibilidades para seu crescimento é justamente apostar na dupla com Cade a partir de pick’n rolls com cortes explosivos em direção ao aro. Além de aliviar a carga sobre Jalen Duren, também pode atrair a marcação deixando livres nomes como Duncan Robinson e Isaiah Joe. Nas demais situações, precisará se contentar em esperar na zona morta ou na meia distância para receber em situações de dobra no companheiros. Aceitando esse papel, tem tudo para ser uma ótima aquisição.
Outro nome para ficarmos de olho é Ausar Thompson. Peça fundamental no sistema dos Pistons mesmo com apenas três temporadas na carreira, o ala é um dos maiores defensores da competição. Na última temporada foi eleito para a equipe ideal de defesa, além de terminar em terceiro lugar no prêmio de Melhor Defensor. Nos playoffs, os oponentes chegaram ao ponto de rodar a bola o máximo possível apenas para não precisar atacá-lo.
Um verdadeiro carrapato em quadra, faz da explosão física sua maior aliada, junto da boa leitura dos ataques adversários. Ofensivamente, contudo, tem a maior capacidade de evolução. Dependente da explosão em direção à cesta, não tem capacidade de criar o próprio arremesso, nem de chutar do perímetro. Se virar um jogador ao menos regular nestes quesitos, os Pistons provavelmente subirão de rendimento.
3,5 (médio para alto) - Foi um time competitivo no ano passado, deve continuar sendo, e tem em Cade Cunningham uma grande estrela. Por melhor que seja o armador, o ataque não é a coisa mais fluída do mundo. Às vezes dá uma empacada, não chega a ser raro ver a defesa sendo o ponto de partida para a produção de cestas do outro lado. É algo que tem seu valor, não chega a ser entediante ver os Pistons, mas também não enche os olhos.
No cenário mais otimista: os Pistons mantêm a ótima defesa do ano passado, veem o ataque melhorar, com um ótimo entrosamento entre Jalen Duren e John Collins, e desta vez conseguem traduzir a liderança do Leste em força nos playoffs. E aí não seria absurdo nenhum esse time ganhar a conferência e disputar o título com o campeão do Oeste.
No cenário mais pessimista: o time sente mais falta de Tobias Harris do que deveria e dá um ou dois passos para trás em relação à última temporada. Em uma conferência concorrida como deve ser o Leste, essa queda em meio a potencial evolução de outros times que se reforçaram na “offseason” pode até mandar os Pistons para a disputa do play-in.
Clique no escudo para ler. Será publicada uma análise por dia até 19/10, véspera da estreia da NBA.