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Em coletiva chapa branca, Infantino reafirma alinhamento com EUA e Trump Julio Gomes e Paulo Vinicius Coelho (PVC) Colunistas do UOL, na Cidade do México 10/06/2026 17h21 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Gianni Infantino, presidente da Fifa, afirmou que não seria possível organizar a Copa do Mundo sem Donald Trump, presidente dos EUA Imagem: Carl Recine/Getty Images A expulsão de um árbitro da Somália - considerado o melhor da África -, as revistas vexaminosas a jogadores e membros de delegações do Senegal e do Uzbequistão, o interrogatório de sete horas a um jogador do Iraque e a impossibilidade de a seleção do Irã treinar em solo norte-americano não foram suficientes para Gianni Infantino, presidente da Fifa, mostrar algum tipo de insatisfação com o principal país organizador da Copa. Muito pelo contrário. "Eu tenho uma grande relação com o presidente Trump, fico feliz por isso. Conheci no primeiro mandato e estamos trabalhando juntos agora. Não seria possível organizar uma Copa do Mundo sem o envolvimento dele. Ele entendeu a magnitude, o impacto e colocou a administração para ajudar. Estamos falando sobre a maior potência do mundo, claro que às vezes há problemas, mas, colocando tudo na mesa, é uma relação positiva", falou Infantino. A entrevista coletiva organizada pela Fifa teve uma hora e dez minutos de duração. Os primeiros 40 minutos foram ocupados por Infantino. Depois, foram feitas dez perguntas. Três, mais duras, duas delas feitas por ingleses. As outras sete perguntas foram no melhor estilo chapa branca. O UOL apurou que um meio de comunicação sul-americano ganhou o direito de fazer uma pergunta, desde que fosse sobre um tema específico e previamente combinado. A impressão é que a coletiva "suave" para Infantino tinha outros meios com acesso ao microfone nas mesmas condições. Tatiana Farah A boa e a má notícia da Quaest para Flávio José Fucs A guinada woke da Justiça vai além do caso Borel Alicia Klein Vai começar a Copa do Mundo da xenofobia Milly Lacombe Americanas fizeram pacto obsceno com arbitragem Perguntas sobre "quem é o favorito para a Copa" e "qual a importância de Messi" contrastaram com os três assuntos mais quentes do momento: os vistos e entradas negados nos EUA, a situação do Irã e os preços exorbitantes cobrados por ingressos. Em seus 40 minutos iniciais, Infantino pediu reiteradamente "união" em torno da Copa do Mundo e já se adiantou sobre os três temas. "Sobre o Irã, estou muito feliz de eles estarem aqui. As pessoas falavam que não ia ser possível. Eu disse no passado que se eu tivesse que trazê-los de carro de Teerã para cá, eu iria trazê-los. Claro que há desafios e não é fácil. Nestas circunstâncias, que não podemos influenciar, o Irã vem e vai jogar", falou o presidente da Fifa, sem esclarecer se os iranianos só poderão mesmo entrar nos EUA no dia dos jogos. Não foram feitas mais perguntas sobre o Irã e nem sobre as revistas e bloqueios nos EUA. O jornalista da BBC inglesa questionou a Infantino se "a Fifa perdeu o controle sobre seu próprio torneio". E outro, da África do Sul, se o presidente "se arrependia" de ter os Estados Unidos como co-anfitriões. "Não me arrependo de nada", falou Infantino. "É uma pena o que aconteceu com Omar (Artan), o árbitro da Somália. Mas você não consegue controlar tudo. Nós tentamos conversar e resolver. Às vezes, começar a gritar tem um efeito contrário. Nós sempre tentamos achar soluções, mas temos de respeitar que são somos os reis do mundo que podem mandar em governos e forças policiais. Somos uma organização esportiva." Continua após a publicidade Relacionadas Infantino diz que Fifa tentou resolver caso de árbitro barrado: 'Uma pena' Fifa tem festival de erros em primeiro dia da Copa dos problemas inéditos Ex-presidente da Fifa detona Infantino por árbitro barrado da Copa: 'Grave' "Você acharia normal que Fifa ditasse aos britânicos quem deixar entrar ou não?", questionou ao repórter da BBC. "A realidade é que cada país tem regras. Não é fácil quando você tem 300 mil credenciados, a maioria de fora dos Estados Unidos. Infelizmente nosso mundo é agressivo e a segurança manda em tudo e você tem que respeitar as decisões. Estamos trabalhando nos bastidores e tentando achar soluções. Às vezes, dá certo. Às vezes, não. Eu já acho um sucesso trazer o Irã para jogar na América, mas nós não vivemos na Lua, vivemos na Terra e temos de lidar com o que temos." Sobre os ingressos, Infantino justificou os altos preços praticados pelos valores que flutuam com a demanda e o mercado paralelo. E ainda foi irônico com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. "Quero parabenizar o prefeito de Nova York porque ele colocou à venda 1000 ingressos a 50 dólares. Bem, nós colocamos 130000 ingressos a 60 dólares. Possivelmente ele seja melhor que eu em comunicação". "O nosso preço de partida estava abaixo do que qualquer jogo de playoff de esportes americanos. O preço médio, 500 dólares, é mais barato que a média de qualquer jogo de playoff de esportes americanos. Quando colocamos esses ingressos à venda, eles vão para um mercado paralelo e sobem para valores muito mais altos. Quem ganha com isso é o mercado paralelo, não a Fifa. Todos os dólares que geramos volta para o futebol. Se estivéssemos vendendo nossos direitos para TV paga, faríamos quatro vezes mais dinheiro, bilhões não veriam a Copa e poderíamos deixar os ingressos todos de graça, mas ainda assim eles parariam no mercado negro." "Quem está investindo no Sudão do Sul, Serra Leoa, Vanuatu ou Timor Leste? Temos 100 academias em países em que ninguém coloca o pé. Talvez ninguém ligue para Cabo Verde, Curaçao, Haiti, mas para eles é coisa mais importante do mundo estar na Copa. Poder dar isso para estes países não tem preço." Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Ancelotti testa Éderson na lateral direita da seleção brasileira Maior cemitério de baleias do mundo pode ter 10 milhões de carcaças Vai começar a Copa da xenofobia: seleção brasileira precisa se preocupar? Morta a tiros, influenciadora do agro relatou intimidação semanas antes Ex-presidente da Fifa detona Infantino por árbitro barrado da Copa: 'Grave'