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Óculos esportivos: o cuidado com a visão durante a corrida de rua Muitos praticantes de atividade física têm algum grau de correção visual e ficam em dúvida na hora de treinar: usar óculos, lente de contato ou tentar praticar sem correção? A decisão impacta diretamente no conforto, no desempenho e na segurança, uma vez que enxergar bem faz parte do próprio movimento. + Como escolher óculos de grau para corridas: não deixe a miopia atrapalhar seu desempenho + Como escolher óculos adequados para atividade física O médico do esporte Lindbergh Barbosa de Souza Mendes explica que a visão envia informações ao cérebro sobre posição, distância e velocidade. Quando a imagem está nítida, o corpo ajusta melhor os passos, a força e a direção. - Qualquer nível de embaçamento aumenta o tempo de reação e eleva o risco de tropeços, choques e erros de movimento, especialmente em atividades dinâmicas - explica. 1 de 3
Judoca Akira Sone arrumando lente de contato durante luta nos Jogos Olímpicos Paris 2024 — Foto: David Ramos/Getty Images Judoca Akira Sone arrumando lente de contato durante luta nos Jogos Olímpicos Paris 2024 — Foto: David Ramos/Getty Images Os óculos podem ser uma solução segura em atividades leves, como caminhada ou musculação, mas nem sempre são a melhor escolha . O oftalmologista Marcelo Taveira destaca que em exercícios leves, o uso de óculos costuma ser seguro. Já em esportes de contato, corrida ou atividades com risco de impacto, eles podem se tornar perigosos. Nesse caso, há risco de trauma direto: a armação pode pressionar o rosto, causar escoriações ou até provocar ferimentos oculares se houver quebra. Além disso, o movimento constante pode fazer o óculos escorregar ou deslocar-se bruscamente. - A escolha da armação também influencia muito na segurança. Os modelos esportivos são projetados para se ajustar firmemente ao rosto, produzidos com materiais flexíveis e lentes resistentes ao impacto. Já os óculos comuns podem se soltar ou quebrar facilmente durante o exercício - pontua. As lentes de contato são populares entre esportistas por oferecerem campo visual amplo e estabilidade durante o movimento, mas também exigem mais cuidados. De acordo com o oftalmologista, os riscos mais comuns são o ressecamento e a contaminação, especialmente em ambientes com poeira, vento ou ar-condicionado. - Suor e partículas no ar podem alterar o filme lacrimal e favorecer irritações e conjuntivites. Para reduzir os problemas, é essencial manter a higienização adequada, usar colírios lubrificantes quando necessário e nunca dormir ou reutilizar lentes descartáveis. Em algumas práticas, porém, elas devem ser evitadas: natação, atividades aquáticas, esportes de areia e modalidades com muito contato físico. A água, seja doce, salgada ou com cloro, contém microrganismos que podem aderir à lente e causar infecções graves, como ceratite - alerta Marcelo Taveira. 2 de 3
Rebeca Andrade vê de óculos sua nota na final no solo nas Olimpíadas de Paris 2024 — Foto: Reuters Rebeca Andrade vê de óculos sua nota na final no solo nas Olimpíadas de Paris 2024 — Foto: Reuters Já treinar sem correção visual pode parecer uma alternativa confortável, mas não é recomendável quando o grau interfere na percepção de profundidade, distância ou no equilíbrio. O especialista explica que, mesmo sem um limite numérico rígido, miopias a partir de -0,75 já comprometem o desempenho e a segurança em esportes de movimento rápido. E a tentativa de compensar a falta de nitidez pode gerar consequências para todo o corpo. Já o médico do esporte reforça que, quando os olhos cansam ou não focam adequadamente, o corpo tende a ajustar a posição da cabeça e do pescoço, o que altera o equilíbrio e prejudica o alinhamento do tronco, favorecendo erros de movimento e até dores. - O ambiente e a modalidade esportiva também determinam a escolha. Em academias, suor e vapor podem embaçar óculos ou ressecar lentes. Ao ar livre, vento, poeira e sol exigem proteção UV e estabilidade. Em quadras, ter uma visão nítida é crucial para calcular distância e velocidade da bola. Nos esportes de alta velocidade, é fundamental usar lentes resistentes ao impacto e armações fixas. E na piscina ou no mar, a regra é clara: nunca usar lentes de contato; a alternativa mais segura é usar óculos de natação com grau - orienta Lindbergh Mendes. Para quem usa lentes, alguns cuidados antes, durante e depois do treino são indispensáveis, como higienizar bem as mãos e as lentes antes de colocá-las, evitar coçar os olhos durante a atividade e, após o exercício, remover, higienizar ou descartar as lentes conforme o tipo. 3 de 3
firmino de óculos no treino do liverpool — Foto: Divulgação / Liverpool firmino de óculos no treino do liverpool — Foto: Divulgação / Liverpool Marcelo Taveira ressalta ainda a importância na atenção aos sinais de alerta: dor, vermelhidão persistente, sensibilidade à luz, visão borrada ou sensação de corpo estranho nunca devem ser ignorados. Esses sintomas podem indicar desde irritações simples até infecções mais graves, e exigem suspensão imediata do uso e avaliação oftalmológica. A tecnologia hoje também oferece soluções para quem deseja mais liberdade. Há lentes de contato altamente permeáveis ao oxigênio, colírios lubrificantes de nova geração e, para alguns casos, a possibilidade de correção definitiva com cirurgia refrativa a laser. Segundo o oftalmologista, o procedimento oferece correção precisa, recuperação rápida e elimina a dependência de óculos e lentes em atividades esportivas. No final, a melhor opção depende da necessidade visual de cada pessoa, do tipo de exercício e das condições do ambiente. Fontes: Lindbergh Barbosa de Souza Mendes é médico ortopedista e traumatologista. Médico do Esporte pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e Associação Médica Brasileira (AMB). Pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Marcelo Taveira é médico oftalmologista, especialista em cirurgia refrativa, membro da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (ABCCR) e da International Society of Refractive Surgery.