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Análise dos Times

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Quênia Maratona de Londres Nairóbi Iten Lornah Kiplagat Pedro Queirós High-Altitude Training Center Paula Radcliffe Mo Farah Sifan Hassan Joyce Kenei Decathlon Kiprun

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O empresário português Pedro Queirós poderia passar as férias descansando em uma praia com a família. Em vez disso, desde 2021, ele passa pelo menos um mês por ano em um centro de treinamento em uma pequena cidade do Quênia. Lá, ele corre algumas horas por dia a cerca de 2.400 metros de altitude. “Sou um corredor amador, não tenho patrocinadores, não sou pago”, disse à CNN o empresário de 45 anos. “Mas eu amo o esporte, e o Quênia é o único lugar que me dá a oportunidade de me tornar o atleta que sempre sonhei ser.” A paixão de Queirós pela corrida é uma história que muita gente vai reconhecer. Ele correu sua primeira prova de 5 km há uma década e se apaixonou. Aumentou as distâncias, passou a ler sobre a história do esporte, pesquisou nutrição e comprou um relógio com GPS. No fim da pandemia de Covid, enquanto se preparava para a Maratona de Londres, ele ficou curioso com uma cidade queniana sobre a qual havia lido: Iten. Corredores quenianos somam 38 medalhas de ouro olímpicas, a maioria em provas de longa distância . Alguns dos melhores treinaram em Iten. “Comecei a ficar curioso”, contou Queirós. “O que eles fazem de diferente na África? E o que é preciso para ser um campeão?” Bastou uma estadia no centro de treinamento para responder à pergunta. Segundo ele, após seis semanas no High-Altitude Training Center de Iten , seu desempenho melhorou drasticamente, e seu tempo na maratona caiu para respeitáveis 2h38. É o motivo pelo qual ele voltou oito vezes desde então, sempre antes de um desafio físico, seja uma prova de longa distância ou a escalada de alguns dos picos mais altos do mundo. É esse tipo de impacto no desempenho que rendeu a Iten o apelido de “casa dos campeões”. Hoje, o High-Altitude Training Center é um pequeno campus com alojamento, academia, piscina, sauna, pista de asfalto privativa e natureza por todos os lados. Recebe até 90 pessoas na alta temporada, metade delas visitantes internacionais. É um dos cerca de doze centros de treinamento hoje existentes em Iten, mas, quando foi inaugurado, era pioneiro. “Quando pensei em abrir o centro de treinamento, em 1997, não havia nada em Iten”, disse a fundista e três vezes olímpica Lornah Kiplagat sobre o antigo posto agrícola, a cerca de 320 km a noroeste de Nairóbi. “Nenhum hotel, nenhuma estrada e, certamente, nenhum turista.” Na época, a nativa do Vale do Rift tinha 23 anos e acabava de começar a competir no exterior. Naquele mesmo ano, venceu a Maratona de Los Angeles, os 25 km de Berlim, a Greifenseelauf de Zurique, a Boilermaker Road Race, nos EUA, e a Tilburg Ten Miles, na Holanda. Ela treinava em vários lugares, de Albuquerque, no Novo México, a Davos, na Suíça. “Percebi que, objetivamente, não havia lugar melhor para treinar do que em casa”, afirmou. A altitude de Iten fica bem acima dos cerca de 1.800 metros de algumas das bases de treinamento em altitude mais famosas do mundo, o que força o corpo a se adaptar a menores níveis de oxigênio e melhora drasticamente a resistência e o fôlego. O clima tem média de cerca de 18 graus Celsius ao longo de todo o ano, e o terreno é desafiador, mas bonito. Em 1999, Kiplagat inaugurou o centro de treinamento e convidou alguns colegas locais para treinar com ela nas famosas estradas de terra vermelha de Iten. Ela também abriu o centro a meninas quenianas, para incentivá-las a começar a correr, mesmo que de forma casual, em um espaço seguro. “Como grupo, estávamos vencendo grandes competições, e a mídia ocidental começou a se perguntar onde treinávamos”, contou. “É claro que mencionamos o High-Altitude Training Center. A maioria nunca tinha ouvido falar dele.” “Foi assim, passo a passo, que ficamos conhecidos mundialmente por produzir alguns dos melhores fundistas do mundo.” Desde 2004, o centro está aberto a atletas internacionais, incluindo a britânica Paula Radcliffe, três vezes vencedora da Maratona de Londres, e os medalhistas de ouro olímpicos Mo Farah e Sifan Hassan. Mas foi preciso uma pandemia global para transformar de fato o centro em um destino mundial. Os lockdowns da Covid-19 levaram a uma explosão de popularidade da corrida. Depois disso, as “runcations” e “race-cations” decolaram, com corredores viajando cada vez mais ao exterior especificamente para correr. Hotéis e negócios se adaptaram, e Kiplagat também. “A corrida ficou tão popular que recebíamos muitos pedidos também de corredores recreativos. Então decidimos abrir as portas para eles”, disse ela. O mesmo fez o resto da cidade. Comparada à época em que abriu o centro, Iten está irreconhecível hoje, segundo Kiplagat. Queirós acompanhou as mudanças nos últimos cinco anos: “A única coisa que não mudou é a altitude. A cidade é maior, mais movimentada, e as pessoas que vêm treinar são muito mais diversas.” Hoje, hospedar-se no HATC, com acesso à academia, à pista e à sauna, custa cerca de 50 euros (R$ 295) por dia. Alguns preferem seguir o próprio programa ou treinar gratuitamente com outros grupos de atletas. Pessoas como Queirós preferem pagar pelos treinadores e pelos pacers do centro, por cerca de 5 euros (R$ 30) por sessão. O local tem cinco treinadores em período integral e uma ampla rede de pacers pela cidade. Segundo números compilados pela ex-acadêmica e hoje oficial de meio ambiente Joyce Kenei, o número anual de turistas esportivos em Iten subiu de cerca de 300, em 2010, para mais de 3 mil em 2025. Em torno deles, cresceu toda uma economia de turismo esportivo: campos de treinamento, hospedagem, negócios e serviços de apoio. As marcas esportivas também descobriram o potencial de Iten. A Kiprun, marca de corrida da Decathlon, abriu a 42 House, uma estrutura residencial de treinamento que apoia corredores de elite. Metade dos centros de treinamento fundados em Iten desde a abertura do HATC foi criada por estrangeiros, disse Kenei à CNN. Kiplagat, porém, mantém os pés no chão em seu modelo, um dos únicos, segundo ela, que retribui algo à cidade. O centro já treinou quase 300 estudantes locais gratuitamente, muitos dos quais conquistaram bolsas integrais em universidades da Ivy League, nos EUA. “Construímos um sistema que é igualmente acolhedor para moradores locais e estrangeiros e que realmente leva todos a darem o melhor de si”, disse ela. “A mídia ocidental mostra a parte caótica do país”, acrescentou. “Mas tenho muito orgulho do Quênia e adoro o papel que o High Altitude Training Center desempenha ao mostrar o Quênia aos viajantes.”