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Conheça as características dos pneus da Fórmula 1 da temporada de 2026 Sem eles, não há corrida. Estamos falando dos pneus da F1, que também atuam como um fator de influência nas estratégias das equipes e, consequentemente, nos resultados. Até o seu mau funcionamento pode ocasionar momentos inesperados: como não lembrar, por exemplo, da histórica vitória de Lewis Hamilton com três pneus no GP da Inglaterra de 2020 ? Outro episódio marcante foi no GP dos Estados Unidos em 2005, quando a Michelin aconselhou que suas equipes clientes não corressem por problemas nos pneus; com isso, só seis pilotos de parceiras da Bridgestone - Ferrari, Jordan e Minardi - largaram. O ge explica abaixo quais são os tipos de pneus usados na Fórmula 1 e as diferenças entre cada um deles. 1 de 8
Pneus da temporada de 2026 da F1 — Foto: Steven Tee/LAT Images Pneus da temporada de 2026 da F1 — Foto: Steven Tee/LAT Images Desde 2011, os pneus são fornecidos apenas pela italiana Pirelli. Em um fim de semana padrão, os pilotos recebem 13 sets de pneus de pista seca, cinco de intermediários e dois de chuva forte (três, em Mônaco). Na corrida, é obrigatório trocá-los ao menos uma vez, exceto quando está chovendo e os pneus para pista molhada estão sob uso. Os pneus do regulamento introduzido para a Fórmula 1 em 2026 têm 18 polegadas, mas o diâmetro deles é menor. Pneus de pista seca Também conhecidos como pneus slick , estes compostos foram projetados para as provas em que não há chuva. Eles são "carecas" e de superfície totalmente lisa, o que permite que possuam maior aderência ao asfalto e, consequentemente, concedam velocidade ao carro. Diferente dos pneus de carros de rua, eles são menos resistentes; por isso, seu desgaste também é intenso. Os níveis de desgaste e aderência variam, e a cada corrida os pilotos escolhem entre tr, identificados da seguinte forma: 🔴 Pneus macios: têm a cor vermelha. Estes compostos são os de maior aderência com o asfalto e proporcionam tempos de volta mais rápidos; no entanto, possuem desgaste maior e duram menos voltas. Para além do uso nas corridas, eles são a primeira opção dos pilotos em classificações na enorme maioria dos casos. 2 de 8
Pneus macios da F1 — Foto: Andy Hone/LAT Images Pneus macios da F1 — Foto: Andy Hone/LAT Images 🟡 Pneus médios: têm pintura amarela. Os compostos médios não são os mais rápidos, mas também têm boa aderência e costumam ser uma escolha mais equilibrada. 3 de 8
Pneu médio da F1 — Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images Pneu médio da F1 — Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images ⚪️ Pneus duros: são aqueles com a pintura branca. Esses compostos têm menor aderência, demoram mais a entrar na temperatura ideal e proporcionam tempos de volta mais lentos na comparação com os dois citados acima, mas o desgaste costuma ser bem menor. São especialmente úteis nas estratégias de corrida. 4 de 8
Pneus duros da F1 no carro da Williams — Foto: Peter Fox/Getty Images Pneus duros da F1 no carro da Williams — Foto: Peter Fox/Getty Images Essa diferenciação em cores torna mais fácil a percepção do público em relação à estratégia. No entanto, os pneus de pista seca são, na verdade, divididos em cinco gamas: C1, C2, C3, C4 e C5. Chegaram a existir outras, como C0 e C6, mas essas não estão em uso atualmente. Essas cinco gamas são classificadas de acordo com os níveis de aderência e desgaste: o C1 é o pneu mais resistente e menos veloz, enquanto o C5 é o de maior aderência e velocidade, mas dura menos. A cada corrida, a fornecedora de pneus da Fórmula 1 escolhe três dessas cinco gamas para uso dos pilotos: a mais à esquerda do espectro vira o pneu duro (branco), a que está ao meio se torna o pneu médio, e a mais à direita é o pneu macio (vermelho). Veja um exemplo da diferença na comparação entre os GPs dos EUA e da Áustria de 2025: Exemplo de escolhas das gamas dos pneus CORRIDA Pneu duro ⚪️ Pneu médio 🟡 Pneu macio 🔴 GP dos EUA 2025 C1 C3 C4 GP da Áustria 2025 C3 C4 C5 deslize para ver o conteúdo Pneus para pista úmida e molhada Quando chove, não há o que fazer em relação aos carros na pista: eles precisam trocar de pneus, até por questões de segurança. Para isso, as condições climáticas e os objetivos de cada equipe ditarão a escolha a ser feita entre dois tipos de compostos: os intermediários e os de chuva forte. O que diferencia ambos dos pneus slick é que essa categoria possui ranhuras e sulcos responsáveis por dar estabilidade ao carro sobre a pista molhada e expulsar a água do chão, evitando assim uma aquaplanagem. Eles também são bem mais lentos que os compostos de pista seca. Os intermediários 🟢 possuem ranhuras mais superficiais e servem para chuva fraca a moderada ou uma situação de pista úmida sem chuva. Servem como um pneu de transição dos de chuva para os slicks. 5 de 8
Carro da Aston Martin com pneu intermediário no GP da Inglaterra de F1 2025 — Foto: Glenn Dunbar/LAT Images Carro da Aston Martin com pneu intermediário no GP da Inglaterra de F1 2025 — Foto: Glenn Dunbar/LAT Images Os de chuva forte 🔵 são adotados em caso de precipitação extrema. Porém, como a expulsão de água da pista é muito maior, podem prejudicar a visibilidade dos pilotos e inviabilizar a continuidade da prova, treino ou classificação. Oferecem maior proteção contra aquaplanagem. 6 de 8
Ferrari com pneus de chuva extrema no GP de Las Vegas de F1 2025 — Foto: Clive Mason/Getty Images Ferrari com pneus de chuva extrema no GP de Las Vegas de F1 2025 — Foto: Clive Mason/Getty Images Como os pilotos são obrigados a fazerem ao menos um pit stop na F1 quando em regime de pista seca, o momento pode servir para ajudar no ganho de posições ou em um duelo direto. Decidir a hora certa de visitar os boxes é importante, pois alguns segundos são perdidos na chegada ao pit lane e na troca de pneus - que se for bem feita, dura entre 2s e 2s5. Estratégias Duas estratégias principais envolvem o momento da troca de pneus na F1: o undercut , e o overcut . O undercut consiste na decisão de um piloto de entrar nos boxes antes do rival direto; assim, ele terá pneus mais novos e com mais velocidade e conseguirá sair na frente do adversário uma vez que este também for para o seu pit stop. 7 de 8
McLaren troca pneus de Lando Norris no GP do Catar de F1 — Foto: Lars Baron/LAT Images McLaren troca pneus de Lando Norris no GP do Catar de F1 — Foto: Lars Baron/LAT Images O overcut , por sua vez, consiste em postergar ao máximo o pit stop para ganhar tempo na pista. Quando o rival direto ou os outros competidores do grid já tiverem gasto os pneus de suas primeiras trocas, aí o piloto em questão também visitará os boxes e obterá vantagem com pneus fresquinhos. Essa também é uma estratégia usada nas corridas de recuperação; quando um piloto larga no fundo do grid, pode optar por começar com pneus duros, estender ao máximo seu jogo inicial para avançar na parte de cima da classificação. Com isso, ao realizar com uma boa parada e fazer escolha certa dos novos pneus, ele pode se manter nas posições obtidas antes do pit stop. O número de paradas também é um fator importante a ser decidido pelas equipes. Ao decidir fazer um único pit stop, o piloto precisa equilibrar desempenho com a conservação dos pneus antes e depois de sua troca. Com dois pit stops, há mais liberdade; mas os segundos perdidos nos boxes e as posições provisoriamente perdidas devem ser manejados. 8 de 8
Pit stop de Norris no GP da Itália da F1 2025 gerou polêmica — Foto: Steven Tee/LAT Images Pit stop de Norris no GP da Itália da F1 2025 gerou polêmica — Foto: Steven Tee/LAT Images Quando começa a corrida com pneus mais macios, o objetivo do piloto em geral é de construir uma boa vantagem que tentará manter mesmo após sua troca. Largar com compostos mais duros, por sua vez, visa estender sua permanência na pista e, depois, adotar pneus que vão render mais velocidade em pouco tempo ou até mesmo continuar com compostos de maior vida útil. Essas decisões e o tempo de duração de cada pneu, porém, são influenciados por elementos como: temperatura da pista, técnicas de frenagem, o clima, características do circuito, aderência do asfalto, cuidado do piloto e do carro com os pneus e outros fatores. Decidir quando colocar os pneus de chuva também é crucial. Postergar a visita aos boxes para instalá-los pode ser perigoso; Lando Norris, por exemplo, perdeu a chance de vencer o GP da Rússia de 2021 porque adiou sua ida ao pit lane, a chuva aumentou rápido demais e ele se tornou "passageiro" numa McLaren que patinava pela pista molhada, vendo Lewis Hamilton levar a vitória. Na mesma corrida, Max Verstappen escolheu o momento certo para ir dos slicks aos pneus intermediários e assim, conseguiu concluir sua recuperação ao ir de 20º para o segundo lugar.