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O domingo tricolor teve cara de reinício: estreia de Luís Zubeldía com triunfo, quebra de tabu e uma arquibancada ao mesmo tempo eufórica e impaciente. No Maracanã, o Flu venceu o Botafogo por 2 a 0 na estreia do argentino e pôs fim a uma sequência negativa contra o rival — roteiro contado nos detalhes das reportagens do dia . Zubeldía não só estreou com vitória; trouxe aquele nervo visível à beira do gramado — comemorações acentuadas, instruções no campo e socos no chão que traduzem intensidade em método. O novo técnico elogiou publicamente o trabalho que recebeu de Renato Gaúcho e falou com serenidade sobre a situação de Soteldo, prometendo trabalho para que o atacante vire objeto de aplausos e não de vaia . O volante Martinelli, satisfeito com o fim do jejum e com o espírito do grupo, confirmou a boa impressão sobre o novo comando . Em campo, o roteiro foi simples e eficaz: Germán Cano abriu o placar de cabeça e, já no fim, Lima selou o 2 a 0 que desatou o nó antigo — a narrativa do clássico, as chances e as defesas aparecem nos relatos técnicos da partida . E o episódio humano da tarde: Soteldo foi vaiado ao entrar, fruto de uma resistência da torcida que acompanhava a estatística negativa do jogador; a mesma troca que gerou vaias acabou, paradoxalmente, dando resultado quando Lima marcou . Fora das quatro linhas, o Fluminense não se conteve: a conta oficial do clube entrou na pilhéria histórica contra o rival, com provocações que vão do "Respeita teu pai" a memórias numéricas do clássico — uma zoeira que virou notícia e ilustrou o gosto por transformar rivalidade em post comemorativo . Mas essa vitória tem também uma paisagem mais ampla. A saída dramática de Renato, após a eliminação na Sul-Americana, segue pairando sobre o clube e alimenta uma conversa maior sobre impaciência e o papel das redes na relação entre torcida e trabalho técnico — reflexão bem colocada no texto de opinião que cruzou a pauta do dia, sobre como o futebol parece ter esquecido a convivência com a derrota . Zubeldía, por sua vez, chegou procurando somar o que encontrou e imprimir sua intensidade sem apagar o que deu certo antes . O saldo imediato: alívio e festa, 34 pontos na conta e a sequência que segue com viagem a Recife para encarar o Sport — motivos para respirar e, ao mesmo tempo, trabalhar para não voltar a ouvir a pena curta das redes sociais . Se o dia teve provocação, drama e alívio, também trouxe uma promessa: o Flu encontrou, por ora, um técnico que transforma intensidade em método — cabe a ele, e ao clube, transformar esse início em regularidade.