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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Por que esta Copa do Mundo não tem ‘musas’ nas transmissões Alicia Klein Colunista do UOL 04/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Larissa Riquelme durante o jogo entre Paraguai e Espanha na Copa do Mundo de 2010 Imagem: Luis Vera/Getty Images Você sente falta de Larissa Riquelme? Se tem mais de 30 anos, é provável que se lembre de uma das estrelas do Mundial de 2010. A modelo paraguaia foi considerada a musa da Copa da África do Sul, com destaque também no Brasil, em 2014. Esta "honraria" não aconteceu por acaso. Sua origem pode ser rastreada. Por décadas, cinegrafistas buscaram na torcida mulheres com características muito específicas, trajadas de um modo muito específico, submetidas então a um close muito específico, que você talvez consiga imaginar. As "musas", com seus sorrisos e decotes largos, preenchiam a tela incansavelmente. O caso de Larissa é apenas um exemplo do machismo que a transmissão ajudava a reforçar. Homens estão aqui para torcer. Mulheres, para servir ao desejo desses homens. Esse é o nosso lugar na festa. Mauro Cezar Argentina foi finalmente testada. E deixou a desejar Juca Kfouri Lionel Messi busca a imortalidade em vida Alicia Klein Por que esta Copa não tem 'musas' nas transmissões Maria Prata A beleza na era das selfies e da inteligência artificial Em 2018, a maré começou a virar. Na Rússia, conselheiros da Fifa notaram, aparentemente surpresos, que a incidência de atos de misoginia contra profissionais da mídia era mais prevalente do que os de racismo. Começaram, então, a pedir às emissoras detentoras de direito para maneirar no que ficou conhecido como "perv cam" (câmera pervertida). Em 2022, embora a entidade tenha admitido alteração nas diretrizes, a influenciadora croata Ivana Knoll virou — adivinhem — musa da Copa do Qatar, com enorme contribuição das imagens de televisão. A edição de 2026 parece finalmente estar trazendo uma transformação real, pelo menos do ponto de vista editorial. Pessoas continuam chamando a atenção, intencionalmente ou não, como as gêmeas portuguesas Maria e Matilde Neiva, esta última namorada do atacante Francisco Conceição. Suas reações capturaram as câmeras na partida contra a Colômbia, mas a sensação é menos grosseira, menos incômoda do que foi no passado. Os closes são definitivamente diferentes, e não exclusivos a mulheres de um certo padrão. Perguntamos à Fifa se houve mudança oficial de diretriz nas transmissões, mas eles não responderam. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês O machismo claramente não está abolido. Para muitos, as mulheres deveriam ocupar para sempre apenas esse lugar objetificado e circunscrito — se possível, fora do futebol totalmente. Ao que tudo indica, o desejo desses alecrins não será atendido. Não só as mulheres seguirão ocupando cada vez mais espaços, inclusive no futebol masculino, como também não serão mais retratadas como peitos ambulantes no maior palco do futebol mundial. Ao menos não institucionalmente. Larissa Riquelme, aliás, está nesta Copa. Ela se formou em jornalismo e foi para os Estados Unidos cobrir a grande campanha da seleção paraguaia. Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Alicia Klein por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Caso Gisele: testemunhas relatam pânico de depor diante de tenente-coronel Gastei aposentadoria e virou pesadelo, diz brasileira sobre casa na Itália Casas na Itália passam de sonho a pesadelo para compradores brasileiros Sprint: Antonelli bate Hamilton em briga 'energética' e vence na Inglaterra A cartola da Noruega que peita a Fifa e ousou criticar prêmio dado a Trump