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Futebol Copa 2026: caso de Neymar é diferente dos de Romário, Ronaldo e Ronaldinho Pedro Lopes Colunista do UOL 19/03/2026 05h30 Deixe seu comentário Romário e Felipão em treino da seleção brasileira em 2001 Imagem: Antônio Gaudério/Folhapress Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Na medida em que a Copa do Mundo se aproxima, o treinador da seleção Carlo Ancelotti vem tendo que responder mais e mais sobre a presença ou ausência de Neymar. Esse cenário não é inédito aqui no Brasil: técnicos tiveram que conviver com clamor e perguntas sobre lendas veteranas em 2002, 2006, 2010 e 2014. Romário em 2002 e 2006, Ronaldinho em 2010 e 2014, Ronaldo em 2010, e até nomes menos lendários como Adriano, também em 2010, foram assunto e foco de perguntas aos treinadores nos meses antes dos Mundiais. Mesmo trazendo na época mais argumentos técnicos à mesa do que Neymar agora em 2026, todos ficaram de fora dos mundiais. Mesmo longe dos seus auges, todos esses jogadores tinham a seu favor uma característica em comum: vinham de temporadas dominantes, com resultados individuais e coletivos, e regularidade em campo, algo que Neymar não têm conseguido desde que retornou ao Santos no ano passado. Nem assim conseguiram conquistar os treinadores, o que mostra que a missão de Neymar com Ancelotti não é possível. PVC Que espetáculo a virada do Vasco contra o Flu Daniela Lima Toffoli rechaça licença e afastamento do STF Mauro Cezar Campanha por Neymar na Copa é constrangedora Helio de La Peña O humor é preterido pelos próprios colegas de teatro Desde que retornou ao Santos, em pouco mais de um ano e dois meses, Neymar sofreu com lesões atuou apenas em 32 jogos, marcando 13 gols. O Santos lutou contra o rebaixamento no Brasileiro do ano passado, foi eliminado nas quartas de final do Paulista neste ano e passa longe de fazer um grande início de Brasileirão. Romário versus Felipão em 2002 e versus idade em 2006 O embate entre Romário e Luiz Felipe Scolari em 2002 é o mais emblemático das últimas décadas. O treinador resistiu à pressão popular, questionamentos de imprensa e até reunião com o presidente a CBF Ricardo Teixeira, mas não levou o atacante ao Mundial. Romário tinha na época 36 anos já, dois a mais do que Neymar hoje, mas o clamor pela sua convocação era baseado fortemente em desempenho, já que ele ainda era um dos atacantes mais letais do país: vinha de uma temporada de 39 gols e artilharia do Brasileirão em 2001, e terminaria 2002 com outros 42 gols. Em meio a algumas lesões musculares, mantinha uma média superior a 40 jogos por temporada. Em resumo, ainda era um atleta de ponta e destaque no futebol brasileiro. Até por isso, tem nessa ausência uma de suas maiores frustrações no futebol. "O que mais me dói foi 2002. Ganhou, eu poderia ter outro título. Já os outros que perderam, f...-se", disse, em entrevista à Globo em 2025. Felipão sempre usou argumentos táticos e de grupo para defender a escolha. "A decisão foi observando que eu, com aquele tipo de jogador, naquela posição e jogando daquela forma, eu não teria as mesmas condições que eu tive na seleção brasileira jogando com outro nome. Teria que jogar de uma forma diferente. Não sei se as características dos jogadores casariam perfeitamente. Então eu optei", disse à ESPN no ano passado. Continua após a publicidade Um dos "outros que perderam" aos quais Romário se refere é 2006. O atacante já se aproximava dos 40 anos de idade, mas foi ventilado, sem o mesmo clamor e pressão de quatro anos antes. Ainda assim, os números que trazia justificaram a entrada na discussão para além do seu nome e história: vinha da artilharia do Brasileiro e uma temporada de 30 gols em 2005, e marcou outros 9 em 11 jogos no primeiro semestre de 2006. Não foi suficiente para convencer Parreira. Dunga, Ronaldo, Ronaldinho e Adriano em 2010 Às vésperas da Copa de 2010, Dunga foi muito questionado sobre a insistência em não convocar Ronaldinho. A situação na imprensa era comparada à de Romário em 2002, e isso irritava bastante o treinador. "Nada disso é novo em véspera de Copa do Mundo. As perguntas e respostas continuam as mesmas. A pressão sobre o técnico da seleção é diferente porque o Brasil é um continente. Cada estado quer seu jogador, cada jornal tem seu interesse", esbravejava em coletiva em fevereiro de 2010. Ronaldinho não era o mesmo jogador do auge no Barcelona, mas fez, aos 30 anos, ótima temporada no Milan em 2009/2010, com números expressivos: 43 jogos, 15 gols e 19 assistências - líder em assistências no Campeonato Italiano. Ficou de fora da Copa mesmo assim. Continua após a publicidade Dunga foi questionado em 2010 também sobre as presenças de Ronaldo e Adriano. O Fenômeno tinha feito boa temporada pelo Corinthians em 2009, com 23 gols em 38 jogos, mas sofreu uma lesão muscular em janeiro de 2010. Ele viria a se recuperar e marcaria mais 12 gols, mas viria a se aposentar depois de dificuldades para se manter em forma. Ele mesmo, em entrevistas depois, admite que não teria tido condições de disputar o Mundial da África do Sul. Em relação a Adriano, Dunga parecia mais aberto. O centroavante tinha apenas 28 anos, vinha de marcar 19 gols na campanha do Flamengo campeão brasileiro em 2009 e tinha começado 2010 em grande fase. Seu destino foi selado após uma visita de Jorginho, auxiliar de Dunga, a um treino do Flamengo no dia 1º de maio. Adriano não apareceu para a atividade e não foi localizado. Ronaldinho preterido em 2014, mais uma vez por Felipão No último grande caso emblemático de algum clamor pela convocação de uma lenda da seleção para o Mundial foi o de Ronaldinho em 2014. Aos 34 anos, ele vinha de 41 jogos, 17 gols e 15 assistências, com prêmio de melhor jogador da América do Sul e campeão da Libertadores pelo Atlético-MG. Continua após a publicidade Circulou, na época, uma versão de que um atraso na apresentação e postura apática em campo de Ronaldinho em amistoso contra o Chile, ainda em 2013, que terminou em vaias e um empate em 2 a 2 teriam selado o destino do craque com Felipão. O treinador nunca confirmou a versão. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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