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Análise dos Times

Motivo: Apenas citado como clube onde ex-jogadores atuaram, sem avaliação de desempenho

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Citada em contexto de tragédia (acidente aéreo) com tom empático, sem viés esportivo

Viés da Menção (Score: 0.1)

Motivo: Destaque positivo pelo acesso à Série C sob comando de Danilo, retratado como conquista

Viés da Menção (Score: 0.3)

Motivo: Mera citação da passagem do ex-zagueiro William Machado pelo clube

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Mera citação da passagem da ex-lateral Danielli Silva pelo clube

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Grêmio Corinthians Santos Chapecoense Seleção Brasileira CazéTV Uberlândia Danilo Andrade William Machado Jakson Follmann João Ricardo Cozac Ju Cabral Katia Rubio Danielli Silva

Conteúdo Original

Futebol O luto da aposentadoria: as batalhas de ex-jogadores para um recomeço Carolina Alberti e Renan Liskai Do UOL, em São Paulo 06/11/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× "Eu não me preparei para parar de jogar. Na verdade, brinco que pararam comigo. E aí a minha vida, do nada, teve que recomeçar do zero." É assim que Ju Cabral, ex-zagueira da seleção brasileira, medalhista dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e hoje comentarista da CazéTV, resume o fim da carreira. Ju Cabral faz parte do time de comentaristas da CazéTV Imagem: João Amaral/Divulgação O ex-jogador não perde somente uma profissão. De certa forma, despede-se também de uma versão de si mesmo. Perde, quase ao mesmo tempo, a rotina, o convívio com o grupo, o reconhecimento público, uma fonte de renda e até uma determinada relação com o próprio corpo. Poucas profissões concentram tantas mudanças importantes em um período tão curto. João Ricardo Cozac, psicólogo do esporte Casagrande Yuri Alberto tem que pegar suspensão pesada Patrick Cruz Escândalo arranha imagem da 'Suíça' paraguaia Janaína Figueiredo Peña vive 'tempestade perfeita' em crise João Paulo Charleaux Peña coroa derrotas da extrema direita no mundo Nas próximas três semanas, o UOL vai publicar uma série de entrevistas com ex-jogadores que contam como é esse processo. E como decidiram o que iriam fazer depois do luto. O luto da aposentadoria Os atletas começam muito jovens e isso se relaciona diretamente à formação de identidade dessas pessoas. Ser atleta é ter uma identidade. É como ser filho, mãe. A gente carrega isso não com a potência do estar, mas do ser. Atleta não está atleta, ele é atleta. Essa relação com o verbo, que é uma ação, implica numa identificação com aquilo que se faz. Katia Rubio, especializada em psicologia do esporte No futebol, a maioria dos atletas encerra a carreira entre 30 e 40 anos. Nesse momento, com 35 ou 35 anos, quando profissionais de outras áreas estão consolidando suas carreiras, eles têm de recomeçar. E muitos atletas precisam começar algo novo, algumas vezes sem formação específica, pouca experiência fora do esporte e sem terem tido oportunidade de descobrir outros interesses. Cozac Danilo Andrade, técnico do Uberlândia, durante jogo pela Série D do Brasileirão Imagem: Giovanni Mendes/Uberlândia EC Danilo, ex-meia de Corinthians, viveu isso aos 40 anos. "Estava parado em casa. Já tinha competido a vida inteira. Estava meio que ocioso. Essa saudade depois que você para é dura", conta. Continua após a publicidade A solução que ele encontrou foi voltar a fazer o que já estava acostumado. Fez cursos e hoje, aos 47, levou o Uberlândia para a Série C do Campeonato Brasileiro como técnico. Estudar é preciso O caminho de Danilo tem um detalhe que costuma afastar atletas: ele voltou a estudar. No caso, para virar treinador. A questão é que essa habilidade de aprender, para quem viveu do esporte desde criança, não costuma ser inventivada. "Jogador profissional não têm tempo de desenvolver habilidades sociais que pessoas que não se dedicam ao esporte têm. Principalmente estudar. Jogadores, na sua maioria, pensam que só sabem jogar bola porque não tiveram a oportunidade de aprender outras habilidades", conta a psicóloga Katia Rubio. "Mas seres humanos são incríveis. Nós somos capazes de muitas coisas e os atletas estão incluídos nisso. É preciso começar todo um processo de autoconhecimento onde essas habilidades vão emergir". O ex-zagueiro William Machado, que teve passagens por Corinthians e Grêmio, e a ex-lateral Danielli Silva, que jogou no Santos e na seleção brasileira, são provas dessa "capacidade humana". Os dois passaram para o mercado financeiro depois de deixar os campos justamente porque, ainda enquanto jogadores, não desistiram de estudar. Continua após a publicidade Sempre gostei muito de estudar, mesmo tendo o esporte como a primeira opção. No finalzinho da minha carreira, eu fui me apaixonando muito pelo mercado financeiro, pelas finanças, porque eu comecei a me perguntar: 'Quando eu parar, o que eu vou fazer?' Danielli Silva Quando eu parei, era pouco usual um atleta se inserir no mercado financeiro, hoje já tem mais atletas ou ex-atletas fazendo isso. Eu fiz faculdade em ciências contábeis quando tinha 19 anos. Aquele momento me aproximou bastante de uma visão diferente. William Machado Quando é hora de parar Jakson Follmann se aposentou do futebol após acidente aéreo da Chapecoense Imagem: UOL/Fernando Moraes A aposentadoria é um período de vulnerabilidade psicológica, segundo Cozac. Ele conta que atletas podem sentir ansiedade, depressão, insônia, irritabilidade, isolamento e perda de sentido, além de adotar comportamentos de risco, como o uso excessivo de álcool ou a busca constante por emoções que reproduzam a intensidade da competição. Ele ressalta, porém, que nem todo sofrimento deve virar doença: tristeza, saudade e medo fazem parte da adaptação, e o que precisa ser observado é a intensidade desses sentimentos. Quando o fim é abrupto, diz Cozac, não há despedida gradual, e a experiência passa a ser de ruptura. Crises de identidade, raiva, sentimento de injustiça, dificuldades financeiras, conflitos familiares e dificuldade para encontrar novos projetos podem aparecer. Continua após a publicidade Um caso assim é o do goleiro Jakson Follmann, sobrevivente do acidente aéreo da Chapecoense, que completa 10 anos. Ele teve de amputar parte da perna direita e se aposentou precocemente, o que trouxe etapas diárias de superação que, segundo ele, continuam difíceis. Sempre foi muito difícil. Não tem como ser diferente. Até hoje é muito difícil em relação a tudo isso, essa saída do futebol precocemente. Primeiro eu tive que lutar pela minha vida, depois eu fiquei praticamente dois meses hospitalizado, quando eu saio do hospital eu tenho que colocar a minha prótese e vem um mundo totalmente novo. Eu sempre questionava: 'poxa, o que eu vou fazer?' Jakson Follmann Follmann virou palestrante, se arriscou na carreira musical e é coautor do livro "A vida depois da queda". Aposentei. E agora? Esta reportagem é a primeira de uma série que será publicada pelo UOL ao longo das próximas três semana. Nela, ex-jogadores falam sobre o processo de adaptação no pós-carreira e como se descobriram em novas funções após o fim da jornada como atletas. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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