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Análise dos Times

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Estados Unidos Ucrânia Milão-Cortina Oksana Masters Chernobyl esqui cross-country biatlo remo ciclismo

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Oksana Masters leva medalha de ouro no esqui cross-country sprint feminino Nas Paralimpíadas de Inverno Milão-Cortina 2026, Oksana Masters ampliou ainda mais um currículo que já a coloca entre as maiores atletas da história do esporte paralímpico. A americana de 36 anos, que nasceu com má-formação congênita como consequência da radiação do desastre nuclear de Chernobyl, conquistou nesta quarta sua terceira medalha de ouro nesta edição dos Jogos, desta vez no esqui cross-country 10 km, depois de já ter vencido o biatlo sprint e o esqui cross-country sprint. Com o resultado, ela chegou à 22ª medalha paralímpica da carreira, sendo 17 delas em Jogos de Inverno. Oksana é a atleta paralímpica de inverno mais premiada dos Estados Unidos. São 8 medalhas de ouro, 7 de prata e 2 de bronze. Nos jogos de verão, ela já conquistou 4 medalhas de ouro e uma de bronze. É campeã em quatro modalidades diferentes: biatlo, esqui cross-country, ciclismo e remo. + Paralimpídas de Inverno 2026: agenda de partidas + Quadro de Medalhas das Paralimpíadas de Inverno 2026 + Brasileiro Cristian Ribera é favorito a pódio inédito nas Paralimpíadas de Inverno: "A medalha vai vir" 1 de 3 Oksana Masters conquitou a medalha de ouro no biatlo nas Paralímpidas de Inverno 2026 — Foto: Reuters Oksana Masters conquitou a medalha de ouro no biatlo nas Paralímpidas de Inverno 2026 — Foto: Reuters Malformações causadas pela radiação e abandono Nascida em 1989 na cidade de Khmelnytskyi, na Ucrânia, três anos após a explosão nuclear da usina de Chernobyl que contaminou grande parte da região, a norte-americana transformou uma infância de dor em uma das trajetórias mais impressionantes do esporte paralímpico. A exposição à radiação é apontada como causa das malformações congênitas com as quais veio ao mundo: ausência de tíbias, mãos sem polegares e diferenças estruturais nas pernas e nos pés. Oksana foi abandonada pelos pais biológicos ainda bebê e passou os primeiros anos de vida em orfanatos ucranianos, onde enfrentou uma infância marcada por dificuldades e episódios de abuso. A virada de chave na sua vida aconteceu aos sete anos, quando foi adotada por Gay Masters, uma fonoaudióloga americana que a levou para os Estados Unidos. Já no novo país, Oksana passou por diversas cirurgias e acabou tendo as duas pernas amputadas acima do joelho, um processo que buscava melhorar sua mobilidade e qualidade de vida. – Minhas condições de nascimento fizeram com que minhas duas pernas fossem amputadas. A esquerda aos nove anos e a direita aos 14. Também passei por inúmeras cirurgias de reconstrução nas minhas mãos - disse Oksana ao site oficial dos Jogos Olímpicos. O esporte como ponto de virada A relação com o esporte começou ainda na adolescência. Aos 13 anos, Oksana encontrou no remo adaptado a primeira oportunidade de se firmar como atleta. A modalidade se transformou em porta de entrada para o alto rendimento e lhe rendeu a primeira medalha paralímpica: bronze em Londres 2012. Uma lesão nas costas a obrigou a mudar de caminho, mas não de ambição. Trocou o remo pelo esqui cross-country e pelo ciclismo, e ampliou ainda mais sua versatilidade. – Tenho que destreinar quando faço a transição do esqui para o ciclismo. É maluco ver como meu corpo muda fisicamente. Meus músculos das costas, os dorsais e meu tríceps ficam muito definidos no esqui. Quando começo no ciclismo, meus músculos das costas desaparecem e meus ombros, meu peitoral e meu bíceps crescem. É uma constante adaptação - explicou a atleta. 2 de 3 Oksana Masters no esqui cross-country nas Paralímpidas de Inverno 2026 — Foto: Reuters Oksana Masters no esqui cross-country nas Paralímpidas de Inverno 2026 — Foto: Reuters Okasana começou a se dividir entre os esportes e marcou presença em todas as edições de Jogos Paralímpicos desde então: Sochi 2014, Rio 2016, PyeongChang 2018, Tóquio 2020, Pequim 2022, Paris 2024 e Milão-Cortina 2026. Com isso, tornou-se uma das raras atletas a conquistar medalhas paralímpicas em Jogos de Verão e de Inverno. Sua trajetória rumo aos Jogos Paralímpicos de Milão-Cortina 2026 não foi fácil. A atleta teve múltiplas internações hospitalares que reduziram seu tempo de treinamento, e mais uma cirurgia na mão (a 28ª em sua vida). Mas Oksana construiu sua carreira com base na resiliência, conseguiu chegar aos Jogos e já garantiu duas medalhas de ouro. A americana ainda pode disputar mais duas finais e aumentar o histórico impressionante. 3 de 3 Oksana Masters no biatlo sentado feminino nas Paralimpíadas de Inverno — Foto: Reuters Oksana Masters no biatlo sentado feminino nas Paralimpíadas de Inverno — Foto: Reuters