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Futebol CBF vê guerra política aumentar no meio da disputa de Copa do Mundo Danilo Lavieri , Paulo Vinicius Coelho (PVC) , Pedro Lopes e Do UOL, em Nova Jersey (EUA) 16/06/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Samir Xaud, presidente da CBF, chega para o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026 Imagem: Emilee Chinn - FIFA/FIFA via Getty Images Uma disputa movimenta os corredores da CBF, não importando que a seleção brasileira tenta encerrar um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo. Longe dos gramados, enquanto jogadores treinam nos Estados Unidos, a entidade vive uma guerra política que tem como peça central o presidente Samir Xaud. O episódio mais recente foi a polêmica revelada pelo portal Léo Dias ontem, que colocou Xaud no centro de acusações de que mulheres teriam sido levadas aos Estados Unidos com recursos da CBF. Oficialmente, a entidade nega qualquer uso de dinheiro da confederação para essa finalidade. Pessoas ouvidas pela reportagem também afirmam que se trata de uma questão estritamente pessoal e que não houve gasto oficial no caso. Independentemente da veracidade, o episódio é tratado nos bastidores como mais um capítulo de uma disputa que se intensificou desde a chegada de Xaud ao comando da CBF. Dirigentes e pessoas próximas à entidade descrevem um ambiente de desconfiança, vazamentos e tentativas constantes de desgaste entre diferentes grupos de poder. O UOL ouviu relatos de múltiplas fontes da CBF e traça, aqui, um panorama. Juca Kfouri Começou o fim de Samir Xaud na CBF Milly Lacombe Motivo de Endrick não jogar deveria causar revolta Sakamoto Renan surfa eleitor que Caiado e Zema esnobaram Alexandre Borges Eduardo Bolsonaro fez o Zelle Uma das versões que circulam atribui ao vice-presidente Gustavo Dias Henrique o fogo-amigo. Segundo interlocutores que defendem essa tese, haveria o interesse de Gustavo em ampliar sua influência dentro da entidade e, eventualmente, construir um caminho até a presidência. Ele, inclusive, teve espaço para discursar na cerimônia de convocação. Gustavo rejeita essa interpretação. A pessoas próximas, afirma não ter qualquer interesse em substituir Samir e lembra que, em caso de vacância do cargo, o primeiro na linha sucessória sequer seria ele, mas o também vice-presidente José Vanildo da Silva. Ao menos no início da formação da chapa, os dois estavam no mesmo lado político, com ligações, inclusive, com Brasília, que será mais explicada abaixo. Outra corrente aponta para Gustavo Feijó. Atual diretor de seleções e integrante da delegação brasileira nos Estados Unidos, ele seria visto por alguns dirigentes como alguém insatisfeito com o espaço que recebeu na nova estrutura de poder. Feijó, porém, também nega qualquer atuação para enfraquecer o presidente. Há ainda uma terceira leitura que encontra eco entre dirigentes estaduais. Alguns presidentes de federações demonstram incômodo com mudanças promovidas pela atual administração. Benefícios que existiam na gestão de Ednaldo Rodrigues foram reduzidos. Durante a Copa, vários cartolas viajaram para os Estados Unidos, mas ficaram fora dos camarotes reservados ao grupo mais próximo do comando da entidade. Receberam ingressos em setores nobres, com preços próximos de US$ 1.000, mas distantes do prestígio representado pelo chamado espaço VVIP. Outra hipótese levantada nos bastidores remete à política de Roraima, estado de origem de Samir Xaud. Para integrantes da CBF, parte da resistência ao presidente também pode ter raízes em disputas locais que acabaram transbordando para o cenário nacional do futebol. Como acontece há décadas na política da confederação, o tabuleiro não se limita ao Rio de Janeiro, sede da entidade, ou à concentração da seleção nos Estados Unidos. Brasília também aparece como peça importante da engrenagem. Embora sem cargos formais na estrutura da CBF, o ministro Gilmar Mendes é apontado por diferentes interlocutores como alguém de influência relevante nos bastidores da entidade. Seu filho, Francisco Mendes, também passou a integrar o xadrez político que cerca as principais decisões da confederação. Continua após a publicidade Os dois são frequentemente citados quando dirigentes relembram o processo que levou Samir Xaud à presidência. Até então com pouca projeção nacional no futebol, ele emergiu como candidato viável e acabou eleito para comandar a entidade em um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. Montar o quebra-cabeça completo é tarefa difícil. As versões se cruzam, os interesses nem sempre são claros e quase todos os personagens negam participação em qualquer movimento de desgaste. O que parece consenso dentro da própria CBF é que o caso envolvendo Samir Xaud está longe de ser um episódio isolado. No momento em que a seleção disputa uma Copa do Mundo, a maior batalha da entidade parece acontecer longe dos estádios. E ela envolve algo que, no futebol brasileiro, costuma ser tão importante quanto os resultados em campo: o poder. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora PVC: 'Neymar só deve aparecer em campo na Copa do Mundo na próxima fase' Incêndio atinge casa do cantor gospel Regis Danese em Minas Gerais Peru: com 99% das urnas apuradas, Keiko tem 32 mil votos a mais que Sánchez 'Somos a seleção mais oprimida da história da Copa', diz técnico do Irã Servidora do Itamaraty exonerada por banca racial tomará posse após acordo