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Opinião Esporte Futebol Copa do Mundo Abel Braga: 'Nosso futebol raiz deixou de existir' Abel Braga técnico campeão brasileiro, da Libertadores e do Mundial de Clubes 06/07/2026 13h33 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Abel Braga, técnico do Internacional, em partida contra o Bragantino, pelo Campeonato Brasileiro de 2025 Imagem: EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO A eliminação do Brasil dói, mas não chega a ser uma surpresa. O momento é difícil porque seguimos repetindo erros que já vêm sendo cometidos há anos em praticamente todos os setores ligados ao futebol. As consequências aparecem a cada ciclo, e agora vamos esperar mais quatro anos na esperança de que algo mude. O principal problema, na minha visão, está na formação. Trabalhamos mal na base. Claro que existem exceções — o Palmeiras, por exemplo, faz um trabalho de excelência na formação de atletas. Mas, de maneira geral, o futebol brasileiro precisa rever seus processos. Outro ponto importante é o tempo de trabalho. Contrata-se um treinador praticamente às vésperas da Copa do Mundo. Em dois dias de treino, ele já está disputando um jogo eliminatório. Depois tem mais dois ou três dias para o compromisso seguinte. Assim, é impossível construir um coletivo. Juca Kfouri Trump age como dono do mundo no caso Balogun Milly Lacombe Vini, Raphinha, Casemiro: a geração sem personalidade Casagrande Por que Neymar foge de perguntas difíceis Alexandre Borges Os riscos de promover provocadores políticos E futebol continua sendo um esporte coletivo. A Noruega mostrou isso. A França também, mesmo passando por renovação, porque mantém há anos um treinador que conhece profundamente sua equipe. Existe um padrão, uma identidade. O coletivo deles é muito forte. O Brasil chega à Copa sem isso. Uma semana antes do Mundial, eu disse que não deveríamos criar tanta expectativa. O primeiro jogo já seria muito complicado porque eu conhecia o estágio do Marrocos e sabia como estava a seleção brasileira. Naquele momento, eu dizia que, se o Brasil chegasse às quartas de final, já seria um objetivo alcançado. Sinceramente, não imaginava algo muito além disso. A derrota para a Noruega foi justa. Até o primeiro gol, o Brasil não fazia uma partida ruim, mas novamente apareceram falhas individuais e coletivas. Já tinha sido assim contra o Marrocos. Não é um problema de um jogo. É um problema que se repete. Depois da eliminação, é natural que cada um tente encontrar um culpado. Uns tiram a responsabilidade de determinadas pessoas, outros colocam em setores que nem sempre são os responsáveis principais. Mas o momento exige menos caça aos culpados e mais reflexão. Quem sofre agora também são os clubes, os treinadores e os jogadores. A frustração da Copa acaba sendo transferida para o futebol brasileiro como um todo. Continua após a publicidade Por isso acredito que chegou a hora de mudanças profundas. Sempre lembro do exemplo da Alemanha. Depois de um período de fracassos, a federação reorganizou a formação dos atletas. Os clubes passaram a trabalhar dentro de conceitos semelhantes, criando uma identidade para que os jogadores chegassem à seleção sabendo exatamente como atuar. Foi um projeto de longo prazo. O Brasil precisa fazer algo parecido. Não vamos ganhar todas as Copas do Mundo. Isso faz parte do futebol. Mas faz tempo que deixamos de chegar como favoritos e também faz tempo que não fazemos grandes campanhas. Basta olhar o que aconteceu nas Eliminatórias. Estamos encontrando dificuldades até dentro da América do Sul. Antes, mesmo com uma Argentina forte, o Brasil costumava estar um passo à frente. Hoje já não podemos dizer isso. Temos um treinador de altíssimo nível. Carlo Ancelotti construiu uma carreira extraordinária em clubes. Agora vive sua primeira experiência em uma seleção. Quando eu disse que era a primeira vez que o Brasil disputava uma Copa com um treinador estrangeiro, não era uma crítica a ele. Muito pelo contrário. O treinador não tem culpa dessa situação. Minha observação era apenas sobre um fato histórico: pela primeira vez, o Brasil tinha no banco alguém que não tinha 'pele verde e amarela'. Ainda há quatro anos até a próxima Copa do Mundo. É tempo suficiente para organizar um projeto sério, estabelecer metas e trabalhar com planejamento. Continua após a publicidade Mas é preciso começar agora. Está na hora de trazer de volta o nosso futebol raiz. *Depoimento dado ao repórter Valentin Furlan Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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